O ervoafetivismo levando a uma lógica bizarra. Ou: combater a dengue seria algo racista?

Bom dia pessoal. Conforme já postei na página oficial do blog no Facebook o Minuto Produtivo completa hoje cinco meses de vida, rumando a passos largos para as 5000 visualizações e com leitores não só no Brasil como em outros países do mundo. Por sinal vocês devem estar estranhando (e muito) uma parte do título do primeiro post de hoje. Pois bem, explico o motivo logo logo...

Ontem o jornal A Gazeta veiculou uma matéria sobre uma pesquisa feita pelo Instituto Futura com 399 entrevistados e a questão era se a droga deveria ser descriminalizada. Pois bem, 75% dos entrevistados foram contra a liberação da erva. Quanto aos entrevistados de 16 a 19 anos, pouco menos de 33% são a favor e em relação dos que tem mais de 60 anos o percentual é inferior a 10%.

O jornal resolveu publicar as opiniões de quem é contra e a favor da descriminalização da maconha. A contrária não tem nada que me chamou a atenção (na verdade, apenas falou o que todo mundo está careca de saber em relação aos riscos que a droga apresenta). Já a favorável pela liberação do "tóchico", dada pelo advogado André Barros, que organiza a Marcha da Maconha no Rio de Janeiro já começa de uma forma, digamos, bizarra. Aproveito para transcrevê-la:

"É racista a criminalização da maconha no Brasil, pois o hábito de fumar a erva foi trazido pelos negros degredados da África. Com a legalização, teríamos um grande avanço no aspecto medicinal. Nos Estados Unidos, 16 Estados e a capital já descriminalizaram a posse, o cultivo e o consumo de maconha para uso medicinal. A polícia poderia se concentrar em elucidar crimes de maior gravidade, como os homicídios. A liberação da maconha também poderia inibir o consumo de drogas mais pesadas como o crack. Pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que 68% dos usuários de crack trocaram a droga pela maconha. E após um ano, quem fez a substituição deixou também a maconha. O mesmo ocorreu com dependentes de heroína em Amsterdam e Lisboa."

Os outros argumentos, apesar de serem até certo ponto questionáveis me dão o benefício da dúvida. Mas esse primeiro chega a doer nos olhos tamanha a bizarrice existente no mesmo. Perto disso a questão das cotas raciais e do celeuma criado pelo clipe feito pelo Alexandre Pires em conjunto com o Neymar vira fichinha. Se seguirmos a lógica brilhante do advogado ervoafetivo, podemos afirmar que o combate à dengue é um ato...Racista! Tudo isso porque assim como o hábito de fumar a erva, a doença que hoje é motivo de preocupação a cada verão no Brasil também foi trazida num navio negreiro. Enfim, como já disse, é bizarro.

Resumindo: o fato da maconha ter sido trazida por um "loiro de olhos azuis" ou por um "asiático de olhos puxados" não muda o fato de que existem riscos inerentes ao consumo da mesma. Pra se ter uma ideia de que o fato de um costume ter sido trazido por um povo ou outro é pouco relevante, as "touradas" trazidas pelos europeus e comuns em alguns países da América Latina já não são vistas com bons olhos. A "capoeira", esporte trazido pelos negros para o Brasil hoje não é só melhor recebida como é parte de treinamento de alguns atletas que hoje praticam MMA (artes marciais mistas). Enfim, querer associar contrariedade de opinião a racismo me parece algo de má fe, no mínimo.

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