Vitória e o "UFC Eleitoral"




E eis que no dia 7 de outubro de 2012 e para a surpresa de muita gente, Vitória chegou ao segundo turno e contrariando as “pesquisas eleitorais”, com o candidato Luciano Rezende (muuuuuuuda vitóóóóriaaa) em primeiro lugar. Não entrarei no mérito das pesquisas eleitorais, no mínimo contestáveis que existem no país inteiro, e muito menos falarei das propostas dos candidatos em questão, afinal de contas, não quero parecer de nenhuma forma tendenciosa, ou me expor para defender alguém que provavelmente votarei domingo. Hoje falarei, ou tentarei falar sobre o rumo que tomou a eleição para prefeito da capital do Espírito Santo.

Foi engraçado, para os eleitores mais atentos, ver como se desenrolou esta história, que começou com um primeiro turno tímido e “vaselina” (exceto por um candidato extremamente exaltado atacando diretamente outro, e isso se tornou esquisito, levando até a uma suspeita de acordo entre candidatos para “denegrir” a imagem de outro, veja bem, não citei nome de ninguém hein?), e avançou para o segundo turno - que é aonde mais desejo chegar-. E alguém pode perguntar: “O que é segundo turno?”, depois desta eleição eu direi: “Segundo turno é um lugar mágico, onde os políticos realmente se revelam e o povo fica sabendo verdades que antes não tinham, ainda, vindo a tona”.

A começar pela personalidade do candidato Luiz Paulo, esta, de fato sofreu uma real transformação, o que antes era um homem forte e confiante, em sua capacidade como gestor e popularidade com os cidadãos capixabas, hoje, se mostra uma pessoa completamente abalada, uma figura que demonstra cansaço nos debates e estresse, muito estresse. Seu programa eleitoral também mudou, o que antes era alegre, com propostas (muito boas, por sinal) e relatos de realizações do seu mandato anterior; transformou-se em um programa que passa metade do tempo com jingles de funk (triste, muito triste) e algumas propostas e outra parte com uma argumentação que beira o desespero, do candidato em mostrar-se mais preparado que o concorrente e, é claro, acusações ao Luciano Rezende (não que eu não ache isso, de certa forma, bom para mostrar ao eleitor a face escura de Luciano, mas a forma apelativa como é tratado, realmente, acho que ninguém, nem mesmo os “PSDBistas” concordam).

Por outro lado, Luciano Rezende vem se mostrando bem linear em sua campanha. E isso também é de se estranhar, sua figura plastificada em frente às câmeras, tudo bem treinado, ensaiado, as frases feitas e o sorriso no momento certo, me fizeram parar para prestar atenção a fundo no que estava sendo dito. Encontrei além de algumas boas propostas e outras completamente fantasiosas, muitas, diversas, inúmeras indiretas à Luiz Paulo. Sim, “o da mudança” também atacou e muito o oponente nesta campanha. Não só no seu programa eleitoral, (que também conta com um jingle extremamente irritante, que se tornou até piada na web) dizendo que Vitória precisa de um prefeito “emocionalmente equilibrado” etc e tal; como também nos debates, onde Luciano veste uma máscara de serenidade (e eu admiro muito isso, como alguém consegue ser tão equilibrado e sereno? O debate pegando fogo e Luciano apenas na defesa e indiretas, inúmeras, a Luiz Paulo). Bem que o primeiro disse que Luciano estava bem “adestrado”, o que foi uma colocação mal educada, admito, mas quem sabe...correta?

