Para o HSBC, Brasil é o latino-americano mais vulnerável à saída de capitais

(Fonte da imagem: Vallanza)
As saídas maciças de fluxos que ocorreram entre o início de maio e 18 de setembro destacaram as vulnerabilidades dos bônus dos países emergentes. O adiamento do início da redução do programa de compras de ativos pelo Fed (banco central americano) deu temporariamente um alívio para os mercados, mas o cenário de turbulência para os emergentes pode voltar em 2014. A equipe de Global Research em estratégia de renda fixa do HSBC analisou em estudo os emergentes mais e menos vulneráveis a saídas de capital quando a redução dos estímulos chegar.

De forma geral é intuitivo imaginar que os países que mais receberam capital são aqueles que mais sofrerão com as saídas, mas isso não é inteiramente verdade, diz o estudo. Apesar da alta correlação dos "yields" (retornos) dos títulos de dívida locais e os Treasuries americanos, uma grande proporção dos retornos dos papéis dos emergentes é explicada por fatores cambiais, diz o HSBC. Assim, países com posições externas fracas, grandes déficits fiscais e/ou baixos níveis de adequação de reservas cambiais, como Índia, Brasil, África do Sul e Turquia, estão sob maior risco de viver um episódio de saídas bruscas de recursos.

Por outro lado, mercados com moedas estáveis e melhor dinâmica macro, como República Tcheca, Polônia, Cingapura, Coreia do Sul e Peru, deverão mostrar mais resiliência.

O desempenho das moedas locais provavelmente é o fator mais importante para os investidores globais, quando se trata de alocação em bônus governamentais locais. O HSBC mostra que os retornos históricos em títulos de emergentes revela que os ganhos cambiais explicam 88% dos retornos totais (em dólares). A alta correlação é devido ao fato de que os "yields" dos bônus tendem a seguir a oscilação das moedas.

Na América Latina, o câmbio parece ser o grande fator de impulso dos fluxos, com exceção do Peru. Um modelo do banco sugere também que é a volatilidade da moeda o que importa para os fluxos. O estudo diz que "em parte a relação causal de movimentos cambiais com títulos em moeda local está relacionada com a tendência inicial dos investidores em cobrir a exposição cambial durante períodos de volatilidade ao invés de reduzir títulos de renda fixa". [...]

Os dados do HSBC indicam que na América Latina os estrangeiros aumentaram sua exposição significativamente em Brasil, México, Peru e, em menor grau, Colômbia e Chile. Em termos nominais, o México e o Brasil foram os países que mais receberam fluxos nos três QEs (desde 2010): US$ 59 bilhões e US$ 56 bilhões, respectivamente.

Mas o Brasil é, na América Latina, o país mais vulnerável a reversões quando ressurgirem as discussões em torno do "tapering" (redução de compras pelo Fed) - enquanto a participação estrangeira no mercado é relativamente baixa, seu tamanho absoluto é grande. Os influxos passados foram influenciados pelo grau de investimento (setembro de 2009) e pelos altos juros reais (dos maiores entre os emergentes).

Segundo o HSBC, quando a redução das compras do Fed se tornar realidade, os países terão que "competir por um pool de fundos escassos e os vencedores serão os países que têm fundamentos fortes". Na América Latina, ganham Peru, México, Chile e Colômbia.


NOTA: Evidências para concluirmos que perdemos uma grande oportunidade de sustentar nosso crescimento econômico por mais tempo não faltam, e esta é apenas mais uma. E considerando que no próximo ano teremos eleições e sediaremos um evento mundial de grande porte, não há motivos para não acreditar que uma crise cambial semelhante a de 2002 aqui no Brasil (lembrando que o episódio da escalada da cotação do dólar naquele ano teve início no segundo semestre de 2001) possa se repetir.

Confira uma postagem de 27/08: Emergentes em crise?

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