Obama por mais quatro anos: o que esperar?

(Fonte da imagem: Exame)
Bom dia pessoal. Hoje o Minuto Produtivo reservará um momento para comentar sobre o assunto que dominou o noticiário internacional ontem: a posse do presidente Barack Obama, reeleito em novembro do ano passado (na época fiz um post sobre o assunto, para conferir clique aqui). E claro, com diversas expectativas sobre os próximos quatro anos de governo e principalmente sobre o que ele pretende fazer para debelar a crise econômica mundial que foi originada nos EUA.

Antes de comentar de fato o assunto, um comentário sobre a festa de posse (na verdade foi um evento público, porque formalmente Obama já assumiu seu segundo mandato anteontem): bem diferente da posse para o primeiro mandato, em que quase dois milhões de pessoas se abarrotaram em Washington com a esperança de que o primeiro presidente negro da nação mais poderosa do planeta fizesse a tão prometida "mudança" (que não ocorreu, não na proporção esperada) e com a expectativa de que o país fosse tirado de uma iminente catástrofe financeira, o evento atual, apesar de continuar bonito, não teve a mesma grandiosidade. E era de se esperar isso, uma vez que o presidente reeleito não conseguiu afastar completamente os efeitos da crise econômica para a economia norte-americana (vale lembrar que até março uma nova batalha no Congresso deverá ser travada para que o temido "abismo fiscal", que faria os EUA entrarem novamente em recessão, seja evitado) e como dito anteriormente de forma implícita, boa parte das promessas de Obama para o primeiro mandato não foram cumpridas.

Apesar de tudo, como disse no ano passado, logo após o resultado das eleições norte-americanas, há algumas coisas elogiáveis no primeiro mandato de Obama. A Guerra no Iraque, cara, ineficaz e que criou um atrito desnecessário e perigoso com o mundo muçulmano chegou ao fim. A estrutura legal criada no governo Bush para justificar os abusos cometidos na "guerra contra o terror" se não acabou sofreu um considerável desmonte. Foi no governo Obama que foram tomadas as medidas mais enérgicas para evitar um desastre sem precedentes na economia norte-americana (bilhões de dólares foram injetados no sistema bancário e na indústria automobilística, esta última símbolo histórico do poder econômico do país). Isso sem falar na reforma do sistema de saúde.

Além disso, a política externa, que havia se tornado altiva e extremamente belicista na era Bush, passou a ser mais baseada em negociações e diálogo. E lembrando que foi no governo Obama que passou a se discutir o fim do visto para brasileiros (tudo bem, resolvi puxar a sardinha para o nosso lado).

Sobre as expectativas dos norte-americanos e de todo o mundo em relação aos próximos quatro anos que Obama terá pela frente, o cenário continua sendo bastante desafiador. A economia do país precisa crescer num ritmo mais vigoroso, é necessária uma solução a longo prazo para que as contas dos EUA fiquem mais equilibradas, a reforma da imigração, que é recorrente, precisa ser levada adiante (lembrando que Obama foi eleito com uma proporção maciça de votos do eleitorado latino), até com o intuito de se gerar maior arrecadação de impostos. E com relação à política externa, a situação não deixa de inspirar cuidados. Obama pretende retirar as tropas que estão desde 2001 no Afeganistão (e de fato isso deve ser feito com cautela para evitar que o Talibã, que deu (e dá) suporte a Al-Qaeda naquele país não retome o poder), resolver a questão do programa nuclear iraniano e gerenciar seu relacionamento com a China, aspirante a se tornar a maior potência mundial nos próximos anos.

Enfim, o Obama pode não ser a Coca-Cola que prometeu e o mundo de fato pode ter ficado mais instável em relação ao início do primeiro mandato, mas acredito que ele tenha condições de vencer boa parte dos desafios que virão pela frente. Boa sorte a ele. Não só os EUA, mas o mundo também precisará disso.

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