Ah se tivéssemos mais "Diários de Classe"...


Bom dia pessoal. Ontem acabei não postando o que prometi por conta de uma noobisse minha (resolvi instalar o Windows 8 na minha estação de trabalho no meu notebook e duas horas, algumas incompatibilidades e alguns travamentos resolvi voltar ao "bom e velho" Windows 7), mas hoje finalmente opinarei sobre a página "Diário de Classe", criada pela Isadora Faber, 13 anos e aluna de um colégio municipal de Florianópolis (SC). Nesse espaço na "rede social" são denunciados os problemas existentes na instituição de ensino onde ela estuda. A página teve repercussão tal que outros "Diários de Classe" foram criados em todo o Brasil, inclusive uma para mostrar os problemas existentes nos institutos federais (resolvendo puxar a sardinha para o lado da rede de instituições em que estudo)

O assunto ganhou projeção na mídia mais uma vez por meio de uma reportagem no Fantástico do dia 11/11, que falava sobre o apedrejamento da casa da fundadora da página, sendo que a avó dela foi atingida no incidente. Na mesma reportagem foi colocado que a página, antes aclamada, passou a ser alvo de contestações por pais, alunos, funcionários e professores, inclusive com boletins de ocorrência feito pelos dois últimos por "calúnia e difamação".

Pois bem, ao assistir a reportagem e ao ver certos comentários nas redes sociais chego a algumas ponderações sobre isso. A primeira delas é que os problemas na educação brasileira nunca serão resolvidos somente em escritórios. Uma das críticas à pagina de Isadora Faber era "ela poderia ter feito isso participando das reuniões de conselho que tem na escola, não precisava de expor essa situação numa rede social". A questão é: até que ponto essas reuniões e conselhos são eficazes? Lembrando que alguns problemas existentes no colégio onde Faber estudava foram resolvidos depois que imagens mostrando a precariedade de certas instalações foram publicadas na página.

A segunda é que o fato da escola ser a melhor ou uma das melhores de uma região, estado ou país não muda o fato de que melhorias são necessárias. Digo isso por conta de certos comentários que diziam que ela estava "reclamando demais", afinal a escola é uma das melhores de SC...De fato, a rede pública catarinense está posicionada como uma das melhores entre as redes públicas do país. Mas será motivo para comemorar o fato de que nas séries finais (período em que a Faber está matriculada) do ensino fundamental "a melhor rede pública do país" não consegue nem 50% de aproveitamento no Ideb? Se for, só me faz pensar de que o "culto à mediocridade" faz parte da educação brasileira. E levando o significado da palavra "medíocre" a rigor, que caracteriza algo mediano e que na maioria das instituições de ensino de nosso país a média é seis, falar em "mediocridade" é mais questão de generosidade do que ser coerente com os fatos. E como dito, infelizmente o "culto à mediocridade" na educação não é característica exclusiva de Florianópolis ou de Santa Catarina. É uma característica nacional (digo isso sem medo de errar). Basta que a escola, universidade ou instituto se posicione como "o(a) melhor", "um(a) dos(as) melhores" de uma região, estado ou país para que alunos, funcionários e/ou professores resolvam blindá-la de críticas. Ontem mesmo, ao ver a hashtag #BrasilSemPT sendo divulgada no Twitter. Alguns resolveram desqualificar isso por que afinal, foram nos últimos dez anos de gestão petista em que houve a expansão das universidades, o PROUNI, sem contar que foi o governo que mais investiu no ensino federal (isso inclui incentivos à pesquisa por meio de iniciação científica e mais recentemente com o Ciência Sem Fronteiras). A propósito, é favor ou caridade governamental investir mais em educação? Claro que não! O direito à educação está previsto na Constituição Federal, e cabe ao governo federal investir e/ou coordenar com os governos estadual e municipal esses investimentos para que tal direito seja respeitado. E numa opinião bem generosa, nem o "feijão com arroz" estão fazendo.

Por fim, a terceira é que a melhoria da educação passa por ações integradas entre pais, alunos, funcionários e professores. Ao invés de cada uma das partes envolvidas nessa situação ficarem "puxando a sardinha para seu lado" ao contestarem o Diário de Classe, poderiam estar assessorando-a, inclusive na identificação das deficiências existentes na escola e buscando junto ao governo (no caso o municipal) formas de corrigirem estas. E acima de tudo, essas ações integradas precisam ser contínuas.

No mais, a iniciativa de Isadora Faber é mais do que válida. Não é questão de heroísmo, é questão de cidadania e de luta por um direito que é de todos. Quem dera se existisse mais "Diários de Classe", seja na educação, saúde, segurança pública, infraestrutura e outras áreas. Talvez teríamos um país um pouquinho melhor. E parafraseando um professor meu de Engenharia de Métodos na Produção, "O estudante precisa ser um inconformado, sempre disposto a melhorar a si mesmo e o meio onde está inserido.".

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