Anderson Silva, Kodak, Varig e EBX: o que eles tem em comum?

(Fonte da imagem: Combate)
Bom dia pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para comentar sobre o que a queda das três empresas citadas nesse título tem a ver com a derrota por nocaute sofrida pelo lutador de MMA Anderson Silva, após provocar demais (e sem agir de fato) seu adversário, o norte-americano Chris Weidman. Sorte de quem não ficou acordado até a madrugada para assistir a uma derrota ocorrida por um motivo tão bobo (ano passado fiquei até às 4 da madruga para ver o Cigano disputar o cinturão dos pesados com o Cain Velásquez e obviamente só passei raiva, mas faz parte). Mas pelo título e pelo que leram até agora, minha intenção não é falar de UFC nem de lutas em geral (apesar de que tenho uma ligeira vontade de praticar alguma arte marcial ou coisa nesse sentido), e sim sobre falar sobre as lições que podemos tirar deste infortúnio ocorrido com uma das lendas da maior franquia de lutas conhecida hoje. Como era de se esperar, puxarei um pouco de sardinha para o mundo dos negócios. E não, não esperem muitos devaneios por aqui.

Basicamente duas lições podem ser tiradas dessa derrota de Spider, e a primeira delas é que não se deve subestimar seus adversários. No caso do lutador brasileiro era seu adversário norte-americano, e no caso das três empresas citadas era o mercado e todos seus fatores (concorrência, mudanças na legislação, altos e baixos, expectativas dos acionistas, etc.). Se falarmos da Kodak e da Varig, poderíamos especificamente falar de miopia de marketing (algo tratado em um post do dia 25/11/2012), que pode ser resumida a uma visão curta de muitas empresas, impedindo-as de definir adequadamente suas possibilidades em seus setores. No caso das empresas de Eike Batista, que estão passando por sérios apuros nas últimas semanas, poderíamos atribuir isso às expectativas bem longe da realidade dadas pelo nosso Barão de Munchhausen Mauá do século XXI.

A segunda lição a se tirar é que eventualmente será necessário mudar a estratégia, mesmo ganhando. É bem provável que muitos fãs de lutas vão dizer que essa "subestimada" que Anderson Silva fazia com seus adversários era uma estratégia para desestabilizá-los e que isso era usado há vários anos e dava certo, e concordo com isso, até porque em todas as lutas que eu assisti dele ele volta e meia abaixava a guarda e ficava esquivando de um lado para outro como boneco de posto de gasolina no intuito de fazer seu oponente errar. A questão, é que como qualquer estratégia repetida à exaustão, uma hora alguém de entre os adversários de Spider iria estudá-la melhor e por que não, treinar uma forma de não fazer o jogo do lutador brasileiro. Provavelmente o Chris Weidman fez isso e mesmo não sendo necessariamente melhor que o Spider, por apenas ter entendido a fundo essa estratégia e a neutralizado, levou o brasileiro à lona e tomou o cinturão.

Algo semelhante vale para o mercado. No caso da Kodak, se tivessem optado por ter entrado de cabeça no mundo das câmeras digitais em vez de continuarem apostando nas máquinas e materiais da fotografia tradicional (que eram excelentes, tenho várias fotos minhas armazenadas em um papel da marca norte-americana) provavelmente não teriam pedido concordata. No caso da Varig, se tivessem percebido que não daria para oferecer jantar com louça e talheres em voos de classe econômica (segundo relatos de um amigo meu) enquanto suas concorrentes no máximo davam amendoim e água (especialmente depois da crise aérea pós 11 de setembro e do advento do conceito low cost com o surgimento da GOL em 2002), ela poderia ser mais uma opção no mercado até hoje. No caso da EBX, bem...Se simplesmente tivessem estabelecido metas mais realistas e realmente "matassem a cobra e mostrassem o pau (e a cobra morta, claro)", provavelmente o ex-oitavo homem mais rico do mundo não estaria agora com o pirex na mão para seus credores. Não dá para convencer que conseguiu algo apenas falando. Não por muito tempo.


Enfim, Anderson Silva, Kodak, Varig e EBX tem coisas em comum:

Ambos subestimaram seus adversários;

Ambos não mudaram suas estratégias por acharem que continuariam ganhando sempre;

Ambos foram ou estão sendo nocauteados.

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