Eleições 2012 - Parte I: E agora, José?


Bom dia pessoal. Depois de ontem ter participado de mais uma "festa da democracia" (tudo bem, você não é convidado e sim convocado a festejar, mas em outra oportunidade comentarei sobre isso) e de ter dado um tempo neste blog (tanto que só hoje postei os links dos posts entre a última quinta-feira e o último sábado), resolvi iniciar a série de posts sobre os resultados de ontem de uma forma diferente do que seria usual. Começo comentando sobre o resultado mais comentado: o segundo turno da tragicomédia eleição paulistana, que terminou com a vitória de Fernando Haddad (PT) sobre José Serra (PSDB), por 55,6% a 44,4%.

Os motivos que explicam a derrota do tucano, que possui larga experiência política (deputado federal, Ministro do Planejamento, senador, Ministro da Saúde, prefeito e governador da maior cidade e maior estado do país) para alguém cuja única experiência foi a de Ministro da Educação nos governos Lula e Dilma e cuja atuação foi minimamente discutível (mais tarde, porém ainda neste post comento com mais calma essa afirmação minha) são vários, mas colocarei aqui apenas dois deles, que a meu ver são os mais elementares. O primeiro deles (não necessariamente em ordem de importância) se deve a atuação de Gilberto Kassab (atual prefeito de São Paulo) em seu segundo mandato. Especialmente nos últimos dois anos, Kassab preferiu preocupar-se mais em sua nova empreitada política (com a criação do PSD) do que em administrar a maior cidade do país, o que levou a sucessivas quedas na avaliação de seu mandato como "ótimo" ou "bom". Para se ter uma ideia, antes mesmo disso a aprovação da gestão Kassab já estava em franca queda.

Já o segundo motivo tem a ver com o próprio Serra e com o PSDB, que praticamente impôs a escolha desse como candidato à prefeitura de São Paulo (tudo bem, o PT por meio de Lula também impôs Haddad em detrimento de Marta Suplicy, mas como forma de abafar possíveis mágoas e tensões resolveram dar o Ministério da Cultura para ela relaxar e gozar). Ninguém pode negar que o vampirão "ministro dos genéricos" é (ou melhor, era) um nome forte entre os tucanos, mas também vale lembrar que desde quando deixou a prefeitura de São Paulo em 2006 para disputar a eleição para governador, mesmo assumindo um compromisso de levar seu mandato até o final na maior cidade do país e ainda mais com a derrota nas eleições presidenciais para a Dilma Rousseff em 2010, a imagem de Serra se desgastou de forma rápida e a rejeição a ele cresceu, ajudada pela atuação medíocre de Kassab na capital paulista. Mesmo dentro do próprio PSDB, a escolha de Serra se deveu mais a uma imposição da própria cúpula do partido do que de fato uma decisão pensada no melhor "custo-benefício" (entenda-se por menor rejeição e desgaste e maior possibilidade de projeção). Sobre o ocorrido em 2006, só agora o tucano deu uma explicação razoável do porquê ele ter tomado aquela decisão. Como diz a música do One Republic com participação do Timbaland: "It's too late to apologize, it's too late...". Enfim, graças a essas circunstâncias Serra foi, mais uma vez, derrotado. E pela segunda vez, derrotado por alguém com pouca experiência política.

Sobre Haddad, bem...Como eu disse no meu perfil pessoal do Facebook, ele terá de fazer para os paulistanos nos próximos quatro anos o que não fez (ou fez mal e porcamente) em quase sete anos como Ministro da Educação. Tudo bem, algum militante ou simpatizante dele vai dizer: "Ah, mas ele ajudou a expandir as universidades e institutos federais, mais pessoas tiveram acesso ao ensino superior, blá, blá...". Bem, não vejo como algo de se orgulhar construir puxadinhos com estrutura insuficiente para dar suporte a cursos técnicos e superiores, apenas para dizer que 80 mil novas vagas foram criadas (no caso das UF's). O próprio caso do IFES Campus Cariacica, onde estudo, é um exemplo desse grande modelo de expansão adotado por Haddad: entrou em funcionamento em 2006 num prédio provisório em São Francisco com previsão de que em pouco tempo tudo fosse transferido para o prédio definitivo em Itacibá...Pois bem, somente no segundo semestre de 2009 os cursos superiores foram transferidos para um prédio pequeno localizado ao lado do que seria a nova sede (sendo que por não ter laboratório de química, foi necessário um acordo com o Campus Vitória para que as aulas práticas dessa disciplina ocorressem lá. Pior, para a turma que entrou no primeiro semestre deste ano nem isso teve) enquanto os técnicos integrados, concomitantes e subsequentes ficaram por lá apenas com a esperança de que, ao menos por um semestre, pudessem desfrutar de sua nova estrutura. Turmas, inclusive dos integrados, se formaram sem utilizarem a estrutura definitiva e numa estrutura de qualidade sofrível (confira o item 1 deste post para uma breve descrição). Para minha (e principalmente deles) alegria, dia 05/11 a nova sede funcionará. Mas como eu disse, é só um de vários casos da "revolução" que Haddad fez na educação...E nem precisa falar do novo ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), né galerinha? Três edições e todas com problemas elementares, seja na segurança (quando ocorreu o roubo das provas em 2009 ou no vazamento de questões para um cursinho em 2011) ou na própria elaboração (quando em 2010 ocorreu erros de impressão em vários cadernos de prova). Enfim, se ele não conseguiu organizar de forma minimamente decente algo com duração de dois dias, acreditar que ele fará algo ainda melhor pela cidade durante quatro anos é um exercício de fé.

Voltando ao Serra, vejo essa derrota nas eleições municipais para Haddad como um sinal de que as luzes do palco da política vão se apagando para o tucano. Pensar numa candidatura para as eleições presidenciais de 2014 é um suicídio, tanto para ele como para o seu partido, sendo que eles tem Aécio Neves, uma figura que apesar de ainda não ter a mesma projeção, destaque e experiência política de Serra ao menos tem uma boa imagem, principalmente por conta de seus dois mandatos como governador de Minas Gerais. Candidatar-se a senador, deputado federal ou até mesmo deputado estadual? Talvez. Mas o fato que o tempo de vida pública do Serra está se esgotando, e se ele não quer se retirar, está mais que na hora do PSDB tirá-lo de cena. Aliás, os tucanos precisam de parar com essa tática mesquinha (e burra, desculpem o termo, mas é isso mesmo) de centralizar todas as decisões políticas em São Paulo (principal reduto político, onde comandam o Governo do Estado há 18 anos), do contrário estarão sujeitos a uma morte lenta e agonizante na oposicinha oposição, como aconteceu com o DEM recentemente.

Termino este texto como o título: e agora, José?

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