A receita para pararmos com o PIBinho está a nossa frente. Há pelo menos dez anos...Ou: continuaremos culpando a "herança maldita"?

(Fonte da imagem: Ordem Livre)
Boa tarde pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para falar de um tema bastante recorrente tanto neste blog como no noticiário econômico do país: o que impede o Brasil de crescer mais. Logo de manhã, antes de ir para a academia, acessei minhas redes sociais (como de costume) e vi algumas notícias interessantes sobre o assunto. Bem, transcreverei três notícias, sendo as duas primeiras do Valor Econômico e a última da Folha de S. Paulo. Volto mais tarde para comentar.


"O executivo José Galló, presidente da Renner, vencedor da 13º edição do prêmio "Executivo de Valor" no setor de comércio (varejo e atacado), disse que, para o país voltar a crescer é preciso uma retomada da confiança no mercado e um processo de novos investimentos, mas há hoje uma “razoável dose de temor de novos investimentos” no Brasil.  

"Não adianta você ter um país com oportunidades, com possibilidades, mas não ter investimentos. Eu tendo a acreditar que governos e autoridades já se deram conta disso e acredito que devem começar a trabalhar nisso".

Quanto às pressões inflacionárias, Galló disse que a empresa não sentiu esses efeitos, que o preço do algodão está controlado, mas existem pressões maiores nos custos de mão de obra e é preciso ficar atento a isso.

Entre os problemas citados por ele que impedem o crescimento maior do país estão a “burocracia paralisante, alta carga tributária e altos custos da mão de obra no país. Entre os fatores que mais o preocupam, numa lista de seis itens, a inflação está em primeiro lugar, seguida de câmbio, mão de obra, custo de crédito bancário, inadimplência e demanda fraca." [...]"



"A formação de mão de obra e o custo do crédito bancário são os dois problemas econômicos do país que mais preocupam o empresário Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht S.A. [...].

Aos dois temas o executivo do grupo Odebrecht, um dos maiores conglomerados brasileiros, deu nota 9 em uma enquete realizada pelo Valor com todos os vencedores do prêmio. "É fundamental o crédito para a pequena e média empresa, para o consumidor final e financiamentos para projetos", afirmou o executivo, que assumiu o cargo  em 2009.

Sobre a qualificação de mão de obra, ele afirmou que é um problema atrelado ao tema da Educação. "Sempre falo: no longo prazo, tem de se preocupar com a formação da futura geração; no curto prazo, a qualificação profissional".

O câmbio também gera um grau de intranquilidade para o empresário, questão que pontuou com nota 8. "Enquanto o país tem gargalos estruturais e na economia, precisa de uma taxa de câmbio favorável para compensar". O nível ideal para garantir isso, disse, tem de ser do patamar atual (em torno de R$ 2,00) para cima.

Para demanda fraca, inflação e inadimplência dos clientes o empresário disse não ver muito razão para se preocupar e concedeu apenas nota 2 para cada um. A inflação, informou, não está afetando seus negócios. "Vejo sob controle. Mas é algo que requer sempre um pouco de cuidado, pois o Brasil ainda carrega uma cultura inflacionária latente".

Para Marcelo Odebrecht, dois outros pontos que o governo deve cuidar bem são a infraestrutura — não só para eliminar o déficit atual do país, mas também para se antecipar às necessidades futuras — e o aumento da produtividade da mão de obra, aliado com continuidade do aumento da renda dos trabalhadores. [...]"



"Os problemas gerados pelo gargalo logístico do agronegócio nacional foi o tema central da abertura da 20ª edição da Agrishow, tradicional feira de tecnologia agrícola que começou nesta segunda-feira (29) em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo).

"É o fim do mundo. Não é mais possível continuarmos convivendo com essa coisa maluca. É uma chaga que nós precisamos cuidar, e com urgência", disse Maurílio Biagi Filho, presidente da Agrishow.

Ele afirmou ainda que os problemas da logística nacional encarece o Brasil. "Isso representa um peso enorme na conta final do agricultor. Representa um peso danado em nosso cotidiano, na vida de todos nós, brasileiros."

Neste mês, pela segunda vez, importadores chineses cancelaram a compra de soja brasileira, alegando quebra de contrato. O motivo é o atraso no embarque causado por problemas de infraestrutura.

Como a Folha publicou neste mês, a fila de caminhões que transportam soja para exportação pelo porto de Santos é de um dia.

Presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cezário Ramalho da Silva, afirmou que há seis anos o setor vem alertando o governo sobre a necessidade de investimentos de infraestrutura para evitar os problemas logísticos do país.

"A infraestrutura do Brasil é uma vergonha nacional, mundial. Nós trabalhamos, nós produzimos, vendemos, somos mais eficientes em todos os produtos que temos, comercializamos muito bem, mas não conseguimos entregar."

Cezário afirmou ainda que o problema da logística vai persistir no país e não haverá tempo de achar soluções no curto prazo. "Vamos sofrer de novo no ano que vem porque a safra vai crescer mais. E para resolver isso precisaríamos de dez anos.""

Voltei...

Bem, basicamente o que os senhores Galló, Odebrecht, Biagi Filho e Silva disseram não são (ou não deveriam ser) nenhuma novidade para nós e em boa parte são resumíveis a duas palavrinhas: "Custo Brasil". Ao menos em parte explicam o aparente ocaso que nossa economia viveu nos últimos dois anos, com direito a uma inflação completamente incoerente com o crescimento do PIB.

Um item, no entanto, chamou a atenção, sendo que além de destacar em negrito acabei sublinhando: nossos gargalos logísticos, um dos entraves ao desenvolvimento do país, seriam resolvidos em dez anos, segundo Silva, sendo que antes disso ele disse que o setor rural vem alertando o governo há seis anos sobre tais problemas. Coincidência ou não, dez anos é justamente o período que os petistas (Lula e posteriormente Dilma) estão no poder. E como dito na última notícia, a trupe de Brasília não pode reclamar de falta de aviso.

Enfim, a boa fase gerada pelo boom das commodities e pelo anabolismo da China parece estar passando. E infelizmente estamos pagando o preço de ficar jogando para a torcida, apenas culpando a "herança maldita".

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