Especial: Aeroporto de Linhares, futuro Viracopos capixaba? - Parte II: O projeto

(Fonte da imagem: G1)

Confira a Parte I do assunto AQUI.


Boa noite pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para dar continuidade ao assunto iniciado na semana passada, em que defendi a ideia de que Linhares pudesse receber um aeroporto internacional bem como os contextos existentes. Na verdade esta parte II trataria mais sobre o projeto em si, bem como a infraestrutura que deveria ser construída para abrigar o empreendimento. Antes de mais nada, pretendo deixar bem claro alguns pontos que talvez tenham ficado pendentes no post anterior (ver primeiro link):

a) É óbvio que não estou pensando neste projeto como algo para ser construído imediatamente ou mesmo a curto prazo. Hoje Linhares bem como o norte do ES não teria demanda suficiente para abrigar um aeroporto internacional e o projeto de ampliação já existente, anunciado pelo atual secretário de Transportes e Obras Públicas, Fábio Damasceno, já seria o bastante para o momento. Em tempo: a nova pista de pousos e decolagens teria 1,8 km de extensão, o que já é maior que a atual pista do Aeroporto de Vitória(que vergonha hein). Sintetizando, o que quero dizer é que tal projeto seria para um prazo de quinze a vinte anos a frente;

b) Também é óbvio que o aeroporto propriamente dito seria apenas uma parte do projeto. Até porque um empreendimento que praticamente dobraria a mancha urbana da cidade sem uma infraestrutura auxiliar levaria a mesma a um colapso. Mas o fato de ter afirmado de que tal empreendimento permitisse uma integração quase que perfeita entre os modais de transporte (entenda como rodoviário, ferroviário, portuário, aeroviário e dutoviário) não significa que irei utilizar este post para apresentar todas as alternativas dessa integração. Para efeito desta postagem, utilizarei basicamente a integração da nova instalação por meio de acessos rodoviários;

c) O fato de eu defender a ideia de se construir um aeroporto internacional de Linhares nos próximos quinze/vinte anos não significa que um outro empreendimento semelhante não possa ser construído em outra região do Espírito Santo. Inclusive pode ser uma alternativa mais viável para um prazo mais curto. Aliás, nada garante que eu não possa me equivocar na ideia que eu defendi e que eu possa reavaliar a mesma futuramente. Não sou o dono da verdade, simples assim.

Esclarecidos os pontos, vamos falar do que seria o projeto em si.

O aeroporto

Sugestão de como seria o Aeroporto Internacional de Linhares. O próprio autor se reservou ao direito de fazer o "croqui". (Fonte: Google Earth)
Conforme visto na imagem acima e no post da semana passada sobre o assunto, o novo aeroporto ficaria localizado a oeste da sede do município de Linhares, e seria construído praticamente ao lado do atual. E a imagem já deixa bem claro que existe uma diferença entre este novo empreendimento e vários aeroportos localizados no Brasil: os acessos aos terminais de cargas e de passageiros seriam feitos por entradas localizadas em direções opostas. Tal configuração seria de certo modo vantajosa pelo fato de que os fluxos de cargas e de passageiros não se misturariam (como aconteceria se os acessos ao terminal de carga e de passageiros fossem posicionados lado a lado), apesar de que para garantir a máxima eficiência a malha de acessos rodoviários ao mesmo que precisaria ser construída ou ampliada teria de ser maior. Neste caso, o terminal de cargas ficaria posicionado no lado oeste do aeroporto, com acesso a partir da Rodovia Roberto Calmon, que dá acesso ao município de Rio Bananal. Já o terminal de passageiros ficaria no lado leste, com acesso a partir da Rodovia BR-101.

Pelo lado do terminal de cargas, existe um estacionamento, quatro áreas que estariam reservadas à instalação de empresas ligadas ao setor, bem como um pátio com capacidade para 10 aeronaves. Já pelo lado do terminal de passageiros, existe outro estacionamento, com duas áreas que estariam reservadas à instalação de empresas que disponibilizam serviços essenciais aos viajantes (rent a car, por exemplo), bem como um pátio com capacidade para 6 aeronaves. O novo aeroporto possuiria duas pistas de pouso (ambas seria operadas simultaneamente), sendo que a do lado oeste possuiria 3,5 km e a do lado leste 3,3 km. Devido a grande área reservada para pátio de aeronaves e a grande extensão das pistas de taxiamento haveria a necessidade de ter pontes de embarque de forma a dar conforto aos passageiros.

Os acessos rodoviários

Sugestão de como seria um anel rodoviário que seria construído em torno de Linhares. O próprio autor se reservou ao direito de fazer o "croqui". (Fonte: Google Earth)
Obviamente um aeroporto com uma infraestrutura tão grande sem acessos que comportem o fluxo maior de veículos (tanto de carga como de passageiros) que passaria pela região levaria Linhares a um colapso em questão de poucos anos. Portanto haveria a necessidade de se construir um anel rodoviário que permitisse o acesso ao novo empreendimento de forma que houvesse o menor fluxo de veículos possível no perímetro urbano do município.

