Aleatórias: o fantasma do PIBinho, o #desocupaALES, o quiproquó do pedágio e o mico geral

Boa noite pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para comentar três assuntos importantes e que marcaram o noticiário desta semana, tudo em apenas uma postagem. E preparem a pipoca e o guaraná, pois a leitura vai render um bocado de tempo. Sem delongas na introdução, vamos lá.

O fantasma do PIBinho assombra. De novo

Tentei colaborar meu filho, só que pelo jeito a economia vai crescer menos que isso...(Fonte da imagem: Wikipedia)
Ao que parece, meu pessimismo em relação ao crescimento econômico do país ainda parece bastante otimista diante da realidade. Em matéria divulgada pela Folha de S. Paulo (e republicada pela Exame), os bancos públicos (com o reforço do Banco Central) já esperam um crescimento do PIB inferior a 2% neste ano. Algo ridiculamente distante dos mais de 4% anunciados pelo ministro da Fazenda Guido Mantega ao final do ano passado. Vale lembrar ainda que neste ano tal expectativa foi confirmada um mês antes em relação ao ano anterior. Ou seja, se continuarmos andando nessa balada, não será surpresa nenhuma conseguirmos crescer ainda menos em relação a 2012.

E ao que tudo indica, nada parece ajudar a dupla Gordo e Magro Tombini e Mantega na condução da economia (ou será que eles não se ajudam?). O dólar resolveu trabalhar contra, A inflação, quando não supera o teto da meta, o ronda perigosamente. Como mexer na cada vez mais nebulosa política fiscal pode ter consequências um tanto desagradáveis em um ano pré-eleitoral, o jeito é o que já conhecemos: subir a taxa de juros, para tornar mais caro os financiamentos de bens e serviços, enxugar a demanda por esses e assim domar a inflação. Como efeito colateral isso faz com que a nossa já cambaleante economia tombe de uma vez. Tombe...Tombini...Perceberam o trocadilho? Sim, eu sei que isso foi horrível.

Voltando a falar do crescimento econômico em si, motivos para explicar mais um ano de vexame (antes que venham a papagaiar em relação aos países europeus, eu digo vexame em relação aos próprios países latino-americanos) não faltam. Inclusive tentei falar alguns deles em um post do dia 03/03. E ao que tudo indica as ampolas de anabolizantes parecem estar acabando. O último que sair apague a luz.

O fim do Sheraton gratuito #OcupaALES finalmente chegou

Você trataria sua casa desse jeito? (Fonte da imagem: G1)
Depois de mais de dez dias de ocupação, votações paralisadas e uma audiência que se arrastou pela madrugada, o hotel (ou seria motel?) com finalidades revolucionárias finalmente chegou ao fim (redundância forçada, admito). Por volta do meio-dia de hoje eles deixaram a Assembleia Legislativa e voltarão para acompanhar a sessão de segunda-feira (15/07) dia da votação do decreto que suspende o pedágio da Geni Terceira Ponte.

E sobre a imagem acima, é exatamente isso o que sobrou do "Occupy": um rastro de destruição, lixo e entulho deixado pelos "hóspedes" que alegam ter a intenção de fazer com que a ALES voltasse a ser "a casa do povo". Pergunto a vocês, leitores: deixaria a "sua" casa desse jeito? E diferente da opinião de muitas pessoas que eu conheço, acho que a "grande mídia burguesa" deu corda demais para esse pessoal. Seguindo a mesma lógica de um post feito no dia 16/06, se os veículos da imprensa tivessem a intenção real de desmoralizar tais movimentos, trataria de "dar nomes aos bois" envolvidos aos mesmos, incluindo referências a membros ligados a partidos políticos ou potencais candidatos às eleições do ano que vem. E claro, relembrar a galera disso em 2014. Mas pelo visto, um dos grandes "impérios do mal" de nosso estado até tentou, mas passou longe disso. É bom ficarmos de olho caso alguns dos que estavam tentando supostamente "salvar o Espírito Santo das garras afiadas da RodoSol" resolvam se candidatar a algo no ano que vem.

