Prejuízo bilionário das empresas aéreas preocupa governo


Os prejuízos registrados por companhias aéreas neste ano fizeram acender a "luz amarela" para o governo federal. O receio refere-se aos impactos que os resultados negativos possam ter sobre os preços de passagens e a saúde financeira das empresas.

A preocupação foi externada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a representantes do setor de turismo durante reunião fechada no Palácio do Planalto anteontem.[...]

A ministra, na reunião, afirmou: "A questão da aviação comercial também é algo que nos preocupa, acendeu a luz amarela. Nós temos que conversar muito com aqueles moços ali, para ver o que está acontecendo, porque é uma concessão, um serviço público concedido. É o direito de ir e vir das pessoas".

"Eu nunca vi o governo manifestar preocupação antes. Espero que não seja só discurso, senão poderá ser tarde demais", diz a diretora do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio.

Entre os presentes na reunião, estava o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz. À Folha ele admitiu que as "perspectivas são negativas" para os números dos próximos trimestres.

Contudo, afirmou que as companhias "não pretendem" aumentar os preços das passagens aéreas. No lançamento da Abear, em agosto, os presidentes da TAM e da Gol disseram que a tendência era de aumento nos preços.

A Casa Civil, em nota, disse que a preocupação mencionada na reunião "diz respeito à garantia e qualidade da prestação de serviços por parte das empresas aéreas à população". O órgão afirma que "cobrará medidas que devem ser tomadas pelas companhias para eficiência de sua gestão".

A pasta não menciona no documento ações do governo para reduzir o custo dos combustíveis e o das tarifas de aeronavegação - mencionados pelas aéreas como responsáveis por parte do prejuízo.

A Casa Civil citou a recente desoneração da folha de pagamento das empresas como uma medida para conter a sangria das aéreas, mas a Abear diz que a medida não é suficiente. Do prejuízo de R$ 1,6 bilhão, o alívio sobre a folha cobre apenas R$ 300 milhões, segundo Sanovicz.


NOTA: A Exame abriu a matéria sobre o mesmo assunto com uma pergunta que apesar de ser uma possibilidade remota (segundo a mesma) existe: o que aconteceria se a GOL ou a TAM entrasse em falência próximo à Copa de 2014? Vale lembrar que na situação atual de duopólio, com uma terceira empresa (Azul, que se fundiu com a Trip) em ascensão, porém não chegando ao ponto de ser grande o suficiente para preencher o espaço da falida e numa infraestrutura aeroportuária deficiente como a nossa poderíamos estar à beira de um caos aéreo perfeito (pior, inclusive, que o de 2006/07). Alguns comentários na matéria da Folha me chamaram a atenção para possíveis circunstâncias que estão pode trás de uma provável ou futura crise no mercado brasileiro de companhias aéreas:


Pois bem, algo a se pensar. Salvo quando ocorre promoções, nossas passagens aéreas são mais caras em relação a outros países do mundo (na verdade nossas passagens são as mais caras do planeta). Claro que as tarifas aeroportuárias (segundo as aéreas) não ajudam, mas a impressão que tenho é a mesma que tenho com relação ao preço dos carros e dos CD's de música e DVD's de filmes: a margem de lucro das empresas é extremamente alta. A questão, como no último comentário que resolvi printar é descobrir o porquê de mesmo nesta situação, as empresas do setor estarem no vermelho. A meu ver, duas hipóteses: ou tem cabeça de burro na gestão dessas empresas, ou na verdade as companhias aéreas não passam de "fachada" para outros negócios. Enfim, será que a Brahma acha isso "pessimista" também? Rsssss

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