Vale suspende projeto de R$ 6 bilhões na Argentina

(Fonte da imagem: Mercopress)
Mesmo sob pressão do governo argentino, a Vale anunciou ontem a suspensão de um investimento de quase US$ 6 bilhões no país. O projeto de potássio de Rio Colorado, o segundo maior na carteira da mineradora, chegou a entrar na pauta de um encontro entre as presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, cancelado com a morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Com a decisão, a Vale evita uma conotação ainda mais política do tema, que certamente viria caso uma nova reunião entre as presidentes fosse agendada. Segundo fontes, a mineradora queria anunciar a desistência antes, mas atendeu ao apelo do Planalto e adiou o comunicado para não criar constrangimentos durante a viagem de Dilma e mais problemas para o governo brasileiro, que já tem muitas pendências com a Argentina.

[...] A delicada situação da economia argentina foi o pano de fundo da decisão da companhia, que tem planos de ocupar uma posição de destaque no mercado de fertilizantes. Previsto para produzir 4,3 milhões de toneladas de potássio, o Rio Colorado já consumiu US$ 2,2 bilhões em investimentos.

Desde abril de 2012, o projeto está em revisão. Na época, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, admitiu ter preocupações com inflação, impostos, infraestrutura e política cambial do país vizinho.

Em dezembro, a Vale decidiu paralisar as obras de Rio Colorado, na Província de Mendoza, que já estavam 45% concluídas. Segundo uma fonte próxima ao negócio, os custos dispararam mais de 30% nos últimos meses, em dólar, reduzindo drasticamente o potencial de retorno.

Mesmo com a perspectiva de uma baixa contábil expressiva, o analista Marcelo Aguiar, do banco Goldman Sachs, aprovou a suspensão do projeto por descartar ingerência política nos rumos da companhia, que tem entre seus controladores o banco estatal de fomento BNDES e a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil.

A retirada do risco político deu gás às ações preferenciais da Vale, que fecharam com ganhos de quase 1,5%. Em nota, a Vale informou que "no contexto macroeconômico atual, os fundamentos econômicos do projeto não estão alinhados com o compromisso da Vale com a disciplina na alocação de capital e criação de valor". Mas deixou uma porta entreaberta para negociação, ao afirmar que continuará buscando soluções que possam viabilizar sua retomada.

Antes de bater o martelo, a companhia fez cerca de 15 reuniões com representantes do governo argentino, que não tiveram sucesso. Entre as propostas apresentadas estava o pedido de recebimento antecipado do IVA (Imposto sobre Valor Agregado). Na Argentina, o IVA começa a ser pago na fase de implantação do projeto e, quando a empresa inicia a operação, recebe o ressarcimento. A Vale pedia o recebimento ainda na fase de investimento. [...]

Fonte: Estadão

NOTA: Um exemplo prático do que a estabilidade da economia (ou no caso da Argentina, a falta dela) pode afetar a viabilidade de projetos. E para uma empresa que recentemente apresentou prejuízo como a Vale, não é interessante arriscar em algo com tantas incógnitas.

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