Especial: Superporto no ES - Por que ele seria melhor se fosse instalado fora da RMGV - Parte I: O contexto

(Fonte da imagem: PMV)
Boa noite pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para dar continuidade à série especial que foi paralisada por duas semanas devido ao excesso de atividades (entenda isso por provas e artigos científicos) na agenda da equipe (e sobrou inclusive para o editor-chefe, no caso, eu). Mas como nada que é ruim é eterno, estou aqui, vivo, são e salvo. Bem, o título da postagem é bem claro: o assunto de hoje será sobre o prometido, almejado, desejado, alardeado...Superporto no Espírito Santo.

Antes de entrar no assunto propriamente dito, pretendo fazer duas observações que valem tanto para os posts que falam do aeroporto de Linhares como para o do metrô na RMGV, bem como para qualquer post da série especial que fale de qualquer projeto: todas as ideias para tais projetos são novas ou variantes de projetos já existentes (como foi no último caso, em que fiz uma expansão de uma ideia já defendida anteriormente) e que todos esses empreendimentos que foram idealizados são pensados para se tornarem factiveis em termos de implantação nos próximos 15/20 anos. Ou seja: não pense que no ano que vem Linhares terá um aeroporto internacional ou a Grande Vitória receberá um sistema de monotrilhos, ok?

Finda essa observação, vamos ao assunto, não é?

O projeto do superporto, de fato. E por que as duas opções são muito ruins

Em 06 de dezembro do ano passado eu postei neste blog uma matéria do jornal A Gazeta que falava sobre o impasse para a instalação de um superporto aqui no Espírito Santo (confira aqui). De um lado, o prefeito eleito (agora atual) de Serra, Audifax Barcelos e o coordenador da Intersindical da Orla Portuária do Espírito Santo, José Adilson Pereira, que defendiam com unhas e dentes a instalação de tal infraestrutura em Praia Mole (confira aqui a localização). Do outro ArcelorMittal, Vale e Usiminas, que pediram explicitamente ao presidente da Codesa, Clovis Lacosque, para que esse porto não ficasse por ali. Logo, restaria a segunda opção, que seria instalar o superporto em Ponta da Fruta (confira aqui a localização).

Também lembro de ter dito que as duas opções eram muito ruins. E reitero isso. Minto. Na verdade eu digo que as duas opções são muito ruins. E explico com um pouco mais de calma (em relação ao post feito no ano passado) sobre o porquê de que eu não escolheria nenhuma das opções apresentadas.

Instalar um superporto em Praia Mole, apesar dos prós que existiriam (menor impacto ambiental por aproveitar parte de uma infraestrutura já existente, por exemplo), teria vários contras. Primeiro porque tal região já se encontra saturada (ou próxima disso), independente dos planos das empresas que efetuar melhorias em suas atividades naquele local. Segundo que os acessos rodoviários para Praia Mole são compartilhados com as vias urbanas, e os ferroviários estão próximos ao seu limite operacional. Tal combinação por si só já limitaria e muito qualquer plano de expansão por lá. E diferente da afirmação do então prefeito eleito (agora atual) de Serra na época, o impacto ambiental de implantação de um superporto em Praia Mole NÃO seria zero. Primeiro que haveria a necessidade de se destruir uma faixa de vegetação para implantar tanto o porto propriamente dito como os acessos. E segundo que de qualquer forma haveria um aumento do fluxo de caminhões no entorno do Terminal de Carapina, da ordem de algumas centenas a alguns milhares de caminhões/dia), o que agravaria os congestionamentos e a poluição atmosférica na região. Enfim, nem por aproximação seria possível afirmar que haveria "impacto ambiental zero".

A segunda opção, Ponta da Fruta, é um pouco melhor, pelo fato de que resolveria ao menos parcialmente o problema do tráfego urbano e que as possibilidades de expansão são maiores. Mas as vantagens praticamente acabam por aí. Por se tratar de um empreendimento que parte do zero, o impacto ambiental seria muito maior. E por se tratar de uma região predominantemente residencial e turística, um empreendimento de tal porte poderia ser uma ameaça tanto para o mercado imobiliário como para o turismo local.

Enfim, pensando que Praia Mole já está próximo de seu limite operacional e que Ponta de Fruta seria a única região, digamos, "inexplorada" e com espaço suficiente para tal, porém com contras de proporções pouco previsíveis, eu diria que a melhor opção seria construir esse superporto fora da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV).

E em que lugar seria?

