"Onde foi que eles erraram?"


"Onde foi que eu errei?". Esse bordão, conhecido no programa (que na época em que isso foi dito era) de humor Zorra Total, era uma pergunta do personagem Maurição (interpretado por Jorge Dória) sobre o que levava o personagem Alfredinho (interpretado por Lúcio Mauro Filho) a ser um tipo, digamos, "delicado". Mas hoje não irei comentar nem sobre o Zorra Total, muito menos sobre o quadro que hoje, convenhamos, seria alvo de duríssimas críticas dos politicamente corretos de plantão. A versão parafraseada do bordão, que é o título do post de hoje, é para comentar sobre o protesto ocorrido em Vitória ontem, que de tão "trágico" que foi chegou a ser cômico.

Bem, antes de mais nada, um breve resumo: anteontem, dia 04/06, houve uma convocação, principalmente via redes sociais, para mais um protesto contra o aumento da passagem que ocorreria ontem, dia 05/06, e a concentração seria em frente ao Palácio Anchieta, às 06h. Diante dessa situação, a Polícia Militar interditou a Av. Jerônimo Monteiro, bem como todos os acessos a ela e a Av. Getúlio Vargas foi dividida em dois sentidos, o que por si só já ocasionou um grande engarrafamento (só por isso tive que pegar meu ônibus quase 1km do local onde eu normalmente pegava, afinal, tenho que atravessar a BR 262 e onde faço a travessia não tem faixa de pedestres). Até aí menos mal, afinal devem ser tomadas precauções de forma a dar lugar a quem for se manifestar fazer o seu protesto causando o menor prejuízo possível a população que sai de casa cedo para estudar e/ou trabalhar. O problema é que mais uma vez, o movimento contra o aumento de passagem não achou isso o suficiente e tornou a fechar a Getúlio Vargas, parando o trânsito por duas horas. Para completar mais um show de lambanças feito pelos "estudantes" houve confronto com populares(!) que estavam presos no engarrafamento em seus carros e ônibus. A polícia conteve a manifestação e o trânsito foi liberado, não havendo presos nem feridos. E segundo o comandante Edmilson dos Santos, a estratégia da polícia, foi deixar as coisas correrem para evitar qualquer tipo de confronto violento (o que a meu ver foi acertado em parte e errado em outra). Enfim, depois do resumo, vamos às considerações sobre mais uma ação "pastelão" dos manifestantes:




1 - Ação da polícia:

Se nos protestos ocorridos em junho do ano passado e em janeiro e fevereiro deste ano eles tinham a desculpa da "truculência" da PM em reprimir os mesmos para reagirem violentamente, sendo que na ação do dia 11/01 um ônibus com pessoas dentro foi queimado (sorte que estas conseguiram sair, não fosse isso virariam churrasquinho dos "conscientes sociais"), desta vez não podem reclamar em nada do procedimento adotado pelas forças de segurança do Estado. Aliás, tendo em vista que houve troca de agressões entre os populares e os "estudantes", a ação policial foi bem comedida até, e a estratégia foi arriscada. E se a situação fugisse de controle? Será que os manifestantes reclamariam de "falta de ação" da PM? Enfim, de repressão violenta eles não podem reclamar nem um pouco.

2 - "Apoio" popular:

Bem, desde os ocorridos em junho do ano passado a população da Grande Vitória não demonstrava estar muito afim em apoiar a causa defendida pelos estudantes, apesar de ser justa a causa e teoricamente de interesse da mesma. Aliás, em março, numa pesquisa feita pelo instituto Futura, mostrava que 60% das pessoas entrevistadas não aprovaram os protestos ocorridos em Vitória. Um dos membros do movimento, o Gustavo de Biase, deu uma resposta que soou um tanto engraçada, dizendo que "esse resultado mostrava que a população concorda com nossas reivindicações". Se há três meses isso soa bem engraçado, uma vez que a base da democracia é o apoio da maioria, falar em apoio popular sendo que só 40% são a favor dos protestos(o que não quer dizer muita coisa, como apoiar o desdobramento das ações promovidas pelos estudantes e otras cositas) me soa um exercício de má vontade. Imagine agora, quando no lugar do BME, quem resolveu bater nos manifestantes foram...Os populares! Tragicômico, não? Aliás, bem que o Biase poderia falar agora nesse tal "apoio popular". Quem tem apoio desses não precisa de Big House inimigos...Fica a lição de que o direito de uns acaba quando começa o dos outros, aliás, lição não aprendida faz tempo...

