Inflação estoura o teto da meta. De novo

(Fonte da imagem: Exame)
A inflação oficial do governo, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), anunciado hoje pelo IBGE, apresentou variação de 0,26% em junho, 0,11 ponto percentual abaixo da taxa de 0,37% registrada em maio. Em junho de 2012 a taxa havia ficado em 0,08%.

Considerando os últimos doze meses o índice foi para 6,70%, acima dos 6,50% referentes aos 12 meses imediatamente anteriores e acima do teto da meta, 6,50%. É o maior acumulado desde outubro de 2011 (6,97%). Com o resultado de junho, a variação no ano foi para 3,15%, acima dos 2,32% relativos ao mesmo período de 2012.

No Relatório de Inflação, divulgado na semana passada, o Banco Central reduziu sua projeção para o crescimento econômico em 2013 e elevou a de inflação para o mesmo ano. A projeção para a inflação em 2013 passou de 5,7% para 6%. Nessa semana, a expectativa do mercado, dada pelo Boletim Focus, para o IPCA subiu de 5,86%, em 2013, para 5,87%. A projeção para 2014 subiu de 5,80% para 5,88%.

Grupos

Em junho, o grupo habitação registrou variação mensal de 0,57% e impacto  de 0,08 p.p. (veja o desempenho de cada grupo na tabela no final da matéria). Alimentos, remédios e combustíveis tiveram forte influência no movimento descendente do IPCA de junho, segundo o IBGE.

O grupo alimentação e bebidas continuou em desaceleração e registrou o menor resultado desde julho de 2011, quando ocorreu deflação de 0,34%. Apesar de, pela quinta vez consecutiva o grupo ter ficado abaixo do mês anterior, o primeiro semestre fechou em 6,02%, acima dos 3,26% do primeiro de 2012.

Os transportes exerceram forte pressão no índice do mês, segundo o IBGE – o grupo passou da deflação de 0,25% para a alta de 0,14%. No grupo, o item combustível registrou queda de 1,67% e impacto de 0,08 ponto negativo. As tarifas dos ônibus urbanos lideraram os impactos em junho, segundo o IBGE, com 0,07 ponto percentual, tendo alta de 2,61%, enquanto, em maio, haviam caído 0,02%. Houve também pressão das passagens aéreas e das tarifas dos ônibus intermunicipais.

No grupo saúde e cuidados pessoais, a principal influência veio dos remédios. Com preços estáveis em junho, após terem aumentado 1,61% em maio, os remédios, refletindo o reajuste de abril, segundo o IBGE completaram alta de 4,79% no primeiro semestre do ano, acima dos 3,33% do ano anterior. [...]

Fonte: Exame

NOTA: Considerando que mesmo com a retenção dos aumentos a inflação rondava o teto da meta, era de se esperar que ao se retirar esse "impedimento" a alta generalizada dos preços voltasse a ser maior que o esperado. E como dito num post do dia 24/04, o fato de já ser anunciado que nem no ano que vem a inflação voltará a um patamar próximo ao centro da meta também não ajuda para este ano, nem para o próprio ano de 2014, como explicado na questão da inflação inercial. Mantega e Tombini terão muito trabalho pela frente se quiserem fechar o ano com os 6% que pretendem. Ainda mais se pensarmos que agora o câmbio está trabalhando CONTRA eles.

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