Especial: PIBinho - Mantega, seu otimismo e os fatos

Esperava um desse tamanho, sacanagem...(Fonte da imagem: Folha de Venda Nova)
Boa noite pessoal. Hoje o Minuto Produtivo comentará sobre o assunto que fechou a última semana: o resultado oficial do PIB no ano passado, que fechou em 0,9%. Tal resultado colocou o Brasil na rabeira da panelinha do bloco conhecido como BRICS - Brasil, Rússia (3,6%), Índia (4,5%), China (7,8%) e África do Sul (4,5%). Ficamos ainda bem abaixo da média dos países emergentes, dos sul-americanos e conseguimos nos aproximar das economias europeias, que hoje são o centro da crise econômica que eclodiu nos EUA em 2008. Para se ter uma ideia, a Alemanha, o país que está tentando apagar os incêndios que tem em sua volta, cresceu a mesma coisa: 0,9%.

Tal resultado final difere e muito da meta motivacional anunciada pelo Ministro da Fazenda Guido Mantega, que falava há praticamente um ano que nossa economia cresceria entre 4% e 4,5%. E concordo com a Dilma quando ela diz que os "mercadores do pessimismo" erraram. Na verdade o tombo foi um pouco maior.

Ainda de acordo com o primeiro link, somente o setor de serviços teve crescimento (1,7%). Agricultura e pecuária caíram 2,3% e 0,8%, respectivamente. Pelo visto, o consumo das famílias, que cresceu 3,1% (ajudado pelo crescimento da massa salarial, que foi de 6,7%) não foi o suficiente para esquentar nossa economia.

Os porquês

Bem, falar que a crise econômica é a culpada do nosso mau desempenho não parece um bom caminho, haja vista que os emergentes cresceram mais que o Brasil no mesmo período. Também não me parece uma boa ideia evadir do assunto argumentando "olhem para os europeus, estão crescendo menos que a gente e alguns estão em recessão". Vale lembrar que se parar para pensar que (ainda) não temos uma dívida interna proporcional ao PIB tão alta quanto a deles e que não somos o centro da crise, não estamos fazendo mais que a obrigação em crescermos mais (e diga-se de passagem, MUITO mais) que eles. O pior é nem o "muito" estamos conseguindo por sinal. Resta, claro, pensar na hipótese mais clara, simples, óbvia e evidente (inclusive já foi dito isso neste blog: confira aqui, aqui e aqui): o modelo de desenvolvimento econômico vigente hoje em nosso país está esgotado e precisamos investir em infraestrutura, tanto a nível de produção como a nível de logística, bem como reduzir os entraves burocráticos.

Tudo bem, para muitos, inclusive defensores ferrenhos do atual governo, isso parece trivial (como disse antes), mas somente do ano passado para cá que a trupe de Brasília resolveu mexer os pauzinhos nesse sentido, através do pacote de concessões (privatizações) de rodovias, ferrovias, portos (confira aqui um comentário sobre a MP 595) e aeroportos. Mas vale lembrar: ainda não é motivo para empolgação, uma vez que até quando nossa excelentíssima gerentona Dilma quer acertar acaba errando e tendo que consertar os erros depois. No último post do ano passado falei sobre isso inclusive, comentando sobre o modelo de concessões originalmente apresentado pelas gestões petistas, completamente contraproducente e que afasta os melhores investidores. 

Quanto a nível de produção, o novo regime automotivo também é um exemplo de iniciativa adotada no governo Dilma no sentido de dar mais robustez à indústria (no caso, o setor automobilístico). Inclusive é um tema que tratarei em um artigo científico (desenvolvido em grupo) sobre o assunto. Quem sabe até eu poste o resultado disso no mês que vem (aguardem). Mas voltando ao assunto, dizendo sucintamente, manobras no sentido de melhorar nossa infraestrutura produtiva, bem como a cadeia logística, existem e estão em curso. A questão é que elas devem ser ousadas. Como dizia meu professor de Engenharia de Métodos no trabalho de estudo de tempos e movimentos: "Quando for apresentar o método melhorado, soltem a franga!".

Encerrando

Enfim, para correr atrás do lucro (afinal, o prejuízo é algo automaticamente garantido), cabe ao governo federal tomar atitudes que já deveriam ter sido tomadas há dez anos (quando de lá até 2008 a economia mundial não tomou conhecimento de nenhuma crise) no sentido de preparar um novo modelo de desenvolvimento econômico ao Brasil. Mas enquanto isso ainda toma forma, bem que o nosso excelentíssimo Ministro da Fazenda Guido Mantega poderia ser um pouco mais pé no chão em suas análises e previsões. Afinal se eu quisesse algo motivacional eu comprava um livro de auto-ajuda.

No próximo episódio da série especial: O Minuto Produtivo começará a falar de alguns projetos, tanto no setor produtivo como no setor logístico, que poderiam incrementar o desenvolvimento do Espírito Santo. Aguardem.

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