A queda da PetroChina: sinônimo da queda do capitalismo de estado chinês? Ou: não Petrobras, você não está sozinha

(Fonte da imagem: Infomoney)
Os dias de grandes gastos da PetroChina podem ter terminado, à medida que a gigante estatal de petróleo da China busca afastar o legado do ex-presidente Jiang Jiemin, agora oficialmente investigado por corrupção. Em meio aos escândalos, a petrolífera, que se tornou a primeira companhia a valer US$ 1 trilhão, perdeu mais de US$ 768 bilhões de valor - praticamente o equivalente à economia da Holanda - desde 2007.

Em 28 de agosto, suas ações registraram, em Hong Kong, a maior queda em quase dois anos, uma vez que a ameaça de corrupção acrescenta ainda mais riscos a um negócio já afetado pelo desaquecimento da economia e os controles do governo sobre o preço do combustível.

O ex-presidente Jiang Jiemin, que saiu da PetroChina em março, foi demitido como diretor da agência reguladora de ativos do estado e está sendo investigado, informou a agência oficial de notícias Xinhua, em 2 de setembro. Cinco dias atrás, a PetroChina disse que afastou quatro gerentes sênior depois que as autoridades iniciaram o inquérito.

Jiemin foi nomeado presidente do conselho da PetroChina em maio de 2007 e presidiu a venda das ações na bolsa de Xangai por US$ 8,9 bilhões em novembro daquele ano, quando as ações da companhia superaram a marca de US$ 1 trilhão. Durante a presidência de Jiang, as ações da PetroChina despencaram 80%, ao passo que as da Chevron aumentaram 44% e as Exxon Mobil se valorizaram em 6,6%.

Durante a presidência de Jiemin, a PetroChina investiu quase US$ 16 bilhões em aquisições de ativos no exterior para satisfazer a demanda crescente da China. Entretanto, desde sua abertura de capital em Xangai, a receita líquida da empresa recuou em quatro dos últimos seis anos.

Fonte: Infomoney

NOTA: Esse é um caso que poderia ser muito bem o da Petrobras (na verdade, quase é), mas podemos traçar alguns paralelos:
  • A China é um país que adota um modelo capitalista de estado, com forte participação dos agentes públicos na economia, seja por meio de estatais, seja pela seleção de "campeões nacionais". O Brasil também;
  • A China vem passando por um período de desaceleração da economia. O Brasil também;
  • A China vem passando por um momento em que a percepção da corrupção é crescente. O Brasil também;
  • A China começa a dar sinais de que alguns setores de sua economia estão "inflados". O Brasil também;
  • E por fim, a China tem uma de suas principais estatais de franco processo de queda. O Brasil também.
O resto é apenas exercício de "ligue os pontos".

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