Seria Barack Obama o Eike Batista da política americana? Ou seria o Eike Batista o Barack Obama do mercado brasileiro?

Ambos prometeram. Ambos decepcionaram. (Fonte das imagens: Terra Economia e Global Research. Montagem feita pelo autor)
Pelo visto vocês já perceberam sobre o que irei falar. E para os leitores mais antigos deste blog, poderá haver algum estranhamento sobre o que será escrito mais adiante, uma vez que cheguei a dedicar o mesmo a comemorar a reeleição de Barack Obama à presidência dos EUA (clique aqui e aqui para conferir). Sim, alguns trechos do post de hoje vão ter um tom de mea culpa. Natural, até porque quem está por trás deste simples espaço na blogosfera pode cometer erros e eventualmente mudar de opinião (apesar de que isso ocorre raramente).

Como muitos já sabem, ontem, para variar foi um dia de terror para Eike Batista. As ações da OGX, empresa petrolífera do grupo EBXnic, caíram 40%, fechando o dia com uma cotação de R$ 0,30. Uma derrocada e tanta se pensarmos que em outubro de 2010 um pedaço da empresa custava mais de R$ 20. Ou seja, hoje, com apenas R$ 1, você poderia comprar um Freegells e com o troco das balas você poderia comprar uma ação de uma das empresas de nosso Barão de Munchausen Mauá do século XXI. E também é de conhecimento de muita gente que Barack Obama apenas aguarda um OK do Congresso para intervir na Síria. Para quem já foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz, seria algo totalmente trágico, se não fosse igualmente cômico. Na verdade se pensarmos nos principais fatos que marcaram a última semana de agosto além desses (deputado presidiário que teve seu mandato mantido, dólar caminhando para uma escalada sem controle, taxa Selic voltando a subir e o quiproquó com os médicos cubanos), dá para entender por que que o oitavo mês do ano recebe o rótulo de "mês do desgosto".

Não é preciso ler o título do post de hoje para saber que tanto o nosso "multiempreendedor" como o presidente que lideraria a "mudança" na maior potência do planeta tem muitas coisas em comum. Eike Batista ganhou muito dinheiro em cima de coisas que ele supostamente iria fazer (disse algo nesse sentido em uma postagem do dia 08/07) e uma vez que as coisas que supostamente iriam ser feitas não foram avante boa parte desse dinheiro simplesmente virou pó. Barack Obama ganhou um Nobel da Paz por algo que ele estava começando a fazer (a retomada da difícil pacificação do Oriente Médio e a redução dos estoques de armas nucleares foram alguns dos motivos para a premiação do atual presidente norte-americano), mas o tempo passou e o "promotor da paz, esperança e democracia" se viu envolto em acusações de uso indiscriminado de drones, questionamentos sobre a ação militar que ajudou os rebeldes na Líbia (sobretudo um de seus desdobramentos, que foi o ataque ao consulado americano em Benghazi), espionagem massiva (inclusive em aliados) e agora o anúncio de uma intervenção na Síria após um ataque químico com mais de 1400 mortos, supostamente atribuído ao regime ditatorial de Bashar Al-Assad. Seria precipitado de minha parte afirmar que todas essas ações estão em sua totalidade erradas (apesar de que o cenário ainda tempestuoso da Líbia após a "Primavera Árabe" deveria ao menos servir de alerta para Obama pensar duas vezes antes de tomar a decisão de intervenção, e lembrando que do lado dos rebeldes ao regime sírio estão grupos fundamentalistas islâmicos), mas para um líder político que prometia mudar a política belicista adotada no governo Bush, chega a ser um tanto incoerente e até mesmo decepcionante.

Outra semelhança existente entre o "chefão" da EBX e o "chefão" dos EUA é a imagem que ambos tinham e que foi mudada ao longo do tempo. Até um ano atrás Eike Batista era visto como um símbolo de sucesso e de empreendedorismo, tanto pela imprensa especializada em negócios como pela mídia em geral. Da mesma forma, Barack Obama era visto como um pacificador e como o presidente que salvou a economia norte-americana. Hoje a imagem de Eike é a de um aventureiro no mundo dos negócios que está fadado ao fracasso. E a de Obama pode ser qualquer coisa, menos a do "presidente da esperança". Claro que no último caso, a imprensa daqui demorou a fazer essa reavaliação da imagem do mandatário norte-americano, e ainda assim a faz com muita leniência e mais por causa da confirmação de que a espionagem massiva que falei no parágrafo anterior atingiu o Brasil. E lembrando que a "recuperação econômica" que a nação mais rica passou sob o governo Obama ainda não está consolidada.

Enfim, poderia citar outras semelhanças entre o nosso "multiempreendedor" em decadência e o "pacifista" que está a um aval do Congresso de despejar mísseis e bombas na Síria, mas basicamente essas já são suficientes. Muita imagem e discurso para pouca realidade.

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