El País, Eliane Brum, "rolezinhos" e o coitadismo social. Ou: a ordem pública é irrelevante?

(Fonte da imagem: Estadão)
Boa tarde pessoal. No primeiro sábado deste mês postei neste blog um comentário sobre a coluna de Gabriel Tebaldi, do jornal A Gazeta, que criticava duramente a tese coitadista emplacada após o incidente ocorrido no Shopping Vitória na tarde do dia 30/11. Por motivos diferentes, incidentes semelhantes vem acontecendo em shoppings da Grande São Paulo e pelo que parece a colunista Eliane Brum da edição brasileira do jornal espanhol El País, resolveu ser um eco desta tese. Seguem trechos da coluna, cada um com comentários.

"O Natal de 2013 ficará marcado como aquele em que o Brasil tratou garotos pobres, a maioria deles negros, como bandidos, por terem ousado se divertir nos shoppings onde a classe média faz as compras de fim de ano. Pelas redes sociais, centenas, às vezes milhares de jovens, combinavam o que chamam de “rolezinho”, em shopping próximos de suas comunidades, para “zoar, dar uns beijos, rolar umas paqueras” ou “tumultuar, pegar geral, se divertir, sem roubos”. No sábado, 14, dezenas entraram no Shopping Internacional de Guarulhos, cantando refrões de funk da ostentação. Não roubaram não destruíram, não portavam drogas, mas, mesmo assim, 23 deles foram levados até a delegacia, sem que nada justificasse a detenção. Neste domingo, 22, no Shopping Interlagos, garotos foram revistados na chegada por um forte esquema policial: segundo a imprensa, uma base móvel e quatro camburões para a revista, outras quatro unidades da Polícia Militar, uma do GOE (Grupo de Operações Especiais) e cinco carros de segurança particular para montar guarda. Vários jovens foram “convidados” a se retirar do prédio, por exibirem uma aparência de funkeiros, como dois irmãos que empurravam o pai, amputado, numa cadeira de rodas. De novo, nenhum furto foi registrado. No sábado, 21, a polícia, chamada pela administração do Shopping Campo Limpo, não constatou nenhum “tumulto”, mas viaturas da Força Tática e motos da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) permaneceram no estacionamento para inibir o rolezinho e policiais entraram no shopping com armas de balas de borracha e bombas de gás."

Fica a pergunta para a colunista do El País: que classe média seria? Se for a do governo, em que um estagiário de nível técnico poderia ser enquadrado nesta "seleta" faixa da sociedade, arriscaria a dizer que tanto uma razoável parcela de quem vai as compras como uma parte significativa de quem pratica o rolezinho são da mesma classe social. Ou seja, só neste começo poderia muito bem ir pelo ralo a tese da "luta de classes", dando lugar a tese de um confronto de dois grupos distintos da mesma faixa da sociedade. Outro ponto, que foi deixado bem claro no texto é o intuito do "rolezinho": "'zoar, dar uns beijos, rolar umas paquera' ou 'tumultuar(sic), pegar geral, se divertir, sem roubos'". Como tido na postagem em que comentei a coluna de Tebaldi, independente de haver ocorrência de furto ou roubo, só o fato de haver tumulto já seria motivo suficiente para a necessidade da ação policial, uma vez que o tumulto poderia provocar incidentes/acidentes, com consequências fatais até (quando ocorre pisoteamentos e/ou atropelamentos). A propósito, além do combate ao crime, a função da polícia é também garantir a preservação da ordem pública, sendo isso garantido pela Constituição Federal inclusive. Ou esta deixou de ser relevante para Eliana Brum?

"Se não há crime, por que a juventude pobre e negra das periferias da Grande São Paulo está sendo criminalizada?

Primeiro, por causa do passo para dentro. Os shoppings foram construídos para mantê-los do lado de fora e, de repente, eles ousaram superar a margem e entrar. E reivindicando algo transgressor para jovens negros e pobres, no imaginário nacional: divertir-se fora dos limites do gueto. E desejar objetos de consumo. Não geladeiras e TVs de tela plana, símbolos da chamada classe C ou “nova classe média”, parcela da população que ascendeu com a ampliação de renda no governo Lula, mas marcas de luxo, as grandes grifes internacionais, aqueles que se pretendem exclusivas para uma elite, em geral branca."

Primeiro, esta afirmação sobre o objetivo "exclusivo" de um shopping dada pela colunista é discutível. Não pensando em shoppings de fato feitos para pessoas da elite, como era a Daslu, a maioria dos novos centros comerciais tem o seguinte objetivo, permitir que o usuário possa comprar nas lojas localizadas no mesmo com um nível de segurança sensivelmente maior em relação ao comércio de rua. E cá para nós, faria sentido um direcionamento de público para a maioria das lojas localizadas em um shopping? Não, de forma alguma. Até certo ponto, quanto maior o público e a gama de clientes a ser atendida, melhor.

