Ufanismo acima da lógica e dos fatos - IV: O controle da imaginação e a realidade que se mostra pior que o pessimismo

(Fonte da imagem: Estadão)
Boa noite pessoal. Depois de mais de uma semana ausente por conta da rodada de provas mais tensa de toda a minha vida acadêmica resolvi retornar a postar no blog. E com um tema que para alguns pode ser polêmico. É sobre as declarações feitas pela nossa excelentíssima presidenta Dilma Rousseff feitas ontem, após uma chuva de críticas sobre a condução da economia em seu governo. Segue abaixo matéria do Estadão sobre o assunto. Volto mais tarde.

"Fustigada por críticas à condução da economia, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira, 15, que o Brasil tem “pessimistas especializados” em criar ambiente negativo. Em evento do PT em Minas Gerais, reduto eleitoral do senador Aécio Neves, pré-candidato tucano ao Planalto, disse que aqueles que “fizeram racionamento em 2001 torcem para o Brasil dar errado”.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fiador da presidente e do governo, disse que Dilma “não deixará que o tomate” - expoente máximo da inflação - “venha a quebrar a força da economia”.

A presidente assegurou que “a inflação está sob controle” e repetiu que o governo “não faz concessão” sobre a questão. Ela sustentou que pretende manter o nível de emprego e o aumento de renda da população. “Não fazemos concessão à inflação e sempre combatemos e combateremos a inflação, principalmente pelo mal que causa para trabalhadores e empresários. Corrói as rendas. Não abriremos mão desse controle”, afirmou Dilma, durante seminário sobre os dez anos de governo do PT no País.

No partido há um temor de que o aumento de preços possa vir a se transformar num problema eleitoral para o projeto de reeleição da presidente. “Repito: não fazemos concessão à inflação, mas para nós estabilidade não se confunde com recessão e nem desemprego, não se confunde com perda de direito dos trabalhadores. A construção da estabilidade fica mais forte com investimento e ampliação do consumo. Esse modelo é um modelo vitorioso”, disse ela.

A expectativa no mercado é que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central eleve os juros na sua próxima reunião como forma de combater a alta dos preços. Aécio, em recente entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, sustentou que a presidente é “leniente” com a inflação.

Dilma afirmou que há “pessimistas especializados” em “criar ambiente para aqueles que se beneficiam da incerteza e enriquecem no desequilíbrio”. Embora sem citá-los, referiu-se aos tucanos, justificando seus argumentos com base no racionamento de energia que o Brasil viveu em 2001. “Esses pessimistas especializados fizeram um racionamento de energia em 2001 e 2002. Eles vêm querendo que a gente passe por isso. Aliás, vêm querendo desde 2005. Essa é uma visão errada que torce pro Brasil dar errado. Porque o Brasil não deu certo quando eles eram dirigentes, e agora deu certo e dará certo.” Para Dilma, trata-se de gente “mais triste, menos lutadora”. Ela assegurou que “embora estejam querendo transformar os alimentos no tomate”, o índice de inflação da comida “está em queda”. [...]"

Voltei...

Já começo dizendo uma coisa: queria saber em que Brasil nossa excelentíssima presidenta e nosso ex-presidente (ou seria presidente emérito?) vivem. Só tenho quase certeza de que não é o mesmo Brasil que eu vivo. Se pensar que um dos parâmetros da "força" da economia é o crescimento do PIB, estamos com a cabeça enterrada em um buraco há dois anos. Diga-se de passagem, tivemos um dos piores biênios em desempenho nesse quesito desde o governo Collor, sendo que no ano passado crescemos menos que os EUA, que estão volta e meia fazendo briga de faca para subirem o teto da dívida (até quando eles irão conseguir?) e conseguimos o mesmo desempenho da Alemanha, outro país com dívida pública altíssima e que ainda se dá o luxo de tentar apagar os incêndios das economias periféricas do continente europeu.

Sobre a inflação, que controle é esse que até agora não faz a mesma ficar ao menos próxima ao centro da meta nos últimos dois anos, isso com crescimento fraco da economia? E lembrando que a previsão é que nem no ano que vem tal indicador voltará aos 4,5% esperados. Podem falar o que quiser, mas por sinal a única preocupação da equipe econômica do nosso governo é fazer com que no final do ano a alta generalizada de preços não estoure o teto da meta. E olha que como dito antes, a intenção em deixar a inflação um pouco acima do valor central era dar fôlego para o PIB crescer mais. E também como dito, nos dois últimos anos nem isso aconteceu.

Sobre os supostos "pessimistas especializados": já disse uma vez, está na hora da presidenta começar a dar nome aos bois. E repito: isso é comportamento de uma criança vítima de bullying que não quer falar sobre quem está a "zoando", não de chefe de estado. E a proposito, nenhum dos "pessimistas especializados" esperava um PIB de 0,9% em 2012, só para fins de exemplo.

Apesar de todas essas críticas, ao menos em uma coisa eu terei de concordar (nem que seja parcialmente) com a nossa excelentíssima presidenta: o investimento e o consumo são os construtores da estabilidade econômica de um país. Sim, eu concordo, em gênero, número e grau. A questão é que infelizmente no primeiro item continuamos a dar passos de tartaruga. Então resta confiar na nossa capacidade de consumo para garantir nosso crescimento e estabilidade. E lembrando que por razões lógicas, mesmo com expansão de crédito (como a ocorrida por aqui) tal capacidade tem limite. E nem é preciso ter noções de economia para pensar nisso, apenas de lógica básica. É só pensar que uma hora essas famílias terão de pagar a fatura de tal consumo. E torcer para que elas consigam pagar, claro.

Enfim, está na hora de fazer um discurso menos coitadista e mostrar de fato a que veio.

Em tempo: já que a Dilma falou de apagão, segue abaixo um gráfico com os dados do ONS sobre o nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste. Lembrando que até os dados parciais de abril apontam um nível de 60%. E no Nordeste a situação é ainda mais preocupante: 45%.

(Fonte da imagem: ONS)
Lembrando que no SE/CO a temporada chuvosa acaba este mês, e só volta em outubro. E no ano passado o período seco durou mais tempo que o normal.

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