Fora Casão! Tá, legal, mas já sabem quem vocês querem colocar no lugar?

Quem você colocaria no lugar dele nesta cadeira? (Fonte da imagem: Revista Época)
Boa noite pessoal. Hoje pretendo utilizar o Minuto Produtivo para comentar sobre um tema que se tornou recorrente com o desenrolar dos protestos aqui no Espírito Santo: o inferno astral que vive o atual governador do Espírito Santo, Renato Casagrande. Na quinta-feira passada, 25/07, saiu o resultado de uma pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Nesta pesquisa, Casagrande é aprovado por 29% dos entrevistados e reprovado por 26%. É visto como regular por 40% e 5% das pessoas perguntadas não souberam ou não opinaram.

De fato, para um governador que quer tentar a reeleição no ano que vem e que parecia ter uma vitória praticamente assegurada até poucas semanas atrás, tal situação o leva para bem longe disso. É só pensar que aqui em Cariacica, o hoje ex-prefeito Helder Salomão tinha um quadro de aprovação, regularidade e reprovação muito semelhante. E não conseguiu emplacar sua sucessora, Lúcia Dornellas. Também não dá para afirmar (afinal, ainda falta pouco mais de catorze meses para a eleição e muita coisa pode mudar) apenas pela pesquisa que as chances de reeleição ou mesmo a carreira política de Casagrande estão acabadas, até porque temos cenários ainda mais tenebrosos para os governadores de Bahia, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul (confira aqui). Mas o fato é que a situação de Casagrande já não está mais confortável e tanto sua atuação nos mais de trinta meses de governo e na resposta (?) às reivindicações dos protestos (tudo bem, as causas não ajudam muito, e isso expliquei aqui)  não ajudam em sua imagem. Ou seja, é perfeitamente possível entender por que muitas pessoas, e pasmem, até mesmo alguns governistas chateados resolveram engrossar o coro "Fora Casagrande!". A questão, não só pelo título, mas pelo que irei apresentar nos tópicos a seguir, não é (só) a saída do atual governador. É quem, por acaso, toparia de ocupar a vaga dele.

Antes de tudo, um breve resumo de seu governo (!)

Antes de claro, colocar as cartas do jogo na mesa, pretendo fazer um breve resumo da eleição e dos mais de trinta meses de governo do Big House:

Eleito com pouco mais de 82% dos votos, Casagrande assumiu o poder em 2011, começando o mandato no mesmo clima de "pax capixaba" que seu antecessor, Paulo Hartung, resolveu deixar (diga-se de passagem, apesar de ter sido um "plano B" de Hartung, Casagrande teve toda a bênção possível de seu antecessor, politicamente falando). Talvez justamente por isso que em muitas coisas o atual governador resolveu apenas dar continuidade aos programas iniciados pelo seu antecessor. Às vezes com o mesmo nome, às vezes mudando-o.

Pois bem, a partir daí que começa os problemas. Não há nada de errado, e é na verdade uma ótima ação que o atual gestor, seja prefeito, governador ou presidente dê continuidade a certas políticas de antecessores (caso elas estejam corretas). O porém é quando o atual gestor se resume apenas a continuar o que foi feito pelos seu(s) antecessor(es), sem ao menos tentar dar alguma "cara" própria enquanto está no comando. É mais ou menos nesta situação que está Renato Casagrande. Quase todos os principais projetos tocados no atual governo são nada mais nada menos que heranças da gestão de Paulo Hartung. É difícil apontar alguma política que se possa dizer que é novidade do atual governador. Para não dizer que não há nada de inédito, poderíamos citar o Proedes, que é basicamente um remendo às perdas financeiras que o nosso estado passa(ria) a ter com a perda dos royalties e o fim do FUNDAP, o Estado Presente, que é um programa bem intencionado, mas tenho dúvidas em relação à eficácia do mesmo no combate à violência e o Incluir, um programa voltado para a área social. Mas o fato é que Casagrande se enquadra em uma das duas alternativas: ou até faz algo, mas não convence; ou até agora não mostrou a que veio. Ou ambas.

Mesmo em tal situação, e lembrando que nossa situação na segurança pública (continuamos a figurar entre os estados mais violentos do Brasil), educação (no último Ideb o ES foi um dos nove que pioraram a nota na avaliação) e saúde (o caso do hospital São Lucas é um exemplo bem atual disso), se me perguntassem quem seria eleito para o ano que vem eu diria que teríamos de novo o Casagrande, uma vez que no cenário atual é difícil apontar uma alternativa razoável a suceder o atual governador. Mas a forma como ele está administrado a situação dos protestos que quase que semanalmente param a Grande Vitória e o desenrolar do que se transformou a "Geni" das manifestações (o pedágio da Terceira Ponte, como dito em um post do dia 13/07) acabaram tornando as possibilidades de reeleição do nosso Big House muito mais complicadas.

