A "jenialidade" que mata - II: não é só lógica nem bom senso, é norma!

(Fonte da imagem: Exame)
Ontem, postei nesse blog uma opinião sobre a tragédia de Santa Maria e disse que era uma "jenialidade" o fato (se confirmado) de que um integrante da banda Gurizada Fandangueira ter usado um sinalizador durante show (clique aqui), por se tratar de um local fechado. Pois bem uma matéria da Exame não só reforça a minha ideia como também mostra que existem instruções bem claras de uso do artefato. Segue a mesma logo abaixo. Volto em instantes.

"Informações prestadas hoje pela Associação Brasileira de Pirotecnia (ABP) sobre o “sputnik” – fogo de artifício usado na apresentação da banda Gurizada Fandangueira na boate Kiss, em Santa Maria (RS) – mostram que os integrantes não seguiram as instruções de uso presentes no próprio rótulo do produto. Com faíscas que alcançam até 4 metros de altura, o sputnik utilizado dentro da casa noturna é apenas para uso externo.

“A recomendação já vem na própria embalagem. É proibido soltar em locais fechados ou próximos a produtos inflamáveis. Nunca em lugar fechado”, disse hoje à CBN o presidente da entidade, Eduardo Tsugiyama.

O sputnik é de uso livre e deve ser colocado no chão antes de ser acendido. Encontrado em lojas de todo o país, custa em média de 4 a 5 reais, segundo a ABP. O ápice de seu uso no país se dá durante as festas juninas e o réveillon.

O uso interno é proibido também por causa da grande quantidade de fumaça exalada pelo produto.

A banda Gurizada Fandangueira, conhecida na região de Santa Maria pelos shows pirotécnicos, pode ainda ter quebrado outro protocolo de uso do "sputnik".

“É preciso manter um espaçamento de 10 a 15 metros de distância do produto. Coloca-se no chão e se afasta de 10 a 15 metros, por segurança”, explica Eduardo Tsugiyama.

Pelas fotos divulgadas da boate antes da tragédia deste domingo, é possível que a distância não tenha sido mantida."

Voltei...

Pois é. Agora a situação que por si só já merece o troféu "Genius de Ouro" (com direito àquela carinha do meme e tudo) ganha contornos de descumprimento do procedimento padrão para o uso de tal dispositivo. E se depender do andar das investigações, o quadro da tragédia pode se caracterizar não como homicídio culposo (por negligência, imperícia ou imprudência) mas sim como homicídio doloso (se for confirmada a hipótese de que os donos da boate e os integrantes sabiam das restrições quanto ao uso do sinalizador e mesmo assim o show tenha ocorrido como ocorreu, entre outras hipóteses). É claro que só as investigações poderão definir de forma clara e conclusiva como deve ocorrer os eventuais processos. Mas o fato do artefato ter instruções claras de uso pode ser perfeitamente considerado num possível agravante.

Ah, um trecho do artigo de opinião de um blog hospedado no Financial Times é bem claro e direto quanto a isso. Nada mais categórico:

"O uso de qualquer dispositivo pirotécnico em um espaço público fechado é ilegal no Brasil. E, certamente, qualquer idiota, em qualquer lugar, sabe que é incrivelmente estúpido e perigoso?"

E o "jogo dos sete erros" continua.

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