Paulo Hartung: um "coronel" da política capixaba?


Desde já, antes que seus defensores comecem a me apedrejar apenas por lerem o título do post de hoje, saiba muito bem que não sou um "corneteiro" do Paulo Hartung. Pelo contrário, até o admiro pelo fato de ter feito o Espírito Santo dar o boom econômico que o Espírito Santo há tanto tempo precisava e ao mesmo tempo feito o nosso estado ganhar um pouco mais de crédito no cenário político e econômico nacional (coisa que o seu sucessor, o Renato Casagrande, está deixando a desejar). Mas a forma como a sucessão municipal que está se descortinando em Vitória, sem contar o uso constante de sua imagem pelos principais candidatos à prefeitura da capital capixaba nas duas últimas eleições reacendeu a pergunta: seria o PH uma espécie de "coronel" na política do Espírito Santo?

Nesses últimos dez anos, aos moldes da "pax romana", o Espírito Santo viveu um período de aparente calmaria e prosperidade. A enorme dívida que o nosso estado tinha foi zerada em um tempo relativamente curto, passamos a crescer em ritmo chinês, enquanto o nosso querido ex-presidente Lula se orgulhava de ver um país crescer entre 3 e 4% ao ano e as greves de servidores estaduais, comuns na gestão José Ignacio, se tornaram praticamente uma triste lembrança do passado. Mas claro, essa "pax capixaba" ocultou algumas deficiências: a violência no Espírito Santo continua sendo um triste destaque, a educação, apesar de ter melhorado razoavelmente, inclusive com o programa Mais Tempo na Escola(afinal, chega a ser ridículo uma escola de ensino médio ter horário tão curto que hoje nem uma escola particular de ensino fundamental oferece), ainda está longe de ser um primor em relação aos estados do Sudeste e a questão de infraestrutura, apesar de ter melhorado bastante em relação aos governos anteriores, em certas situações se transformou numa "bomba-relógio" na qual o Big House precisa habilmente desarmar.

Outro ponto negativo que ficou evidenciado nos últimos dez anos foi uma relação de submissão da Assembleia Legislativa ao Poder Executivo (situação que permanece no atual governo, só que de forma menos escancarada). Tudo bem, dois poderes não se bicando direito tornaria impossível as mudanças que ocorreram em nosso estado, mas de um certo modo é ruim o Poder Legislativo dar apenas "amém" para tudo o que o Executivo faz.

Mas voltando às eleições municipais em Vitória, especialmente as duas últimas, os principais candidatos procuraram com todas as forças, ligar suas imagens com a imagem do então governador do estado. E que ninguém se iluda pelo fato do nosso querido PH ter desistido da Prefeitura de Vitória (talvez ele não queria queimar o filme como o José Serra queimou em 2004 em SP, quando assinou um compromisso de que cumpriria o mandato até o final mas acabou saindo da prefeitura pra assumir o governo paulista) ele esteja fora da função de "dar as cartas" no novo xadrez político na capital capixaba. Tanto para Luiz Paulo, que foi até agora o maior beneficiado com a desistência do Hartung como para o Luciano Rezende, bem como para a Iriny Lopes, ter um "joinha" da figura política mais proeminente do nosso estado nos últimos 20 anos pode ser decisivo para o resultado do certame político que vem por aí. E olha que no caso da Iriny uma vitória dela seria um grande alívio para a direção do PT no Espírito Santo, uma vez que seu companheiro de partido e atual prefeito de Vitória, João Coser, em seus oito anos de mandato, conseguiu fazer toda sorte de lambanças possíveis em termos de gestão: usou o metrô de superfície como plataforma de suas duas eleições(e nem cogitou começar, aliás, a chance de realmente ter isso na Capital é quase nula, uma vez que o governo estadual preferiu a implantação do BRT(Bus Rapid Transit, ou vulgarmente conhecido como corredor exclusivo para ônibus), conseguiu endividar uma prefeitura que em sua gestão bateu recordes após recordes de arrecadação de impostos, sem contar a "indecisão" quanto ao custo das obras do Tancredão, dos quiosques e ao valor das desapropriações. Enfim, não será surpreendente se ela for a candidata que mais vai usar e abusar da imagem do PH para mostrar que não será uma mera "cópia" do Coser.

Enfim, Hartung sabe muito bem o que está fazendo. E 2014 vem a galope...

E você, acha que o PH esteja se tornando um "coronel" na política capixaba, assim como o ACM foi na Bahia ou o clã Sarney foi no Maranhão? Sinta-se a vontade para comentar, tanto aqui como na página do grupo no Facebook.

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