Como vocês perceberam, meu ponto de vista sobre o atual governador é que ele não é a catástrofe que muitos pintam (principalmente alguns manifestantes mais exaltados) mas também não é nem de longe o Messias que promete trazer o paraíso na terra para nosso estado (até porque quem tentou ao menos imageticamente fazer isso foi outro). Enfim, um governador mediano. Já tivemos gente melhor e gente pior que ele no comando do Espírito Santo.

Mas vamos supor que você continue insatisfeito com minha explicação neste tópico e ache que eu esteja babando ovo do Casão, e quer porque quer ele fora do Palácio Anchieta depois de 31/12/2014. Entendo, é normal sua indignação, mas...

Quem vocês querem no lugar?

Bem, tal pergunta pode parecer uma ducha de água fria nos mais exaltados que querem praticamente a qualquer custo que o Casão deixe o Palácio Anchieta ao final de seu mandato. E na verdade pode acabar sendo mesmo. Até porque o cenário que se aproxima na sucessão do governo estadual em 2014, se levarmos em conta o quiproquó das últimas semanas, pode ser qualquer coisa, menos animador e convidativo para o eleitor comparecer nas urnas em outubro do ano que vem. E antes que entendam isso como uma convocação para o voto nulo, saiba que essa é definitivamente a última opção a ser escolhida. Na verdade, diria até que é a pior das opções, uma vez que sempre terá alguém que "fure" e resolva votar em alguém. E mesmo se todos votassem nulo, bastaria os candidatos votarem neles mesmos, teríamos um empate, os candidatos mais velhos iriam ao segundo turno, novo empate, o mais velho seria eleito e a vida segue (no empate de votos a idade é critério de desempate).

Esclarecimentos sobre voto nulo a parte, a sucessão no Palácio Anchieta já foi tema de comentários neste blog, como neste post do dia 17/02. Claro que com a mudança de cenário ocorrida nos últimos meses irei fazer diversas mudanças no que foi dito naquele dia, mas até certo ponto estas se resumem a novas cartas no baralho, como vocês verão a seguir. As cartas que já estavam na mesa continuarão até "segunda ordem".

A primeira alternativa a Casagrande é o retorno de Paulo Hartung. Mesmo fora do poder há mais de dois anos o ex-governador possui uma influência política muito forte no Espírito Santo, ainda que não tenha a mesma "unanimidade" de quando ainda estava no governo (as eleições municipais do ano passado são demonstração clara disso). Além disso, mesmo com situações ainda não totalmente esclarecidas (confira aqui uma delas), Hartung ainda possui uma imagem de bom gestor, pelo fato de ter reequilibrado as contas públicas entre 2003 e 2010. Só resta saber de qual partido ele buscaria a candidatura, se seria o PMDB ou se migraria ao PSDB para tentar voltar ao comando do Executivo estadual.

Outra opção seria Magno Malta. Apesar de seu partido (PR) ter perdido muita força nas últimas eleições (o caso de Vila Velha foi, digamos, emblemático), ele continua com bastante visibilidade, principalmente entre o eleitorado evangélico (lembrando que somos proporcionalmente o estado com maior participação deste grupo religioso no país). Além disso, ele consegue se catapultar politicamente por engajamento em causas de impacto, como o combate à pedofilia, a redução da maioridade penal e a questão dos royalties. Não que tais causas não sejam relevantes para o Brasil, mas basicamente sua carreira política se resume a isso. É difícil se lembrar de algo expressivo que nosso senador fez para nosso querido Espírito Santo nos últimos dez anos.

Outra alternativa seria Ricardo Ferraço. Outra figura bastante conhecida na política capixaba, Ferraço (que agora é senador) foi uma figura importante no governo Paulo Hartung. Foi secretário de Agricultura no primeiro mandato do Messias e foi vice-governador no segundo mandato. Chegou a ser, inclusive, cotado para suceder Hartung, porém por razões, digamos, geopolíticas a nível federal, foi rifado para entrar no lugar Renato Casagrande (daí o motivo de dizer que o atual governador era um "plano B" do ex). Caso Hartung não vá para o PSDB e resolva voltar ao Senado em vez de voltar ao Palácio Anchieta, o cachoeirense pode ser uma alternativa ao Casão.

Mais recentemente, inclusive contrariando algumas informações fornecidas nos parágrafos anteriores, houve a entrada de uma carta nova no baralho da sucessão no governo estadual: a candidatura de Guerino Balestrassi. Presidente do Bandes desde o início do governo de Casagrande e recém-filiado ao PSDB, além de ter sido prefeito de Colatina entre 2001 e 2008, Balestrassi deixou o comando do banco de desenvolvimento do estado para concorrer ao Palácio Anchieta no ano que vem. E os tucanos aqui no ES estão buscando uma parceria com o PMDB, com o intuito de colocar Haroldo Rocha, ex-secretário de Educação no governo Paulo Hartung e foi candidato a vice-prefeito na chapa de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) nas eleições municipais em Vitória.