O fato é que ninguém poderá ficar imparcial domingo. Votar nulo seria apoiar quem está à frente, tanto quanto votar em branco, isso porque, como só há dois candidatos e mesmo anulando seu voto, poderá estar apoiando quem possivelmente estiver à frente na contagem de votos. Então, tente escolher da melhor forma possível, temos duas opções: Aquele que tem, de fato experiência, foi prefeito e se mostrou ser, DENTRO DOS PADRÕES BRASILEIROS um bom gestor, com projetos bons e uma equipe altamente preparada, entretanto, com posturas contestáveis e um possível mal uso de verbas públicas (em um momento que a cidade passará por uma certa crise financeira). Ou aquele que, como ele mesmo diz em sua campanha, tem ficha limpa, é um “pai de família e gosta de acordar cedo”, demonstrou equilíbrio emocional e uma boa dose de autocontrole, entretanto, nunca mostrou de fato a que veio sem experiências políticas expressivas e um vice-candidato NO MÍNIMO contestável. Então, o que nos resta? Deixar essa preguiça brasileira de lado, e pesquisar, MUITO, sobre cada um deles, ver quem é de fato melhor, mais preparado e com a melhor conduta para comandar a capital. Bom, pode ser que não encontremos isso tudo em um só candidato, mas podemos tentar né? Outra oportunidade, será só daqui a quatro anos, não adiantará reclamar no facebook depois.
Abraços, Carol Comper 

Comentários

  1. Parabéns pela postagem Comper, muito boa. Concordo que a campanha em Vitória baixou à putaria, com os candidatos fazendo cada vez mais feio. Luiz Paulo até a data da primeira eleição, onde as pesquisas o mostravam na frente, manteve uma atitude de confiança, mas ao ficar em segundo lugar no primeiro turno e nas primeiras pesquisas eleitorais ele assumiu uma postura totalmente diferente. O Luciano sempre pareceu muito sóbrio em sua campanha, mesmo quando aparecia depois do LP nas primeiras pesquisas, mas o que vale ressaltar deste candidato é que ele parece vestir uma mascara de sorriso que me faz duvidar da veracidade da postura dele. Além de ser extremamente "vaselina"(algo que me faz lembrar, em menos escala é claro, o-ex presidente Lula).
    Emfim, só discordo em um ponto: Apesar de na prática o voto nulo provavelmente favorecer o candidato que está na frente, o mesmo pode ser visto por outro angulo como uma forma de protesto, de não aceitação do "menos pior", pois se os votos nulos corresponderem a mais da metade do eleitorado novas eleições terão de ser marcadas.

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  2. Concordo com o nobre Pardal ao falar sobre o voto nulo. O voto nulo é nada mais nada menos do que um modo de mostrar aos nossos políticos que não estamos satisfeitos com suas propostas, ou no caso do Luiz Paulo sua gestão anterior. No caso da eleição de domingo, votar nulo pode sim favorecer aquele que está na frente das pesquisas, porém, não devemos esmorecer. Votar no "menos pior" não é a solução. Sobre o texto em si, ficou muito bom, mesmo não concordando com o final onde mostra uma certa parcialidade para com o candidato Luiz Paulo, mas como disse o nosso ex-colega Bernat, "Como tudo no Brasil, NADA é imparcial".

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  3. hehehehe, obrigada pela colocação de vocês! Não sou a favor do voto nulo como forma de protesto, a menos que seja feita uma mobilização grandiosa e organizada da população, apesar de não ser muito por dentro da legislação eleitoral Pardal, eu li um artigo dizendo que isso de anulação não procede, de qualquer forma se fosse algo organizado o protesto seria legal, mas a partir do momento que uma minoria inexpressiva anula o voto, parece mesmo que se tratam de pessoas que não querem pesquisar e nem se comprometer politicamente. Um bj ;*

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  4. Lei nº 4.737/art. 224 do Codigo Eleitoral Brasileiro:
    Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do estado nas eleições federais e estaduais, ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.

    O voto nulo não faz com que os candidatos sejam trocados, mas com que outra eleição, mesmo com os mesmos candidatos, sejam feitas.
    Só pra contribuir um pouco mais com o tema ;D

    E sim, concordo que somente o voto nulo não resolve. Tem de haver manifestações e mobilização de descontentamento.

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