O dilúvio na Grande Vitória


Hoje a região metropolitana da Grande Vitória e consequentemente o Espírito Santo ganhou destaque não só nas redes sociais como também nos grandes telejornais. E mais uma vez, infelizmente, foi por causa de um problema bem antigo e que nem royalties e FUNDAP foram capazes de ao menos amenizar a situação. A surpresa foi ainda maior por conta de que essa grande volume de chuva foi algo um tanto anormal para esta época do ano, em que normalmente as chuvas tendem a ser menos frequentes e intensas(se bem que no mês de abril do ano passado, mês que normalmente as chuvas começam a diminuir, acabou sendo o mês mais chuvoso do ano. Culpa do La Niña?). De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, entre as 9h de ontem e 9h de hoje, choveu 114,8mm, mais que o previsto para todo este mês, e praticamente o triplo do que choveu em maio do ano passado.

Tanto volume de água(ainda mais fora de época), somado a nossa belíssima infraestrutura de drenagem e mobilidade urbana foi o suficiente para transformar o já caótico horário de rush de nossa região metropolitana num tormento ainda maior para quem queria sair de casa para estudar ou trabalhar(no meu caso, as aulas do dia foram simplesmente canceladas, afinal, já tem noção do que acontece quando chove desse jeito perto de onde estudo, né?). Ruas ficaram alagadas e algumas ficaram intransitáveis até para veículos grandes, casas ficaram ilhadas ou inundadas e ocorreram até desabamentos. Para nossa alegria nosso alívio, ninguém se feriu gravemente ou perdeu a vida nesse dilúvio. Por conta desses transtornos, ocorreram protestos em alguns bairros castigados pela inundação quase "surpresa".

E é claro, considerando que este ano se trata de período de eleições municipais, esta enchente(bem como a do início deste ano) será um prato cheio para que os adversários dos candidatos ligados aos partidos de "situação" possam metralhar estes e como "palanque" para promessas milagrosas para solucionar tal problema(algumas impossíveis de serem realizadas a tempo, outras até possíveis, mas em se tratando de Grande Vitória e até de Brasil, sabemos que não serão feitas). Que possamos estar de olho para que não sejamos levados pelo calor(ou "frio", afinal que frio faz no instante em que estou digitando este post) do momento.

E claro, não me esqueci de que muitas vezes somos levados (seja pela mídia ou nosso próprio senso comum) a culpar pura e simplesmente os gestores de nossas cidades bem como das secretarias que estão incumbidas de mitigar tais impactos negativos causados pelas chuvas. De fato, eles tem uma parcela de culpa por não adaptar/reformar as arcaicas redes pluviais, bem como os dispositivos de drenagem associados a tais redes ao volume de chuvas que cai atualmente, ou ainda optar pelo caminho do menor custo ao invés da solução tecnicamente mais adequada. Mas a partir do momento em que jogamos lixo no chão, construímos uma casa a beira do rio ou jogamos entulho neste, também assumimos os riscos que estamos correndo por causa de nossa postura imprudente. Enfim, o problema das enchentes é de todos, tanto do poder público como da população. E cabe a nós nos entendermos com esse para buscarmos uma solução imediata para esse problema, afinal, é constrangedor aparecer em rede nacional de televisão apenas quando alguma desgraça acontece conosco, não concorda?

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