Cariacica e o possível massacre nas urnas


Boa noite pessoal. Quinta-feira a Carol Comper postou um artigo comentando sobre o segundo turno das eleições em Vitória, com destaque para a troca de ataques entre Luiz Paulo (PSDB) e Luciano Rezende (PPS). Hoje de manhã, um blog parceiro nosso, o Investigação Informal, também postou um comentário sobre o mesmo assunto, por sinal também muito bom e que por sinal complementa as observações feitas pela Sra. Comper. Nesta noite irei comentar sobre o segundo turno das eleições em Cariacica, por sinal muito diferente do clima de "octógono" presente na capital capixaba e em Veneza Vila Velha.

Para começar, voltemos à terça-feira, 09 de outubro de 2012, dia em que eu fiz a primeira parte dos comentários sobre o resultado do primeiro turno das eleições: durante o primeiro turno, Marcelo Santos (PMDB) liderava as pesquisas de forma soberana, sendo que na primeira quinzena de setembro tudo indicava uma vitória dele ainda na primeira etapa, com Juninho (PPS) muito atrás (e Lúcia Dornellas (PT) amargando um terceiro lugar). Porém a partir deste ponto o peemedebista começou a perder fôlego e a petista esboçou uma reação, chegando em algumas pesquisas a empatar tecnicamente tanto com o Marcelo e o Juninho. Por fim outra reviravolta aconteceu, desta vez apontando um segundo turno entre Juninho e Marcelo. Enfim, esperando o resultado das urnas, de fato o vice-prefeito (que ficou brigado) de Helder Salomão liderou a primeira etapa (sendo que faltou relativamente pouco para conseguir ser eleito logo nela), com o Marcelo em segundo e a candidata apoiada pela atual gestão amargando um terceiro lugar, bem atrás de ambos.

Como disse naquele dia, o favorito para o segundo turno era, de fato, o candidato do PPS, uma vez que em tese, quem votou em Lúcia Dornellas jamais votaria no Marcelo Santos, que é um "herdeiro" político do ex-prefeito Aloízio Santos (cuja última gestão, entre 2001 e 2004, revelou-se desastrosa para Cariacica). Por outro lado, o fato de Juninho ser vice-prefeito na gestão de Helder Salomão (apesar de estarem brigados) poderia ajudar o peemedebista nesta segunda etapa. Esperando para ver, ganhou a primeira parte de minhas colocações.

Também imaginava que graças a isso somada à vantagem razoável que ele abriu no primeiro turno isso levaria a uma vitória folgada sobre o "herdeiro" de Aloízio, mas não imaginava (e creio que alguns também não) que Juninho caminha para uma vitória praticamente "com o pé nas costas". Em todas as pesquisas de intenção de voto neste segundo turno o candidato do PPS já aparecia com mais de 65% dos votos, sendo que na última beirou os 75%, enquanto o candidato do PMDB não conseguia sequer 20% da preferência dos eleitores. Considerando apenas os últimos números no último link e apenas votos válidos, se a eleição fosse ontem (dia da última pesquisa), Juninho venceria a eleição com 83% contra apenas 17% de Marcelo Santos. O que daria praticamente 5 votos para o vice-prefeito de Helder contra apenas 1 do "herdeiro" político de Aloízio Santos.

A questão é saber as razões que levaram o Juninho a uma iminência de vitória fácil sobre Marcelo Santos, um candidato em tese mais gabaritado (terceiro mandato de deputado estadual e que ajudou a trazer, segundo ele, mais de R$ 1 bi em investimentos do Governo do Estado para a cidade). A primeira é que conforme dito tanto no post de 09/10, boa parte dos eleitores de Lúcia Dornellas dificilmente votariam em Marcelo, uma vez que este sendo "herdeiro" político do ex-prefeito Aloízio Santos, poderia indicar um "retrocesso" para Cariacica. A segunda é que sendo vice-prefeito de Helder Salomão (apesar de estarem brigados) e ex-secretário de Cultura, Esporte e Lazer, o contato com a população local tende a ser maior, o que é bem diferente de trabalhar como deputado estadual, sem contar que segundo um amigo meu, que é dono do blog parceiro do segundo link deste post, ele teve papel fundamental no Orçamento Participativo da Prefeitura de Cariacica. Por fim, a hospitalização de Marcelo Santos por conta de um crise de hipertensão sepultou de vez as chances de uma possível virada do peemedebista, tornando sem sentido fazer uma campanha eleitoral nas ruas tão ostensiva como no primeiro turno (tanto que o máximo que Juninho fez foi botar alguns carros de som com uma vozinha ridícula pedindo para votar nele) e restringindo a discussão de propostas aos debates, o que não deixa de ser ruim para a população.

Amanhã será o dia de escolher quem terá a oportunidade de colocar Cariacica no caminho certo para os próximos quatro anos. Só espero que seja Juninho, seja Marcelo, o novo chefe do Executivo municipal cumpra com esse objetivo.

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