Viracopos: a prova de que o "caos aéreo perfeito" é apenas questão de tempo. Ou: será que o nosso "pessimismo" é mais que real?


Bom dia pessoal. Depois de ontem ter aproveitado o dia para homenagear os professores com um post especial e a noite para assistir à formatura da primeira turma de Técnico Integrado em Portos do IFES Campus Cariacica (e aproveitei para conhecer pessoalmente a última contratação mais nova integrante da equipe, Carol Comper), o que em alguns momentos me fez relembrar os tempos de minha formatura do Técnico Integrado em Estradas, o que por coincidência (ou não) também foi a primeira turma. Pois bem, nostalgias e encontros à parte, o (primeiro, espero eu) post de hoje vai ser para comentar sobre o incidente ocorrido no aeroporto de Viracopos, localizado em Campinas, no interior de São Paulo. Pois bem, um breve (ou nem tanto) resumo do ocorrido:

No sábado (13/10), às 19h55, um avião cargueiro vindo de Miami (EUA) teve problemas no trem de pouso e ficou parado na pista, levando o aeroporto a ser fechado. Por dois dias. 260 pousos e 235 decolagens foram canceladas. A Azul, companhia mais operante em Campinas, foi a mais prejudicada com o incidente. Às 17h35 de ontem (15/10) o aeroporto foi reaberto.

Bem, um incidente desse tipo num puxadinho aeroporto como o de Vitória (ES), apesar de seria bem vergonhoso, nem surpreenderia tanto, visto que nosso ponto de ônibus voador é considerado "o pior do país". Mas tal incidente ganha um grau de vergonha ainda maior em se tratar de um aeroporto internacional que hoje serve para desafogar os saturados aeroportos de Congonhas e Guarulhos, e pior ainda: se trata de um dos aeroportos que receberão boa parte dos voos que ocorrerão na Copa de 2014. E o mico é ainda maior porque todo esse transtorno criado não foi provocado por um acidente ou um incidente grave como o Voo Gol 1907 ou o Voo TAM 3054 (o segundo maior desastre aéreo da história da aviação na América Latina). Foi provocado por um defeito comum de ocorrer em aviões e sabe-se lá o motivo demoraram dois dias para retirarem o trambolho de lá.

Já faz dez anos que se anunciava a necessidade de uma ampla reforma na infraestrutura aeroportuária, ainda mais com a grande possibilidade (já discutida na época) de que o Brasil seria sede da Copa do Mundo em 2014 (diga-se de passagem, único candidato escolhido pela COMMEBOL). Em 2006 e 2007, justo por causa dos dois acidentes aéreos citados no parágrafo anterior e as operações-padrão desencadeadas pelos controladores de voo, o caos nos aeroportos veio à tona. Após isso, por conta de intervenções emergenciais (bondade minha), situações semelhantes não ocorreram, mas especialmente em períodos de feriados/férias prolongados (as), como o Natal/Reveillon e o Carnaval o temor de que tal situação se repetisse se tornou uma constante.

A questão é que as perspectivas para o modal aeroviário, especialmente no que se refere ao transporte de passageiros e cujo deadline se encontra na Copa do Mundo de 2014 não são as mais animadoras. Dos R$1,2 bi previstos pela Infraero em investimentos nos aeroportos localizados nas doze cidades-sede da Copa, apenas algo em torno de um terço foi de fato investido, e que mesmo que as obras acelerem, já estaríamos perdendo a chance de recebermos melhor os turistas para o evento-teste, que é a Copa das Confederações do ano que vem (faltam oito meses e meio praticamente). E a IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo) já alertou que diante dos atrasos as obras em tais aeroportos ficariam "horrivelmente caras". E sobre o aeroporto de Viracopos? Bem, a promessa é que até o início do Mundial as obras de ampliação e adequação sejam concluídas...A primeira etapa, claro.

Mas creio que alguém que tenha lido o título e perguntado: por que "caos aéreo perfeito"? Podemos ter algo ainda pior em relação ao período de 2006/07? Diria, sem medo de errar, que sim, poderemos nos próximos anos enfrentar um transtorno no setor aéreo brasileiro de proporções ainda mais dramáticas. Primeiro que ninguém garante que mesmo que se gaste rios de dinheiro para acelerar as obras em tais aeroportos (e só estou falando das cidades-sedes...Os aeroportos localizados próximos a centros de treinamentos ficariam em segundo plano, na melhor das hipóteses) tais empreendimentos sejam concluídos a tempo. Segundo, que segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mesmo que tais obras fossem levadas a cabo, não comportarão o evento. Terceiro, que levando em conta o prazo curto e o andamento célere das obras, nada garante que serão executados os testes que garantam plenas condições de operação das novas estruturas (o caso da construção do Aeroporto Internacional de Hong Kong, conforme documentário exibido na Discovery Channel, é prova cabal disso). Por último, e nem tanto a ver com os empreendimentos, é que as duas grandes companhias aéreas que dominam o mercado hoje (TAM e Gol) estão com prejuízos bilionários, e a saúde financeira das mesmas já preocupa o governo. O que seria de nosso modal aeroviário se alem das situações já descritas neste parágrafo uma dessas duas empresas quebrasse às vésperas da Copa? Enfim, diferente do imaginário presente no comercial da Brahma, temos todos os ingredientes para termos um apagão aéreo de proporções inéditas até 2014. Ah, e sobre a ofensa da cerveja oficial do Mundial à inteligência alheia, já comentei sobre isso mês passado.

Cada vez mais acredito que mesmo gastando mais que nas três últimas Copas somadas, caminhamos a passos largos para o maior vexame da história do evento promovido pela FIFA. E mesmo que isso pareça pessimismo, está perfeitamente ancorado nos FATOS.

UPDATE: no pacote de concessão previsto para Viracopos, a segunda pista não foi prevista.

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