3 - Cobertura da imprensa:

Nas edições anteriores dos protestos, houve muita choradeira por parte dos "revolucionários" sobre a "manipulação" dos fatos e a subserviência ao governo por parte da mídia (embora quando divulgaram a torto e direito nas redes sociais que um suposto policial disfarçado/P2 havia incendiado um ônibus quando na verdade o "P2" era um estudante ninguém falou nada). Tudo bem, a imprensa costuma aumentar alguns fatos e inventar alguns para atender certos interesses. Mas considerando a obviedade dos fatos e que desta vez nem houve (tanta) reclamação, tudo indica que os jornais e as redes de televisão locais fizeram a sua parte. E mesmo se houvesse algo indicando "distorção" dos fatos, não me parece muito coerente falar em "manipulação midiática" quando se compactua em acusar pessoas ou grupos de pessoas no Facebook.

4 - SE's:

Bem, diante dos três tópicos que mostrei e diante do meu posicionamento em relação aos protestos na minha página pessoal do Facebook no início deste ano, sempre vem aquelas pessoas com aquelas condicionais: "SE os estudantes não fizessem os protestos, a passagem seria muito mais cara", "SE a passagem cair você apoiaria", "SE eles conseguissem o passe livre, você preferiria pagar a meia?", "SE, SE, SE...". A questão é que SE não garante apoio popular. SE não comove o governo. SE não é o melhor embasamento para qualquer argumento e por fim SE não ajuda a baixar nem aumentar tarifa nenhuma. Aliás, SE nesse caso não serve e não deve servir pra tirar qualquer conclusão sobre algo. As melhores decisões e conclusões não são tomadas e dadas diante de SE's, são diante de FATOS. E o FATO é que por três vezes fecharam o trânsito de Vitória e quanto ao objetivo principal(que é a redução da tarifa), tiveram aproveitamento ZERO. O FATO é que quanto aos objetivos secundários do mesmo o máximo êxito que obtiveram nas últimas edições foi conseguir implantar um serviço noturno (bacurau) com integração no Terminal de São Torquato (serviço a meu ver desnecessário, uma vez que em se tratando de Grande Vitória não há demanda que justifique isso). O FATO é que eles em nenhum momento tiveram apoio da maior parte da população e com o "pastelão" de ontem tão afim mesmo de perder o resto. O FATO é que para tentar não serem ainda mais execrados pela população, tentaram acusar alguém ligado a PM por queimar o ônibus do dia 11/01(imagem abaixo deste tópico, para comprovar. Só para não ficar ainda mais vergonhoso, decidi preservar o nome do cidadão que postou bem como o sujeito citado). E por fim O FATO é que eles não aprenderam que por mais que seja um direito deles protestar contra algo que seja justo (afinal, não que o transporte público da Grande Vitória seja uma jaca, mas que precisa melhorar bastante, isso é um tanto óbvio), mas o direito de protestar deles acaba quando começa o direito de ir e vir daquele que quer chegar ao trabalho ou à escola. E por falar de direito de ir e vir, é como eu disse no link deste tópico: eles alegam que o aumento abusivo (de 6,5%, ao nível da inflação) prejudica o nosso direito de ir e vir...Mas o que que eles fazem mesmo ao parar o trânsito do Centro de Vitória? Onde está a coerência nesse caso. Afinal, quem exige coerência deve mostrar coerência. Mas enfim, não costumo tirar minhas conclusões baseadas em SE's nem em achismos. Prefiro os FATOS.


5 - Tese da pirraça política:

Bem, este ponto é o último que irei me delongar no momento. Considerando que este ano é eleitoral e que um dos representantes do movimento contra o aumento pretende emplacar uma candidatura a prefeito da capital capixaba, fatos como esse mostram até que nível pode se baixar para se promover politicamente. O problema é que, ainda mais com isso, o tiro pode sair (e arrisco dizer que vai) pela culatra. E a chance de pelo menos se colocar em evidência um candidato, digamos, alternativo vai para o espaço. Se bem que sempre vai ter quem vote em alguém que não se importe com os métodos para buscar mais espaço no cenário político. Lembrando que não estou confirmando esse tese, só estou afirmando que o que ocorreu ontem só serve de munição pra quem defende a mesma.

Enfim, onde mais eles conseguiram errar?

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