"Plano Collor" cipriota derruba Ibovespa

(Fonte da imagem: Exame)
Mais uma vez, a pequena ilhota localizada ao extremo leste do Mar Mediterrâneo é motivo de preocupações para a economia europeia e mundial. E hoje o Brasil não foi exceção desse período de mau humor. Segue compilação das matérias da Exame e do G1. Volto mais tarde.

"O principal índice acionário da Bovespa teve sua quinta baixa seguida nesta segunda-feira, diante de temores de que o plano de resgate do Chipre, que impõe perdas para correntistas, sirva de modelo para outros países europeus em dificuldades.

O Ibovespa caiu 0,76 %, a 54.822 pontos, segundo dados preliminares. O giro financeiro foi de 5,4 bilhões de reais, abaixo da média diária do ano.

Para o Societe Generale, embora tenha sido alcançado um acordo para evitar um colapso financeiro do Chipre, o modo como o resgate foi desenhado não inspira confiança. [...]

O Eurogrupo, que reúne ministros de Finanças dos países que têm o euro como moeda, divulgou, na madrugada desta segunda-feira (25), que chegou a um acordo com as autoridades do Chipre com relação aos pontos-chave para um programa de “ajuste macroeconômico”. O acordo, em troca de um resgate de até 10 bilhões de euros, é apoiado por todos os países membros da União Europeia, disse o órgão.

O acordo é importante para evitar que os bancos do Chipre quebrem, o que prejudicaria não só o próprio país, mas todos os que integram a zona do euro. Sem o resgate, o Chipre corria o risco de ter de sair do grupo, abalando a já frágil confiança dos mercado no bloco. Hoje, os ativos das instituições financeiras representam 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Chipre, enquanto a média europeia é de 3,5%.

Christos Stylianides, porta-voz do governo cipriota, disse que "evitamos uma falência desordenada que teria levado a uma saída do Chipre da zona do euro, com consequências imprevisíveis".

O acerto prevê que o Banco do Chipre, que concentra a maior parte dos depósitos "russos" e é um dos maiores do país, vai ser salvo, mas os depósitos acima de 100 mil euros sofrerão perdas de até 40%.

Sistema bancário atraente

O sistema bancário do Chipre e a atratividade do país a milionários podem ajudar a explicar a crise que vem ameaçando a economia cipriota – a pior em cerca de 40 anos. Para se tornar atraente para o capital estrangeiro, a ilha tem um dos regimes fiscais mais favoráveis da Europa. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o imposto sobre a renda de uma empresa no Chipre é de 10% – muito inferior à média europeia, entre 25% e 35%.

Os bancos cipriotas também oferecem taxas de remuneração muito maiores que as praticadas nos outros países da zona do euro e são conhecidos pelo pouco rigor no controle da origem do capital.

O peso do dinheiro russo na ilha é tão forte que o Chipre decidiu naturalizar alguns de seus investidores mais importantes, que podem se beneficiar do regime fiscal. [...]

O Chipre não é formalmente considerado um paraíso fiscal, mas a pouca transparência do sistema bancário do país contribui para a desconfiança dos governos europeus e investidores internacionais. Há suspeitas de que os russos utilizam os bancos cipriotas para atividades ilegais, como evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

O Eurogrupo afirma ainda que o programa de resgate tem uma abordagem decisiva capaz de corrigir os desequilíbrios do setor financeiro da ilha mediterrânea. Em troca, as autoridades cipriotas reafirmaram seu compromisso em intensificar os esforços nas áreas de "consolidação orçamental, reformas estruturais e privatizações", afirma o comunicado.

Para a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, o acordo oferece a base para restaurar a confiança no sistema bancário do país, um ponto fundamental para impulsionar o crescimento. [...]"

Voltei...

Acertei parcialmente ao menos uma das pedras que eu cantei no último parágrafo do post que eu tinha feito na quarta-feira: alguém iria acabar perdendo nessa história, e neste caso alguns correntistas terão de "pagar o pato" - o que de qualquer forma é algo inédito em se tratando os países que precisaram de resgate. E o temor, como dito na compilação, é que tal medida acabe servindo de referência para outros países europeus que estejam "na pior".

Sobre as medidas que precisarão ser tomadas pelo governo cipriota, para quem tem o mínimo de conhecimento sobre como era a economia brasileira nos anos 90, elas soam bastante familiares, especialmente a última delas (destacada em negrito ao final do último parágrafo).

Em tempo: confiram um artigo do dia 16/03/13 publicado no blog Liberdade. Mais um motivo para colocarmos as barbas de molho (ou então torcer para não cair numa cilada igual ou pior a dos cipriotas, por outras razões).

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