Mercedes-Benz de volta à fabricação de automóveis no Brasil. Em 2015

(Fonte da imagem: Sabetudo)
Uma década e meia depois de ver frustrada sua primeira tentativa de produzir automóveis no Brasil, a Mercedes-Benz está pronta para construir uma nova fábrica de carros no país. O presidente da montadora no Brasil, Philipp Schiemer, confirmou ontem que o empreendimento estará pronto em 2015. O local ainda não foi definido. A empresa ainda está em dúvida entre os Estados de São Paulo e Santa Catarina. Mas Schiemer já revelou qual será o primeiro modelo a ser produzido no país: o GLA, um jipe prestes a ser lançado na Europa. Numa segunda fase, a empresa produzirá automóveis da linha de sedãs da chamada Série C, a mais vendida no mercado brasileiro. [...]

Se optar por Santa Catarina, a Mercedes será vizinha de sua concorrente BMW, que está em plena fase de construção de uma linha em Araquari, no norte catarinense. No caso da Mercedes, São Paulo, contudo, tem peso importante na decisão, já que a montadora tem uma relação histórica com o Estado, onde produz caminhões e ônibus há 60 anos. Duas cidades do interior paulista são avaliadas.

A montadora estuda locais próximos da capital do Estado, o que inclui a região onde estão instaladas as fábricas da Hyundai, em Piracicaba, e da Honda, em Sumaré. Já em Santa Catarina, a região de Joinville é a principal candidata.

Segundo Schiemer, a nova fábrica terá capacidade de 30 mil veículos por ano e inicialmente dedicará toda a produção ao mercado interno. O número coincide com as previsões da BMW para sua fábrica e também reflete a expectativa das duas montadoras de que o mercado de carros de luxo deverá crescer.

As três marcas que concentram as vendas nesse segmento - Mercedes Audi e BMW - vendem hoje em torno de 50 mil unidades por ano. Schiemer não parece preocupado com o futuro da economia do Brasil. "Nossa fábrica de automóveis é um investimento para o longo prazo", diz.

O cálculo de capacidade de produção da futura fábrica também considera vantagens tributárias. Os benefícios fiscais previstos no novo regime automotivo levam em conta a quantidade de peças compradas no mercado local. Mas para as linhas de baixa escala - com capacidade inferior a 35 mil carros por ano -, essa política concede níveis de conteúdo local mais confortáveis, desde que a empresa cumpra com investimentos mínimos estipulados pelo governo.

Com a expectativa de que Audi também volte a produzir automóveis no país, o Brasil recuperará, em breve, o seu parque industrial da chamada categoria "premium". Mas tanto Audi como Mercedes já passaram por experiências frustradas. A Audi deixou de produzir o A3 por não conseguir levar ao Brasil as novas gerações do modelo alemão. Mesmo assim, a fábrica onde o A3 era produzido, em São José dos Pinhais (PR), continuou a operar porque era compartilhada com a Volkswagen.

Já a história da fábrica da Mercedes foi mais complicada e polêmica. O projeto mal sucedido de Juiz de Fora (MG) arrastou-se durante anos. Os operários passaram boa parte do tempo afastados. Por fim, a empresa optou por adaptar a fábrica à produção de caminhões. Não é à toa, portanto, que o anúncio da futura fábrica está agora cercado de cuidados. Os alemães não querem errar duas vezes.


NOTA: Será uma ótima notícia caso o retorno da Audi e da Mercedes à produção local de veículos signifique valores mais em conta para os veículos premium que antes importados, passarão a ser fabricados aqui (além de claro, gerar vários empregos diretos e indiretos às cidades onde elas estarão instaladas, o que já seria muito bom). E foi uma pena a fábrica de automóveis da estrela de três pontas não ter dado certo na primeira vez, visto que o Classe A (a minivan, não o hatch pseudojovem) era um carro bastante completo para os padrões nacionais (inclusive em relação aos seus concorrentes). De qualquer forma, boa sorte para a Mercedes.

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