Especial: Superporto no ES - Por que ele seria melhor se fosse instalado fora da RMGV - Parte II: O projeto, seus prós e contras

(Fonte da imagem: PMV)

Confira a primeira parte do assunto AQUI.


Boa noite pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para dar continuidade à série especial de um ano do blog e ao assunto que iniciei há duas semanas: a necessidade de um superporto no Espírito Santo, bem como o porquê de que seria melhor se ele fosse instalado fora da Região Metropolitana da Grande Vitória. Neste post falarei sobre a alternativa em relação aos projetos atuais, bem como seus prós e contras.

O projeto

Sugestão de onde ficaria e de como seria o superporto em Linhares. O próprio autor se reservou ao direito de fazer o "croqui". (Fonte da imagem: Google Earth)
Conforme visto na imagem acima, bem como na legenda e no link disponibilizado na primeira parte deste assunto, o superporto ficaria localizado no litoral de Linhares, mais precisamente a 36 km da sede do município e a 1,5 km da unidade de tratamento de gás natural de Cacimbas, pertencente à Petrobras. E a imagem já deixa bem claro a dimensão deste empreendimento. O porto seria equipado com dois cais (em vermelho): um a sul, com 3,3 km de extensão e outro a norte, com 4,1 km de extensão. Seria capaz de movimentar carga geral, conteinerizada e à granel. Teria uma retroárea (em cinza) superior a 8 milhões de m², sendo que inicialmente apenas a quarta parte disso seria de fato utilizada, enquanto o restante seria reservado para instalação de indústrias e um terminal multimodal (inicialmente permitiria a comunicação entre os modais rodoviário e portuário, posteriormente isso se estenderia ao modal ferroviário). Além disso a área localizada no entorno do porto (exceto a área em volta da unidade de Cacimbas) seria utilizada para abrigar um moderno complexo industrial.

Em amarelo dourado estão os acessos rodoviários que seriam construídos para chegar ao porto, todos com quatro pistas (duas em cada sentido). Já em amarelo claro seriam os acessos à estação de Cacimbas, que seriam melhorados (pavimentados e sinalizados). Os dois acessos localizados a oeste se convergiriam em um único, após contornarem a lagoa, que acabaria desembocando no anel rodoviário que seria construído em função do Aeroporto Internacional que também seria construído em Linhares (ver parte II de tal projeto AQUI). Não levando em conta as vias que passariam por intervenções por conta do ainda fictício aeroporto, haveria a necessidade de se construir ou melhorar em torno de 120 km de rodovias. Assim como seria no caso de se construir um aeroporto internacional, tal projeto facilmente poderia ser considerado "o do século".

Os prós e os contras

Como apresentado vagamente na primeira parte do post, o projeto apresenta alguns pontos favoráveis e outros contrários, como qualquer outro. De favoráveis, tem o fato de que ele seria construído em uma área que naturalmente permitiria expansões de forma bem menos limitada em relação aos projetos já divulgados na imprensa capixaba (apesar de que como mostrado, o superporto já começaria bem maior se comparado ao projeto de Ponta da Fruta), bem como o fato de que a geografia da região permite mais possibilidades de integração entre os modais de transportes. Isso sem contar que traria um maior dinamismo a um trecho do Litoral Norte capixaba que ainda possui um potencial subexplorado.

Como pontos contrários, porém, haveria a necessidade de se construir ou de melhorar (sendo que na maioria dos casos duplicar) uma extensão relativamente grande de acessos rodoviários para o empreendimento, assim como o impacto ambiental gerado, que por se tratar de uma estrutura construída "do zero" seria muito grande (cabe lembrar ainda que o porto ficaria relativamente próximo à uma área que é cuidada pelo Projeto Tamar).  E tem ainda o fato de que o novo empreendimento poderia limitar o potencial turístico do litoral linharense.

E quanto custaria?

Assim como no caso do projeto fictício do aeroporto internacional, vale lembrar que os valores citados para a construção do superporto bem como de suas infraestruturas associadas são apenas estimativas muito vagas. Com base no último link postado no tópico sobre o projeto em si bem como sobre o projeto do superporto do Açu (clique AQUI), também seria possível ter noção do montante de dinheiro que precisaria ser investido para tornar esse sonho projeto uma realidade. Para a construção dos acessos rodoviários (o que inclui uma ponte sobre o Rio Doce e a melhoria do trecho da ES-010 que vai de Barra do Riacho à Regência, seriam necessários mais de R$ 350 milhões. Supondo que somado com o complexo industrial e os terminais logísticos que seriam construídos em torno do porto (bem como ao longo dos acessos) a área necessária para operacionalizar o empreendimento seria próxima a 100 km², seriam necessários pelo menos R$ 3,5 bilhões para fazer a geringonça funcionar. Ou seja, o valor necessário a ser investido na construção do superporto de Linhares seria em torno de R$ 4 bilhões.

Levando em conta que o aeroporto do projeto descrito no mês de março deste ano neste blog custe algo em torno de R$ 6 bilhões, seria perfeitamente possível dizer que haveria a necessidade de governo e iniciativa privada (sim, tanto o aeroporto como o superporto seriam pensados já para o modelo de concessão), juntos, investirem em torno de R$ 10 bilhões para viabilizar este gigantesco complexo logístico. Para se ter uma idéia da grandeza, isso é mais que o triplo do que o nosso governo estadual investe em mobilidade urbana. Felizmente a iniciativa privada ficaria com a maior parte deste investimento (aproximadamente 80%), deixando o governo cuidar apenas da parte dos acessos aos locais.

Encerrando

Assim como a maioria dos posts desta série especial de um ano deste blog, creio que isto seja suficiente para minimamente colocar em discussão sobre os projetos que poderiam mudar a cara do ES nas próximas décadas, bem como o modelo de desenvolvimento que queremos. Apenas quero deixar bem claro que não tenho absolutamente nada contra a RMGV, até porque vivi (e vivo) nela por quase toda a vida. Mas é necessário rever até que ponto os grandes investimentos precisam ser feitos necessariamente por aqui, até porque a área metropolitana (em alguns municípios) está a beira de seu limite de expansão, o que encareceria (e muito) empreendimentos futuros. Que tal darmos chance a outras regiões de se desenvolver?

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