Eleições 2012: Parte I - Resultados e suas (primeiras) impressões nos principais municípios da Grande Vitória


Boa noite pessoal. Conforme prometido hoje resolverei comentar sobre a "festa da democracia" (tudo bem, você é obrigado a participar dela, mas fazer o que, né?) ocorrida ontem em todo o Brasil. Hoje falarei sobre algumas impressões minhas sobre os resultados das votações ocorridas nos principais municípios da Grande Vitória. Vamos lá? Vamos:

1 - Cariacica: A virada espetacular (e quase vitória no primeiro turno) de Juninho

Para um morador desta cidade como eu, foi um dos resultados mais surpreendentes. Considerando que as pesquisas eleitorais apontavam para uma liderança (apesar de cada vez menos folgada) de Marcelo Santos (PMDB) e só a última delas apontava para uma virada do candidato do PPS, o resultado final da apuração dos votos foi algo inimaginável, principalmente pelo fato de que o Juninho não fez nada de tão extraordinário que levasse a uma ascensão tão grande. Quando quase metade das urnas estavam apuradas e vi o Juninho com 49% dos votos válidos, cheguei a imaginar que ele fosse ganhar a disputa logo ontem. Foi quase...Ao contrário do que eu esperava, a candidata de situação, Lúcia Dornellas (PT), passou longe de ameaçar o posto de Marcelo Santos...Enfim, é o resultado da gestão "morna" de Helder Salomão nos últimos oito anos (tudo bem, não teve as cagadas como as feitas por João Coser em Vitória, mas nada que fosse convincente ao ponto de justificar a continuidade petista no Executivo municipal). Para o segundo turno, tudo aponta para o favoritismo de Juninho (PPS), uma vez que quem votou na Lúcia Dornellas em tese não votaria no "herdeiro" do falecido ex-prefeito Aloízio Santos temendo o "retorno do passado" (na verdade penso que o passado nunca acabou por aqui). Mas o fato do candidato ser vice do atual prefeito (apesar de estarem brigados) pode ajudar Marcelo. É esperar para ver.

2 - Serra: na briga entre Audifax e Vidigal, deu Audifax

O "match race" ocorrido na cidade que mais cresce na Grande Vitória entre dois ex-amigos, agora ferrenhos adversários políticos deu como vencedor o ex-prefeito (de volta a partir de 2013) Audifax Barcelos (PSB). Esperava que ele ganhasse, mas não logo no primeiro turno e com essa folga toda. Não só essa "guerrinha" como o desgaste associado a situações no qual a esposa do atual prefeito se envolveu acabou custando caro.

3 - Vila Velha: Magno Malta vs. Paulo Hartung Neucimar Fraga vs. Rodney Miranda

A tragicomédia disputa eleitoral na Veneza capixaba foi bem emocionante, por sinal. No início parecia que Max Filho (PSDB) não só chegaria na frente como teria a mesma sorte do socialista serrano...Mas depois foi a vez de Neucimar Fraga (PR) parecer que era o favorito a reeleição. Nas urnas, porém, quem largou na frente foi o ex-secretário de segurança Rodney Miranda, que disputará a eleição com o atual gestor da cidade. Se a população vai ganhar algo com esse novo confronto eu não sei (e temo saber), mas ainda existe esperança.

4 - Vitória: a prepotência de Luiz Paulo custou sua vitória no primeiro turno. E pode custar no segundo turno também

Dez dias antes da votação de ontem, Luiz Paulo (PSDB) contava vantagem dizendo que venceria a eleição no primeiro turno, e com o apoio do ex-governador Paulo Hartung, tudo parecia mais fácil...Parecia. A eleição na capital capixaba não só foi para o segundo turno como acabou colocando o Luciano Rezende (PPS) na frente. E como adiantei no título do tópico, esse salto alto do ex-prefeito tucano custou caro. E pode finalmente levá-lo a uma derrota para seu ex-secretário. Mas independente de quem vencer no segundo turno creio que a cidade ficará em melhores mãos que sob o comando de João Coser (PT) que viu a "cumpanhêra" Iriny Lopes ter uma performance apática nas urnas. Os oito anos da gestão petista em Vitória não foram suficientes para garantir ao menos um segundo turno para ela. E ela não conseguiu convencer a população de que o fato dela ter sido ministra de Dilma a credenciaria como a primeira mulher prefeita da capital (aliás, grande passagem ministerial a de Iriny hein, suas grandes atuações foi criar celeumas em relação a um capítulo de uma novela da Globo e em relação a uma campanha de lingerie). Outros argumentos que não colaram foi os tais "apoios" dos governos estadual e federal (deve ser por isso que as obras do puxadinho aéreo aeroporto de Vitória estão "adiantadas" há quase dez anos e que o mirabolante projeto do metrô de superfície foi jogado para escanteio pelo atual secretário estadual de transportes, Fábio Damasceno, para dar lugar ao BRT). Enfim, João Coser não conseguiu ajudar nem Iriny conseguiu se ajudar para ao menos ir para o segundo turno.

Como menção honrosa, incluo o quarto lugar nas urnas, o candidato Gustavo de Biase (PSOL), que com pouco tempo de campanha, mais de três quartos disso ocupados para que as principais lideranças do partido falassem que ele tem "coragem para mudar" e os segundos restantes reservados para que ele falasse algumas de suas propostas, algumas boas, outras até que boas, porém vagas. Ainda assim conseguiu 4% dos votos válidos. Em tempo: De Biase diz que tem "coragem para mudar", só não provou isso mudando a estratégia dos protestos contra o aumento da passagem no qual ele é um dos líderes. Diga-se de passagem, manifestações que quase terminaram em alguns passageiros feitos de "churrasco". Tudo em nome da "consciência social".

Por hoje é só "tchurminha". Amanhã farei um comentário mais "geral" em relação a nova divisão de forças políticas após a votação de ontem, com destaque para as capitais. Aguardem!

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