Ah, uma dica para você, turista do interior do ES ou mesmo de outro estado que queira vir para cá algum dia: se você não tiver dinheiro para pagar hotel e não tem parente (ou tem vergonha para pedir para dormir na casa de um) por aqui, junte seus amigos e invada a Assembleia Legislativa. De preferência em algum dia de votação de algum assunto polêmico, como pedágio, pó preto da Vale, Transcol e coisas do tipo. Ah, e como visto na imagem acima, não precisa se preocupar em deixar o "quarto" arrumado. Afinal, quem paga a conta disso não é (só) você.

Pedágio/RodoSol: a nova Geni do Espírito Santo

(Fonte da imagem: A Gazeta)
Antes que alguém fale que estou com má vontade em relação aos recentes protestos (na verdade estou mesmo, e daí? Tenho minhas razões para isso, oras...), sim, eu sei que enquanto houver a auditoria no contrato de concessão o valor do pedágio o valor da tarifa será mais barato. Durante os próximos três meses (tempo de duração de tal revisão) carros pagarão R$0,80 e motos R$0,40 para passar pela Terceira Ponte. E conforme explicado nesta matéria, tal valor é para apenas arcar os custos de manutenção.

De fato, até compreendo as medidas tomadas e a indignação da população a respeito da tarifa do pedágio, uma vez que por quilômetro rodado a tarifa da Terceira Ponte é uma das mais caras do Brasil. Voltando ao último link do parágrafo anterior e comparando aos contratos atuais de concessões rodoviárias, é de se espantar hoje que um contrato de concessão tenha uma taxa de retorno próxima a 17% (apesar de que é até compreensível tal percentual, uma vez que a realidade econômica/inflacionária da época, para quem lembra, era bem mais adversa em relação à atual). Também é possível entender a revolta diante do fato de que tal tarifa é paga por passagem pela ponte, e não por dia de uso (ou pelo menos pagar só pela ida e receber um voucher para não pagar a volta) e pelo fato do sistema de cobrança não ser totalmente automatizado (ou haver um incentivo para isso, como um valor mais barato do pedágio), o que acaba gerando retenções na ponte nas horas de pico.

Porém, antes de sair por aí e se comportar como uma metralhadora giratória diante disso tudo, é necessário que se adicione um pouco de pragmatismo, frieza e lógica para que se tenha uma visão mais acertada de tal questão. A primeiro item que deve ficar bem claro é que existe um contrato de concessão entre o governo estadual e a RodoSol, com validade para 2023 e que não se verificando vícios por parte da concessionária, o ato de simplesmente extinguir a concessão levará esse a indenizar esta. A cláusula 28 do mesmo é bem clara nesse sentido. Só não espalhem que pode sim, existir um vício que pode não só desobrigar o governo estadual de indenizar a RodoSol, como inclusive a concessionária ter que ressarcir esse.

O segundo item é que nenhuma empresa pretende explorar a venda de um produto ou a prestação de um serviço sem esperar...Lucro. Se fosse assim, antes investisse esse dinheiro no banco ou no mercado de ações para ter algum retorno financeiro. Enfim, fiz questão de deixar isso bem destacado para que as pessoas pensem duas vezes antes de dizer que a tarifa de pedágio (serve para as tarifas de demais serviços públicos ou de tal caráter) deveria ser simplesmente para arcar com os custos de manutenção da mesma. Ora, não seria para isso que servem os impostos que deveriam bancar nossas estradas (e que no final, quando bancam, temos obras demoradas, caras, e de qualidade final duvidosa)? E independente de existir vício ou não no contrato de concessão, será que a RodoSol está caminhando para ser o bode expiatório da questão, ou como disse no título deste tópico, uma "Geni"? Estranho que nem de longe nos protestos contra o pedágio foi descarregada a mesma revolta contra a demora das obras da Segunda Ponte, os sucessivos atrasos nas obras de ampliação do Aeroporto de Vitória, a espera de mais de uma década para a conclusão das obras da Rodovia do Contorno (e o trecho já duplicado já apresenta problemas como falta de iluminação e o estado do asfalto), entre outros. Afinal, diferente do pedágio (paga este quem passa pela Terceira Ponte), tais obras são pagas com o dinheiro de quem paga impostos (tanto de usuários como de não usuários de tal infraestrutura). E pelo menos no que se refere ao aeroporto, tal obra possuía indícios de irregularidade. Mas claro, o problema é a Terceira Ponte...

