Especial: Turismo - Parte II: os grandes eventos e o Espírito Santo

Bons tempos que se tinha isso por aqui...(Fonte da imagem: F1 Corradi)

Confira a primeira parte do assunto AQUI.


Boa noite pessoal. Hoje o Minuto Produtivo dá continuidade a sua série especial de um ano do blog e claro, do assunto iniciado no domingo passado, que foi um breve ensaio sobre como fazer o turismo algo grande no Espírito Santo. Agora irei utilizar este espaço para falar sobre a oportunidade que o nosso estado tem em relação aos grandes eventos e o que deveríamos fazer para entrarmos na rota dos mesmos.

Os grandes eventos

Esta parte do assunto é bastante oportuna, uma vez que o Brasil está prestes a abrigar dois megaeventos: a Copa do Mundo no ano que vem (o evento-teste, a Copa das Confederações, ocorrerá na segunda quinzena do próximo mês) e as Olimpíadas, que ocorrerão em 2016 no Rio de Janeiro. Além disso, nosso país sediará a Jornada Mundial da Juventude, que ocorrerá daqui a dois meses na mesma cidade e entrou de vez de eventos (não tão) menores como o UFC.

Desta vez, não ficamos completamente de fora desse bom (?) momento para o nosso país. O Espírito Santo foi contemplado com três locais para centro de treinamento, sendo que o Parque do China é o único que possui CT e hospedagem em um único local. Ainda em relação à Copa, há uma promessa de que o último amistoso antes do Mundial seja no novo Kléber Andrade, bem como a de uma maior participação de nosso estado nas Olimpíadas e na Copa América 2019.

E o que de fato falta para o Espírito Santo entrar de vez na rota dos grande eventos?

Quer mesmo uma resposta sincera? Falta TUDO. Sim, você não leu errado. Simplesmente falta apenas tudo para que o Espírito Santo entre de forma definitiva na rota dos grandes eventos que acontecem e (por enquanto) acontecerão em nosso país. Claro que essa resposta é um tanto genérica para muitos de nós soe um tanto óbvia, então explicaremos por partes.

(Fonte da imagem: Trip Advisor)
Para começo de conversa, como dito na parte anterior do post sobre o assunto, falta uma boa infraestrutura turística (entenda-se por hotéis e restaurantes) capaz o suficiente de atender uma eventual demanda de turistas (principalmente estrangeiros), que é comum dos grandes eventos. Na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) por exemplo caberia nos dedos de uma única (sim, única) mão a quantidade de hotéis de padrão internacional, sendo que estes estão concentrados nos dois principais municípios litorâneos (Vitória e Vila Velha). Tudo bem, alguém vai vir aqui e falar: ah, mas na Região Serrana (entenda-se por Domingos Martins e de forma mais restrita ainda, região de Pedra Azul) temos ótimos hoteis, poderíamos acomodar os turistas estrangeiros lá, blá, blá...Até concordo, a região de Pedra Azul possui uma rede hoteleira de ótimo nível e seria até melhor termos um fluxo razoável de turistas por lá, uma vez que nem todos gostam do agito da área metropolitana. Mas entra então um outro problema: e a questão do transporte (também levantada na parte anterior), até porque os turistas utilizam costumeiramente os modais rodoviário e aeroviário? Será que nossos visitantes estariam dispostos a visitarem novamente o nosso estado após encarar os gargalos viários para sair de Vitória para a Região Serrana?

Ah sim, o transporte...E o nosso aeroporto? Será que conseguiríamos atrair alguém tendo uma estrutura que consegue numa hipótese bem otimista se igualar a da já não tão boa rodoviária da capital? Difícil...Deixando de falar sobre o nosso puxadinho (até porque é óbvia a necessidade de se fazer melhorias naquele local), é necessário não só pensar num amplo pacote de melhorias em nossas rodovias. E  não falo só na duplicação das BR-101 e BR-262, mas também em fazer o mesmo com a BR-259, a BR-482 (estadualizada) e a BR-381, bem como a construção de vias que possam servir de alternativas para as mesmas, também em pista dupla. A ampliação do atual programa de concessão de estradas pode ser um bom caminho para isso, tanto nas vias federais como para servir de modelo para as estaduais. Uma outra aposta (que não exclui a primeira) seria o uso do transporte ferroviário para fins turísticos. O Trem das Montanhas parece ser uma boa base para implantação de tal sistema em larga escala no Espírito Santo, apesar de que sou favorável a implantação de um sistema de monotrilhos para o caso, um sistema mais moderno e que agrega mais valor para os possíveis clientes.

(Fonte da imagem: Férias Brasil)
E não seria o suficiente...

Obviamente, uma infraestrutura melhor poderia fazer com que o Espírito Santo se tornasse (mais) uma alternativa para abrigar os grandes eventos. Mas não seria o suficiente para fazer o estado deixar de ser um "coringa" e passar de fato a ser uma opção razoável para abrigar os mesmos. Uma das razões (talvez a principal) é que nosso estado possui um desempenho econômico (entenda-se por PIB) que destoa e muito em relação a maioria dos estados do Centro-Sul do Brasil (até mesmo alguns estados do Nordeste possuem uma economia mais pujante em relação ao ES). Somos apenas a 11ª economia do país e estamos cercados por estados que possuem ao menos o dobro de nosso produto interno bruto. Só por isso já poderíamos entender porque somos escanteados quando o assunto é abrigar os grandes eventos.