O anel rodoviário (na cor amarela), com duas pistas por sentido teria duas alças: a oeste, que daria acesso ao terminal de cargas (e também acesso às rodovias Roberto Calmon (que dá acesso a Rio Bananal) e Álvaro Garcia Durão (que dá acesso a Colatina). Ela teria início no cruzamento com a BR-101, a aproximadamente 5 km ao sul do perímetro urbano e terminaria no cruzamento com as rodovias citadas no início deste parágrafo. Lembrando que um trecho da Roberto Calmon (em vermelho) seria duplicado de forma a atender a nova demanda. Já a alça leste teria início no mesmo ponto da alça oeste e terminaria no cruzamento com a BR-101, no bairro Planalto. Tanto o novo anel rodoviário como o trecho da Rod. Roberto Calmon que seria duplicado contaria com calçada, ciclovia e recuos para ponto de ônibus (recuos para estacionamento somente na alça leste e nos trechos mais próximos ao perímetro urbano).

Sugestão de como seria o trecho duplicado da Rod. Roberto Calmon (a oeste), a ponte sobre a Lagoa Juparanã (centro)  e o trecho duplicado da ES-355 (leste). O próprio autor se reservou ao direito de fazer o "croqui". (Fonte: Google Earth)
Sobre o trecho da Rod. Roberto Calmon que seria duplicado, bem como as demais intervenções que deveriam ser feitas por conta do novo aeroporto, é necessário que se siga a mesma linha de raciocínio no sentido de minimizar o fluxo de veículos no perímetro urbano de Linhares, bem como existir um certo aproveitamento da malha rodoviária já existente. Pensando assim, o trecho da rodovia a ser duplicado seria de aproximadamente 22 km, onde se encontraria com uma alça de acesso a uma ponte que seria construída sobre a Lagoa Juparanã (de aproximadamente 1,5 km de extensão) e que se encontraria com um trecho duplicado da ES-355 que seria de aproximadamente 13 km, que por fim desembocaria na BR-101, já próximo a Sooretama. As características da pista seriam as mesmas do parágrafo anterior.

Enfim, se for falar de construção ou melhora de acessos rodoviários devido ao novo aeroporto, haveria a necessidade de se construir ou intervir em mais de 50 km de vias. Em se tratando de uma cidade com menos de 200 mil habitantes (atualmente) como Linhares seria quase que "o projeto do século".

Quanto custa?

Creio que alguém apareça aqui para perguntar: "Quanto custaria essa brincadeira toda esse projeto todo?". Bem, dar valores exatos sobre isso seria impossível, uma vez que não foi feito um estudo técnico para avaliar isso (ainda), bem como se seria realmente viável construir um aeroporto em Linhares daqui a quinze ou vinte anos, mas ao ver esses links (aqui, aqui e aqui), já seria possível se ter uma noção do colosso de dinheiro a ser investido numa obra dessas, o que talvez seria um dos fatores de se inviabilizar uma obra desse porte por lá. Só na construção dos acessos rodoviários (incluindo o anel rodoviário e a duplicação das Rodovias Roberto Calmon e ES-355), sem levar em conta a construção das pontes, a obra custaria em torno de R$ 150 milhões. As três pontes (duas sobre o Rio Doce e uma sobre a Lagoa Juparanã) requereriam um investimento superior a R$ 1,5 bilhão. Se formos considerar que o aeroporto internacional de Linhares seria uma versão um pouco reduzida do aeroporto descrito no último link, lá se vai mais R$ 4 bilhões pelo menos. Enfim, nessa brincadeira toda seria gastos entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões (ou se preferir mensurar na moeda norte-americana, algo em torno de US$ 3 bilhões). Para se ter uma noção da grandeza disso, equivale a quase metade do orçamento previsto para o Espírito Santo este ano e é um terço do custo de construção do famoso aeroporto Chep Lap Kok, localizado em Hong Kong. Lembrando que nesta região administrativa especial localizada ao sul da China vive mais habitantes que em todo o estado do ES.

Encerrando

Creio que este post seja suficiente para pelo menos colocar em discussão um dos projetos que poderia mudar a cara do ES nas próximas décadas. E repetindo o que eu disse na semana passada: tal empreendimento por lá seria algo tão revolucionário como o boom industrial que o Espírito Santo sofreu nos anos 60/70.

Comentários

  1. Caro, Sr. Marcos, estou fazendo um estudo de caso da cidade de Linhares para faculdade no curso de gestão ambiental, esse estudo me trouxe grande interesse em conhecer a cidade, tamanha são suas riquezas naturais, que já vem sofrendo grande degradação. O que quero dizer é que acho lamentável a construção de um aeroporto nessa região, sendo que o de Vitória é tão próximo. Peço em nome da natureza e de todos os cidadãos que nasceram nesses vinte anos, talvez não cheguem a conhecer as belezas Naturais dessa região que "prospera" com tanta velocidade; Por favor desista dessa ideia, como o senhor mesmo disse não ser dono da verdade, repense e lute em favor da conservação do meio ambiente.
    Obrigada!
    Marcia

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