O Estado precisa existir, mas não assumir a sua paternidade

Bem meus caros, aqui quem vos fala é Vinicius Littig. Não ando postando muito pois ando cheio de projetos pessoais, mas como arrumei espaço para ter um blog pessoal, nada mais justo que fazer uma postagem por aqui também, por que não? Retirei então um de meus textos deste novo projeto onde coloco textos sobre meus pensamentos políticos e filosóficos. Espero que apreciem.

"Na última postagem falei sobre como a ignorância popular torna necessário o poder - o controle de alguns sobre outros. Tão inevitável e tão natural. Mas como se dá essa representação de poder?

Pode acontecer de várias formas. Onde existir uma hierarquia, haverá poder. Seja na família, onde os mais velhos tendem a exercer o papel de cabeças, ou seja em uma empresa, onde os cargos executivos controlam o papel dos seus subordinados. A hierarquia é necessária para estabelecer a ordem de poder - quem obedece a quem. Aqueles com papéis de liderança e representação mais importantes detém os cargos mais altos. E, notem que, em qualquer hierarquia, quem está no patamar mais baixo é quem detém menos conhecimento útil.

Aplicando essa hierarquização a um nível que englobe toda a sociedade, chegamos ao estado. Ele que controla a justiça, a execução das leis e redireciona o dinheiro de nossos impostos (ou assim deveria fazer se tivéssemos líderes decentes). Mas qual é a função dele? É essa a pergunta que cria lados políticos e diversas definições nas enciclopédias da vida. Chegando a uma resposta filosófica pessoal, eu defino a função do estado como garantir a liberdade individual das pessoas e assegurar, através de leis e execução das mesmas, que todos possuam as mesmas oportunidades dentro da sociedade, alcançando então um estado harmônico. Só.

O estado precisa ser mínimo, mas deve ser mais forte que a mais forte empresa - isso é óbvio, senhor liberal, já que uma empresa mais forte que o estado poderia simplesmente descumprir suas ordens, por exemplo desconsiderando leis trabalhistas essenciais. Infelizmente, seja na relação estado-cidadão ou na relação CEO-operário, se há a oportunidade do mais forte abusar do mais fraco, ele fará isso. Capitalismo selvagem não é a resposta. É justamente a presença dos dois que equilibra a sociedade.

Ao mesmo tempo, o estado precisa garantir que todos possuam as mesmas oportunidades, e não DAR as mesmas oportunidades, senhor esquerdinha. Não que pobre seja pobre por opção - eu sou pobre e não estou nessa condição simplesmente porque quero. Aliás, a pobreza nem deveria existir. Só que o estado não pode ser seu papai e dar tudo de mão beijada. Nada é de graça e o dinheiro de seus impostos que alimenta tais políticas sociais. A desigualdade social que o capitalismo gera pode ser resolvida de outras formas sem precisar acabar com o capitalismo, e falarei disso mais para a frente.

Ao sintetizar a função do estado, encontramos uma deficiência de nosso atual modelo democrático: em uma democracia, todo o povo tem direito a participação política, e com certeza essa é a melhor forma de escolher os líderes - monarquistas, por favor, sem encher o saco achando que uma pessoa "nascida para governar" mereça a liderança só por causa de sua linhagem sanguínea. Mas, se sabemos que as grandes massas são ignorantes, por que deixamos que elas escolham nossos líderes? Não é óbvio que se os ignorantes escolherem - e escolhem, pois é a maioria dos votos que ganha a eleição - quem subirá ao poder tem grandes chances de também ser ignorante?

Não, caro leitor. Não estou dizendo que seres estúpidos não devam ter acesso à sua cidadania (apesar de, nos meus íntimos pensamentos ditatoriais, imaginar algo semelhante). Todos possuem o direito de ser cidadão, que não é conquistado apenas pelo voto. Participar de sessões públicas e reivindicar melhorias para sua cidade, estado ou nação também são formas de ser cidadão - não que para uma pessoa idiota por opção isso mude alguma coisa, só estará sendo ignorante de outras maneiras. Só que, hoje, qualquer um pode ser líder e qualquer um pode votar. Que tal, como solução, termos provas para poder retirar o título de eleitor, tornando a eleição algo facultativo? Ou exigir mais de nossos líderes: que passem em concursos públicos dificílimos, que tenham ensino superior em sua área de atuação e coisas do gênero? A presidência, apesar de toda pompa, também é um emprego como qualquer outro.

Bem, desculpem pelos devaneios. É normal, quando falo de algum assunto, estender os braços para o lado e encontrar ramificações de assuntos pertinentes para citar.

Enfim, para finalizar, gostaria de dizer que o estado não é nosso pai, mas precisa estar presente para a boa regulação da sociedade. Anarquia, de qualquer forma, é UTOPIA. Mas sua presença em demasia é danosa. Mais para a frente falarei o que acho sobre os serviços estatais. Até lá."

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