Chefe de gabinete: o braço direito


Em seu livro O Choque do Futuro, Alvin Toffler fala sobre o estresse e a desorientação que aflige os indivíduos pelo excesso de mudanças em curto prazo. Quarenta anos depois, as transformações continuam e as exigências que pesam sobre um executivo sênior que trabalha num ambiente global afetam sua concentração, eficácia e até sua saúde. 
    
Os executivos não têm alternativa. Devem encontrar uma maneira de serem mais eficientes com seu tempo para responderem com eficácia às crescentes pressões internas e externas que enfrentam ao conduzir suas empresas. As estratégias básicas de administração do tempo são de grande ajuda. Nesse contexto, surge então, adequada ao mundo corporativo, uma função muito importante: a do chefe de gabinete (CG).[...]

Saiba o que considerar e quando contratar um chefe de gabinete

Com essa denominação, muitos pensam em uma posição semelhante no contexto de uma organização militar, governamental ou política. Contudo, um número cada vez maior de altos executivos entende a função de criar essa função, independentemente do nome que dão a ela.
 
Em 2008, Kevin Cox, vice-presidente de Recursos Humanos de American Express, contratou seu primeiro chefe de gabinete: David Clark, que havia ocupado posição similar em várias agências governamentais. Cox comenta que o fez movido pela urgência de adotar uma atitude urgente a respeito do uso de seu tempo. Seu objetivo era dispor de tempo e espaço suficientes para se concentrar nas exigências estrategicamente mais críticas de sua posição[...]. Segundo estima, a contratação de Clark lhe permitiu recuperar 30% de seu tempo e destiná-lo a esses propósitos. 

Antes de tudo, defina a função do CG

Segundo Liza, que foi diretora de Pessoas da Presidência dos Estados Unidos, durante a gestão de George W. Bush, é importante observar que, por natureza, o profissional que ocupar essa posição deve se adaptar às necessidades específicas do executivo e à estrutura organizacional existente.[...]Contudo, os casos de mais sucesso têm alguma coisa em comum. 

“Primeiro, um CG deve atuar como o braço direito de seu superior e como um assessor confiável, sendo, ele mesmo, um membro da equipe diretiva. O CG apoia a um executivo em todas as suas responsabilidades e garante que o resto da equipe de liderança atue coletivamente sob uma agenda de prioridades e foque em temas e oportunidades-chave”, explica Liza.

Quando Clark começou como assistente de Cox, muitos se mostraram céticos acerca de seu papel. “Minha primeira prioridade era entender como agregar valor para Kevin e seus subordinados diretos”, relata, comentando que dedicou grande parte dos primeiros dois meses a conhecer a cada um e analisar como poderia lhes tornar a vida mais fácil. Da experiência, aprendeu que um bom CG não deve ser um filtro que impeça que a informação chegue ao executivo, mas um amplificador e coreógrafo que contribua para que os membros da equipe diretiva mantenham relações produtivas e estejam mais bem preparados para as reuniões com o CEO.

Um bom chefe de gabinete deve ser um:

Conselheiro confiável: precisa ser confidente e atuar como uma caixa de ressonância objetiva das ideias do executivo e da equipe de liderança. Ele ocupa uma posição única. Deve conhecer o funcionamento da organização e antecipar suas reações antes de cada uma das decisões que o CEO se propõe a tomar. Além disso, tem que ganhar a confiança dos que o circundam.[...]

Pensador estratégico: uma de suas maiores responsabilidades é administrar estrategicamente o tempo do executivo em função das metas e prioridades, identificando uma maneira de criar espaço para que ele foque em temas cruciais. [...] Um bom CG proporciona esse tempo aos membros da equipe, uma vez que o tema esteja maduro e eles, devidamente preparados.

Implementador eficaz: o CG tem uma visão ampla da totalidade do negócio. Acompanha os processos da organização no cumprimento dos objetivos fixados e sabe quem trabalha em cada projeto e em que status ele está.

Claire Buchan, que foi chefe de gabinete de um ex-secretário de Comércio dos Estados Unidos, considera que quem desempenha a função de CG pode ser uma ponte entre os silos que muitas vezes há em grandes organizações e, ao mesmo tempo, um moderador das disputas internas. Segundo ela, um CG também garante que cada setor da empresa conheça as prioridades e projetos em curso e está ciente dos progressos realizados por outras divisões.

Esta função tática coloca à prova as capacidades organizacionais, habilidade para controlar a agenda e, potencialmente, as atitudes diplomáticas do CG. Geralmente, ele estabelece um sistema que assegura a não omissão de nada – se isto ocorrer, é ele o encarregado de formular as perguntas para averiguar porque um projeto está atrasado ou não foi concluído. 

Em seu papel de implementador, esse profissional deve assumir a responsabilidade dos projetos especiais que não cabem em uma área em particular. Kevin Cox descreve a função de seu CG como a de um “vice-presidente de espaços em branco” e observa que o panorama atual de constantes transformações dos negócios está criando muitas destas lacunas.


NOTA: Tudo bem, não é pra qualquer um a função de ser um braço direito de um diretor executivo de uma empresa. Mas isso dá a noção do peso da responsabilidade que é estar ao lado que quem dita as decisões a longo prazo de uma organização. E confesso que preciso de um "braço direito" no meu blog também...rssss

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