Por fim o terceiro item é que, como dito em outras palavras na penúltima frase do parágrafo anterior, ninguém é obrigado a passar pela Terceira Ponte. Pelo menos quem tem veículo particular não pode falar que "o pedágio é um roubo". Afinal, que "roubo" é esse no qual você tem a livre e espontânea vontade (ou conveniência) de passar pelo "ladrão" e entregar os vinténs ao mesmo? Como eu digo para vários amigos meus que tem carro, quem não tá satisfeito em pagar o pedágio da Terceira Ponte (ou mesmo o da Rodovia do Sol, em Guarapari) tem a Segunda Ponte e as Cinco Pontes como alternativas. É claro que isso poderia aumentar o tráfego nas já congestionadas vias, mas nada que se programar e sair mais cedo de casa não seja capaz de contornar tal situação. Isso, levado às últimas consequências, poderia inclusive forçar a concessionária a rever para baixo o valor do pedágio. Ao menos em tese.

Poderia citar outros itens que devem servir de canalizadores para uma discussão mais racional sobre o assunto. Mas pretendo encerrar este tópico com o alerta de que substituir o pragmatismo pela demagogia pura e simples nisso pode trazer consequências bastante negativas para o Espírito Santo. Alguém teria coragem de investir em um lugar que diz "A" hoje e amanhã diz "B"? Eu não...

O feriado forçado, ou melhor dizendo, greve geral...

(Fonte da imagem: Folha do ES)
Na última quinta-feira (11/07), tivemos uma greve geral em que vários lugares do país foram atingidos, e o Espírito Santo não ficou de fora. Mas também podemos chamar isso de feriado forçado, uma vez que diferente da expectativa levantada por alguns, o "gigante" resolveu aproveitar a paralisação para descansar, afinal ficar acordado por muito tempo cansa e ninguém é de ferro. E apesar dos diversos bloqueios feitos em várias vias públicas e estradas, o nível de mobilização foi muito inferior se comparado ao mês passado. Se a intenção era fazer o povo se juntar a eles para lutar pelas causas que defendem, o mico foi certo.

Sobre o comentário da coluna "Praça Oito" de A Gazeta (vide link do parágrafo anterior), apenas discordo de um ponto levantado pelo Sr. Eduardo Fachetti. Segue abaixo trecho e a resposta vem depois:

"De modo geral, o que parece ter havido foi uma “depuração” da pauta horizontalizada e sem lideranças que explodiu em junho. Se antes os cartazes exprimiam desejo de mudança na política, fim do pedágio, escolas e hospitais “padrão Fifa”, menor carga tributária e mais qualidade de vida para o cidadão, agora os pedidos têm mais a ver com interesses classistas – e, muitos deles, com uma visão estatizante da estrutura pública. Aqui no Estado, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical encabeçaram o movimento. Foram às ruas pedir redução da carga de trabalho para 40 horas sem redução de salários, valorização das aposentadorias, reforma agrária, suspensão dos leilões de poços de petróleo e fim das concessões de rodovias.

 A “nova pauta” que foi para as ruas debaixo de chuva, ontem, incluía criação de uma universidade estadual, CPI do Transcol e da Rodosol, proibição da venda do Banestes e da Cesan (alguém estava cogitando isso, gente?) e até criação da Secretaria do Trabalho, da Mulher e da Juventude – na contramão dos pedidos, feitos há um mês, por enxugamento da estrutura estatal."

Não Sr. Fachetti, algumas pautas defendidas tanto pelos "contra tudo isso que está aí" como pelos sindicalistas só seriam possíveis se houvesse uma ampliação do papel do Estado. Isso para resolver questões de ingerência provenientes do...Estado. No caso dos "contra tudo isso que está aí" ainda existe o agravante de querer medidas comuns a Estados-babás ao mesmo tempo que se pede uma menor carga tributária (não é preciso fazer conta para saber que as duas coisas ao mesmo tempo não são possíveis).

Enfim, tanto os que fizeram "o gigante acordar" como os que pararam a Grande Vitória na quinta-feira pecam pelo mesmo motivo: achar que na condução eficiente das coisas públicas a forma deve ser diferente em relação às demais coisas. Não, não deve ser.

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