Mas vale lembrar que isso não e só (e mesmo se não fosse só, não seria pouco). Outro fator que pesa contra o fato de nosso estado é que apesar de termos uma riquíssima bagagem histórico-cultural (inclusive isso será um tema para um dos próximos posts da série especial de um ano do blog, que terminará no mês que vem), as tentativas de divulgação e consolidação disso estão em um estágio bem mais atrasado em relação aos nossos vizinhos. A propósito, salvo no ensino fundamental e no último ano do ensino médio (e nesse caso quem está tentando questões discursivas de história do Vest-UFES), em que momento das aulas de História e Geografia se ensinou sobre o Espírito Santo. Arriscaria a dizer que poucos responderiam positivamente a esta pergunta.

E já que falamos em Copa, Olimpíada e UFC, também é necessário pensar na questão do esporte como fator de atração de turistas. É complicado fazer generalizações sobre o assunto, uma vez que cada modalidade atravessa um momento bastante diferente em relação à outra (Alguns exemplos: somos exportadores de bons jogadores de basquete, temos lutadores bons e em ascensão no MMA, temos um time de ponta de futebol americano, que é um esporte em ascensão no Brasil, em compensação quando o assunto é bola no pé...), mas creio que concordaremos no sentido de que é difícil conseguir projeção esportiva nacional e internacional fora de nosso território.

(Fonte da imagem: Globo Esporte)
E por que isso tudo foi falado? Porque mais do que termos uma infraestrutura turística e de transporte de alto nível, é necessário que sejamos destaque em algum aspecto que geraria uma rápida atração (ou pelo menos interesse) para que o turista visite o Espírito Santo. Ou que possamos fomentar o máximo possível tal posição, se já somos destaque em algo que possa servir de vitrine para nossos futuros visitantes.

Para tentar explicar isso de forma fácil e relativamente errada, vamos nos concentrar apenas nos três aspectos citados: o econômico, o histórico-cultural e o esportivo. Para ficar mais simples ainda a explanação, usarei exemplos. No aspecto econômico, poderia se pensar em um plano de metas para o Espírito Santo se tornar destaque em um setor que poderia ter fácil visibilidade e atrair turistas. Tomemos o exemplo do café (lembrando que já somos um dos maiores produtores do país). Um caminho seria incentivar a implantação de pequenas indústrias de beneficiamento de café, de forma a produzir produtos de maior valor agregado, como café solúvel, expresso, cappuccino, entre outros. Além disso, essas pequenas indústrias teriam lojas próprias e eventualmente um sistema de franquias, de forma a comercializar seus produtos em vários pontos do Espírito Santo. E como na Chocolates Garoto, haveria a possibilidade de se implantar um programa de visitação turística a tais fábricas. Pronto, somente neste simples exemplo, conseguimos construir um ciclo virtuoso que poderia ser capaz de impulsionar o turismo no nosso estado. Cabe então fazer a promoção dos produtos e dos serviços associados aos mesmos.

Quanto ao aspecto histórico-cultural, poderíamos pegar um símbolo que seja típico de nossa cultura e capaz de atrair uma grande massa. Que tal a moqueca (só existe moqueca capixaba, o resto é peixada!). Apliquemos uma lógica semelhante a do café no parágrafo anterior (com algumas ressalvas quanto ao fato de que tanto a fabricação das panelas de barro como a da produção da moqueca em si ser um processo artesanal), sendo que as lojas (assim como as que comercializariam os produtos derivados do café, algo que esqueci de citar no parágrafo anterior) teriam ambientação típica.

Por fim, entremos no aspecto esportivo. Neste caso, quaisquer que sejam, implantar medidas de forma a destacar a prática de certas modalidades esportivas ou mesmo um pacote delas não é algo tão trivial. Mas acredito que uma política de incentivos fiscais para as empresas que patrocinarem a construção de instalações esportivas para a prática das modalidades que estão em destaque poderia ser um bom caminho. Também poderia se fazer do novo Kléber Andrade uma arena multiuso, de forma que não pudesse receber apenas jogos de futebol, mas também partidas de futebol americano (lembrando que é um esporte em ascensão no nosso estado e no Brasil, e temos um time campeão).

Encerrando

Os investimentos na infraestrutura turística e logística/transportes, apesar de necessários, não seriam suficientes para alavancar o turismo no Espírito Santo nem o colocariam de forma definitiva na rota dos grandes eventos. É necessário fazer com que nosso estado tenha um desempenho econômico coerente em relação aos nossos vizinhos, crie uma identidade histórico-cultural forte e possibilite um melhor desenvolvimento de atividades esportivas a nível local para que sejamos atrativos o suficiente para entrar na rota dos principais destinos turísticos e dos grandes eventos. Não é algo fácil, muito menos rápido. Mas devemos pensar assim para lá na frente colhermos os bons frutos.

P.s.: Muito obrigado ao Vinicius Littig por ter ajudado a idealizar o penúltimo tópico desta postagem.

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