Agora, com base no parágrafo anterior, vejamos:

  1. A candidatura de Guerino Balestrassi pelo PSDB está confirmada. Logo, caso Paulo Hartung resolva mudar de partido ele, por razões óbvias, não concorrerá ao Palácio Anchieta. Restaria então o Senado para o ex-governador;
  2. Mesmo que Hartung resolva permanecer no PMDB, caso este resolva entrar com o vice na chapa liderada pelos tucanos, não é muito provável que ele queira entrar como vice, rifando Haroldo Rocha. Logo, restaria a mesma possibilidade do item 1;
  3. Supondo ainda que o PMDB queira disputar o governo estadual, eu apostaria as fichas na tentativa de retorno de Hartung ao Palácio Anchieta com mais facilidade em relação à uma candidatura de Ricardo Ferraço. Até porque o último ainda tem mais quatro anos no Senado antes de "tentar a sorte";
  4. Diante do desgaste que o Casagrande vem passando, nada impede do PT (que tem Givaldo Vieira como vice do atual governador) resolver "se rebelar" e também lançar um candidato ao governo estadual. Dou três palpites para esse caso: o ex-prefeito de Vitória João Coser (que pode tentar o Senado caso não tope esta empreitada), o ex-prefeito de Cariacica Helder Salomão e a deputada federal Iriny Lopes (uma candidatura feminina ao Palácio Anchieta de uma das maiores forças políticas do ES seria...Interessante);
  5. Sendo assim, a disputa eleitoral que pode vir para 2014 aqui no Espírito Santo seria: Renato Casagrande (tentaria a reeleição), Guerino Balestrassi, Magno Malta (ainda não é certeza, mas é provável que entre no jogo), algum candidato do PMDB (caso o partido não queira ser vice na chapa tucana, só restaria saber se entrariam com Paulo Hartung ou Ricardo Ferraço) e quem sabe um candidato do PT (caso vejam que o barco de Casagrande realmente vai afundar, resta saber se acertarei o palpite);
  6. Além disso, é bem provável que tenhamos um candidato do PSOL, outro do PRTB, outro do PCO e um do REDE (partido novo que a Marina Silva está tentando viabilizar). Neste último caso, o candidato a prefeito de Vitória nas últimas eleições Gustavo de Biase só não seria candidato a governador agora por conta do limite mínimo de idade, que é de 30 anos. Restaria a ele então se candidatar a deputado estadual (ou até mesmo deputado federal) e "tentar a sorte" em 2018.
Ok, e o que fazer então? O que você faria?

Diante deste cenário, a primeira sugestão que dou é que você sente e comece a chorar. A meu ver, não temos nenhum candidato que podemos olhar e dizer "olha, essa aqui é bom, vamos votar nele". A segunda sugestão é tomar uma dose de Engov (que pode ser cavalar dependendo do candidato que você escolha) e escolher quem pode ser o mais razoável para governar o Espírito Santo nos próximos quatro anos. Pode ser que isso te decepcione nesta postagem, mas nem sempre é possível escolher de forma idealizada. Um pouco de pragmatismo e de uma lógica voltada para a governabilidade (afinal, não dá para gerir um estado apenas com o Executivo) também é necessário para se tomar uma decisão melhor. Portanto, eu rechaçaria qualquer candidatura feita no estilo "sou o salvador da pátria, votem em mim que trarei o paraíso para o ES" ou ainda "vou mudar o estado e tirá-lo da mão de XYZ".

Provavelmente alguém possa vir me perguntar "Então quem você elegeria para governador?". Bem, como disse no parágrafo anterior, independente da escolha que eu venha a fazer eu precisaria de tomar alguns comprimidos de Engov para tomar tal decisão. Mas algumas coisas são certas: não votaria em alguém com discursos semelhantes aos do final do parágrafo anterior (o que me leva a descartar candidatos de partidos do item 6), não votaria em candidatos que usam a religião nem mesmo causas de impacto como mera plataforma de campanha (o que me faz descartar o Magno Malta), não votaria em candidatos de um partido que "pula do barco" quando a situação fica ruim, apenas se aproveitando de quem está no poder enquanto tudo vai bem (o que me leva a descartar candidatos presentes no item 4) e só votaria no Casagrande de novo se e SOMENTE se as demais opções não se apresentarem melhor nos debates que terão antes do certame de outubro do ano que vem. Portanto, se a votação fosse hoje ficaria na dúvida entre Guerino Balestrassi e um candidato do PMDB (caso este partido não resolva entrar com um vice na chapa do primeiro). E como disse antes, tal escolha não é porque tenho convicção de que um deles seja a melhor opção, e sim por se tratar da opção mais pragmática de substituir o Big House em 2014.

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