Pois é. Afinal, as razões contrárias apresentadas são até razoáveis mas provavelmente não seriam suficientes para se tirar um superporto da RMGV. Porém, ao defender a ideia de que Linhares deveria receber um aeroporto internacional em um futuro não tão distante, coloquei de forma bem clara uma ideia que deve nortear os futuros grandes empreendimentos tanto no setor de transportes quanto nos demais setores produtivos do ES, que repito aqui: é interessante e até necessário que os futuros empreendimentos, tanto logísticos como produtivos sejam construídos preferencialmente fora da área da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), embora estejam relativamente próximos a ela (se houver como), bem como a outros importantes centros regionais do Espírito Santo, e que estes sejam versáteis o suficiente para a minimização de tempos e/ou distâncias de transporte, ofereçam segurança durante a operação e que permitam uma integração rápida e se possível perfeita entre os diferentes modais de transporte (rodoviário, ferroviário, portuário, aeroviário e dutoviário). Tais empreendimentos auxiliariam as regiões beneficiadas a se desenvolverem, gerando emprego, renda e acima de tudo, serviriam para equilibrar as disparidades regionais existentes em nosso estado. Enfim, a lógica que levará a determinar que local seria melhor é a mesma.

Tem um fator a mais que ajudaria, e muito, a facilitar a escolha: diferente de um aeroporto, em que até certo ponto existem infinitas possibilidades de locais para construção, um porto só tem duas possibilidades: construir no litoral (por razões óbvias, durrr) ou construir em um rio navegável (coisa que nós não temos por aqui, não que permita passar um navio com mais de 250m de comprimento e 30m de largura). Como descartamos a RMGV, nos restaria apenas duas opções: construí-lo a sul, ou construí-lo a norte da área metropolitana.

Porém, o Litoral Sul do Espírito Santo é relativamente povoado, pontilhado por vários municípios ou distritos, o que em último caso levaria aos mesmos pontos negativos relacionados às duas opções atualmente em disputa. E mesmo no Litoral Norte, haveria os mesmos riscos se levarmos em conta a possibilidade de construir tal porto no litoral de Aracruz (até porque lá já tem um terminal de uso privativo). Então basicamente restaria o trecho litorâneo entre os municípios de Linhares e Conceição da Barra como opções para a construção de tal empreendimento.

Por fim, temos que aplicar o princípio destacado em negrito, e mais uma vez Linhares levaria a melhor na escolha. Apesar de não ser tão próximo à RMGV, Linhares tem certa proximidade com centros regionais. Na verdade Linhares por si só É um centro regional e possuem três centros regionais em um raio inferior a 100 km (Aracruz, Colatina e São Mateus). A posição geográfica do município, bem como a das rodovias existentes, em fase de implantação e planejadas, dá boas condições no que se refere às distâncias, tempo e segurança de operação e é possível ter uma condição perfeita de integração entre os modais de transporte envolvidos. Tal empreendimento, em conjunto com toda infraestrutura auxiliar que precisaria ser construída ou melhorada para receber o superporto ajudaria não só Linhares como todo o Litoral Norte capixaba a se desenvolver, gerando emprego, renda e ajudando a minimizar as disparidades existentes entre esta região e as demais. Vale lembrar ainda que do ponto de vista turístico apesar dos impactos negativos que um empreendimento desse porte poderia trazer ao potencial da região no setor, o litoral do município é bem mais extenso em relação ao das opções apresentadas, o que ajudaria a minimizar tal efeito.

Obviamente, não existe só vantagens em se construir um superporto em Linhares. Além da desvantagem do impacto negativo ao turismo que tal empreendimento poderia trazer, tem os impactos ambientais, que seriam basicamente os mesmos em relação à construção de tal estrutura em Ponta da Fruta, uma vez que seria algo "partindo do zero". Além disso haveria a necessidade de se construir acessos rodoviários e ferroviários ao local, bem como de inibir ocupações de terrenos no entorno desses lugares, de forma a permitir a integração do porto com as rodovias e as ferrovias. Inclusive, poderia ser pensada a ideia de se implantar um complexo logístico tal que ligaria o aeroporto internacional que seria construído a oeste da sede de Linhares ao porto, além de terminais que ficariam posicionados ao longo desta infraestrutura.

Encerrando

Neste post preliminar, ao se pesar os prós e os contras, vejo que Linhares não só seria a melhor alternativa para se construir um aeroporto internacional nos próximos anos como também seria a melhor para a implantação de um superporto. Na verdade este importante centro regional no Litoral Norte do Espírito Santo poderia e deveria ser visto como uma alternativa para a implantação de um centro logístico conforme descrito no tópico anterior, que serviria para diminuir a pressão sobre a infraestrutura da RMGV.

No próximo episódio da série especial: O Minuto Produtivo continuará a falar sobre a construção de um superporto fora da RMGV. Desta vez será comentado com mais calma os prós e os contras de se construir tal empreendimento em Linhares e também será detalhado o projeto propriamente dito. Aguardem.

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