O clipe de Alexandre Pires e o celeuma do preconceito


A matéria no Blog Na Mira do Regis, de sexta-feira, fala sobre o celeuma recente criado pelo clipe gravado pelo Alexandre Pires e com a participação do craque santista Neymar quanto à questão racial. Em quase tudo faço minhas as palavras dele. Vamos ao texto dele:

"Vivemos uma época tão nojenta na valorização do politicamente correto que resolvi protestar contra este excesso de moralismo tacanho logo no título deste texto. É só marcar minha posição perante este maremoto de intolerância para qualquer coisa que, teoricamente, venha a ofender as sensibilidades mais medíocres da população em geral.

A recente polêmica causada pelo pavoroso clipe de "Kong", do apatetado Alexandre Pires, é mais um pequeno mato na imensa floresta de besteiras que vemos/ouvimos/presenciamos todo santo dia. [...]

O simples fato de pensarmos na possibilidade de um cantor negro cometer uma música racista contra uma sociedade inteira que apresenta a mesma cor de pele por si só já é motivo de gargalhadas. Pensar que isto vai provocar algum tipo de conscientização é algo que beira as raias do absurdo.

Não é possível que os nobres integrantes do Ministério Público não tenham mais o que fazer neste imenso País cheio de problemas causados pela corrupção desenfreada e pela injustiça social do que cismar com um clipe ridículo, que contem uma música pior ainda e um monte de gente — incluindo o "arroz de festa" Neymar e nauseante Mr. Catra - provocando vergonha alheia em grau "master".

Mas isto é apenas um reflexo desta onda de "bom mocismo moral" que permeia todos os escalões da nossa sociedade. Seguramente vivemos em tempos que muita gente fecha os olhos para indecências genuínas — vide os reality shows da vida, a miséria da "Cracolândia" e a corrupção que permeia todos os escalões de nossos governantes - e inicia uma gritaria insana e delirante quando uma circunstância esdrúxula vem à tona na TV ou mesmo na internet, como é o caso deste clipe horroroso do Alexandre Pires.

Faço questão de abordar este assunto porque temo que tudo isto seja uma espiral de falso moralismo que, se não for brecada, vai fazer com que a gente deságue em uma total falta de controle a respeito do que é certo e errado, com o surgimento de regras e leis absurdas a regulamentar nossas atitudes e opiniões mais comuns.

Quando funcionários de um governo jogam o bom senso na lata do lixo e tratam de colocar para fora suas doideiras e perversões pessoais, além de uma incrível vontade de aparecer aos holofotes da mídia, algo está muito errado com este País, não?[...]"

NOTA: Os dois parágrafos que decidi grifar resumem a ideia central do texto, bem como uma crítica ao mimimi dos "politicamente corretos", que volta e meia nos surpreendem em situações cada vez mais esdrúxulas. Mas ultimamente isso nem surpreende tanto. Quando não se inventa situações ou se pressupõe cenários de segregação que hoje estão muito mais amenos (pra não dizer a beira da extinção), se aumenta fatos ou se foca exageradamente os mesmos para defender leis que podem abrir precedentes perigosíssimos para nossa liberdade de expressão e de opinião. A tentativa desesperada de se tentar aprovar a PL 122 ano passado, apenas por atos isolados de agressões a indivíduos ligados a grupos LGBT(que convenhamos, sempre ocorreram, ocorrem e ocorrerão, com ou sem lei específica para isso) não me deixa mentir.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dando-se tempo ao tempo: cadê as vantagens do porto de Mariel?

Não, Juan Arias. Dilma não se transformou

ENEM 2015 e o orgasmo da esquerda festiva