Jovens vão fazer carreata contra fechamento de casas noturnas em Vitória


Frequentadores da noite capixaba na Praia do Canto, em Vitória, vão realizar uma carreata na noite de quinta-feira (18) contra o fechamento de bares e interdição de casas noturnas. O protesto também critica a falta de segurança na região do Triângulo das Bermudas. A ideia é evitar que o local entre em decadência e cobrar ações das autoridades para manter um dos principais pontos noturnos da cidade.

Mobilizados com o objetivo de "não deixar o Triângulo das Bermudas morrer", jovens decidiram pelo protesto que terá uma hora de duração. O protesto está marcado para começar às 23h, explica o estudante de marketing, Frederico Rezende, de 20 anos.

"A ideia surgiu dos frequentadores da vida noturna capixaba. A gente está se sentindo prejudicado com essa ação da prefeitura de fechar as casas noturnas de Vitória por causa de som. A gente já tem pouca opção aqui na Capital e o Triângulo é um dos cartões postais da nossa cidade. É uma tradição que está acabando", lamenta o jovem.

Frederico faz parte do grupo de pessoas que estava na Casa Clube, uma casa noturna da região, na madrugada do último sábado (16), quando a Polícia Civil interditou o local. O bar Balístico, que fica nas proximidades, também teve que parar com a música. De acordo com a Prefeitura de Vitória, os dois estabelecimentos já haviam sido notificados e estavam proibidos de funcionar com som alto após às 23 horas.

Um ensaio de Festa Junina teve de ser encerrado pelo mesmo motivo, no bairro Bonfim. A operação, realizada a pedido do Ministério Público Estadual, foi comandada pela Delegacia de Costumes e Diversões (Decodi). "Os bares foram interditados porque estavam descumprindo uma determinação da prefeitura. Além disso, recebemos reclamações de moradores que apresentavam até laudos médicos informando problemas de saúde em decorrência do barulho", explicou a delegada Gracimeri Gaviorno.

Preocupados com o fechamento de bares e agora interdições da Prefeitura, um grupo começou a articular o protesto, que pretende chamar a atenção da sociedade e, principalmente, das autoridades competentes, para que alguma providência seja tomada, diz a publicitária Maria Carolina Fernandes, de 24 anos.

"O nosso protesto é contra o ato que aconteceu no final de semana, contra o fechamento de bares e também contra a violência. Nós cidadãos merecemos viver em segurança. Mas se o governo não se mobiliza para isso, nós estamos 'pagando o pato' com o fechamento desses bares. É um protesto que tem que ser levado em consideração pelas autoridades para que essa situação seja revertida de alguma forma".

Interdição

Segundo Carolina, a operação policial dentro da boate aconteceu sem que o público fosse informado. "A polícia invadiu como se todos fossem criminosos. Encapuzados, com armas grandes, foram colocando todos para fora sem explicar o que estava acontecendo. Depois que a gente veio saber que era por conta do som", conta.

Carolina diz que os frequentadores não são contra as ações da polícia e da prefeitura. "A fiscalização é o papel da prefeitura, mas isso não deve ser feito na hora que a boate está aberta, no horário de maior movimentação. Tem que ser feito de uma maneira que não prejudique a população, uma maneira que a ação da polícia não interfira e coloque a população em risco, como aconteceu", acrescenta.

A publicitária também teme que a longo prazo o turismo na Capital também seja prejudicado. "Você recebe visitas e não tem mais para onde levá-las (para sair)".

Insegurança

Os jovens dizem que a falta de segurança é um dos principais fatores que têm levado os donos de bares a desistirem das atividades. "A população deixou de sair de casa para se divertir por conta da violência. Se o problema for resolvido os bares vão voltar a funcionar normalmente, com a movimentação de antes", enfatiza Maria Carolina.

Frederico diz frequentar a região desde os 17 anos. Ele espera que a carreata desperte nas autoridades para a necessidade de adotar providências na região. "A gente quer uma solução. Do jeito que está não dá para continuar. A população inteira vai ficar dentro de casa?", questiona a publicitária.


NOTA: Cada um tem a prioridade que merece. Enquanto uns protestam por uma causa realmente justa, apesar de usarem métodos totalmente errados, outros protestam usando métodos totalmente corretos para uma causa, no mínimo, discutível. Mas bem, não pretendo entrar no mérito disso, e sim basicamente comentar sobre o que foi destacado ao longo da notícia. Tudo bem que é necessário uma ação mais ampla das autoridades (alem de simplesmente punir os estabelecimentos) de forma a garantir a diversão de quem quer curtir a noite sem causar transtornos aos moradores da região, mas achar que a crise no Triângulo das Bermudas é apenas resultado de falta (ou de má) ação da prefeitura/Estado é uma visão muito simplista e ingênua da situação. Considerando que muitos daqueles estabelecimentos estão instalados no local há mais de 1 ano, já era pra se ter pensado em algum sistema de isolamento acústico de tal forma a garantir o funcionamento desses locais sem perturbar o sossego dos moradores do bairro, não acha? Na verdade, antes mesmo de iniciar a operação de boates, bares e casas noturnas desse tipo, já deveriam se pensar em detalhes como esse (mas fazer o que, já que os donos de tais locais não pensam nisso e a prefeitura muito menos). Sobre a fala de Carolina, bem...Isso me soa cômico. Pense na polícia chegando para fiscalizar a Casa Clube (por exemplo) umas 21h, quando a festa está longe do auge e pouca gente ainda está no local (e talvez nem esteja rolando música), com a intenção de verificar se o nível de ruído está alto...Será que ela não entende que o objetivo disso é verificar se independente de como está a curtição da balada as normas que regem isso (afinal, tais normas valem pra qualquer estabelecimento, seja uma boate do Triângulo, seja um baile funk em Santo Antônio). Sobre o prejuízo à população, volto ao item anterior: se o Náutico Brasil (clube localizado num bairro não tão nobre de Vitória) fosse fechado pelo mesmo motivo, isso causaria tamanha comoção? Ah, antes que me digam que eu me contradisse com o último link, cabe dizer que a autora da frase pensou numa possibilidade, logo tenho pleno direito de usar a mesma lógica.

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