Sobre desejar objetos de consumo, bem...Eu desejo ter um iPhone (ou Samsung Galaxy IV), um notebook com processador Core i7 com 8GB de memória e placa de vídeo dedicada, um terno de 3 contos que vi na loja da Brooksfield, um Audi A4 (afinal A3 é para os fracos) estacionado no stand da marca localizado no corredor do Shopping Vitória...Também conheço gente que desejaria namorar uma panicat (ou que sua namorada se produzisse ao ponto de parecer com uma, desde que só saíssem na rua juntos). Pois bem, o mínimo de vivência nos dá uma dura lição: querer é diferente de poder. E antes que me chamem de esnobe, vou repetir o que disse na postagem do dia 07/12: já fui muito pobre (e ainda sou, apesar de ter melhorado de vida nos últimos anos) e sei muito bem que não adianta ficar de "olho gordo" naquilo que gostaria de ter para de fato ter aquilo. Antes é necessário estudar, trabalhar, economizar dinheiro, às vezes abrir de alguma coisa que você normalmente faz (lanchar no final de semana, por exemplo) para finalmente comprar aquilo que deseja. Tomo por exemplo o meu notebook (e olha que nem é um topo-de-linha, é uma configuração praticamente "de entrada"). Para comprá-lo, tive que juntar praticamente todo o dinheiro que recebo como bolsista de iniciação científica durante quatro meses e finalmente pude comprá-lo. Enfim, fica evidente que o problema não está em relação ao fato de entrar ou não no shopping e/ou desejar bens de luxo, e sim em como fazer isso.

"Antes, em 7 de dezembro, cerca de 6 mil jovens haviam ocupado o estacionamento do Shopping Metrô Itaquera, e também foram reprimidos. Vários rolezinhos foram marcados pelas redes sociais em diferentes shoppings da região metropolitana de São Paulo até o final de janeiro, mas, com medo da repressão, muitos têm sido cancelados. Seus organizadores, jovens que trabalham em serviços como o de office-boy e ajudante geral, temem perder o emprego ao serem detidos pela polícia por estarem onde supostamente não deveriam estar – numa lei não escrita, mas sempre cumprida no Brasil. Seguranças dos shoppings foram orientados a monitorar qualquer jovem “suspeito” que esteja diante de uma vitrine, mesmo que sozinho, desejando óculos da Oakley ou tênis Mizuno, dois dos ícones dos funkeiros da ostentação. Às vésperas do Natal, o Brasil mostra a face deformada do seu racismo. E precisa encará-la, porque racismo, sim, é crime."

Vamos por partes: uma pessoa realmente preocupada em perder o emprego por conta de uma situação que possa gerar constrangimento para a empresa estaria disposta a se envolver em tal imbróglio? Isso me parece mais uma daquelas tentativas de transferência de culpa, em que no caso descrito pela colunista, a responsabilidade pela perda do emprego não seria mais de quem assumiu o risco de causar um tumulto no shopping por conta do "rolezinho" e sim...Da polícia! Se o emprego é tão importante é simples: não se envolva em situações que lhe comprometam e que possam comprometer a imagem de onde trabalha.

Sobre a tese de "racismo" que é praticamente empurrada goela abaixo pela colunista, vamos retomar ao primeiro parágrafo de seu texto. Temos que "a maioria" deles são negros e não "todos". Sendo assim, se analisássemos a abordagem de um grupo em si e não de cada indivíduo, seria leviano afirmar que houve racismo na ação policial, dado que o grupo não é composto por uma mesma raça. Mas vamos supor que "todos" que foram tratados como bandidos fossem negros. Mesmo assim continuaria enxergando como imprudente o posicionamento da Eliane Brum, uma vez que podem muito bem existir (e existem, ora bolas) negros que vão lá para fazer compras, passear ou apenas passar o tempo tranquilamente. Nesse caso, a ação policial para um grupo A e a não ação ao grupo B se deve à raça ou ao que eles fazem no momento? E sim, há muita diferença em ir ao shopping para comprar, comer na praça de alimentação, tomar uma casquinha ou apenas passear e ir ao shopping para promover tumulto, como ressaltado no texto da própria colunista.

"“Eita porra, que cheiro de maconha” foi o refrão cantado pelos jovens ao entrarem no Shopping Internacional de Guarulhos. O funk é de MC Daleste, que afirma no nome artístico a região onde nasceu e se criou, a zona leste, a mais pobre de São Paulo, aquela que todo o verão naufraga com as chuvas, por obras que os sucessivos governos sempre adiam, esmagando sonhos, soterrando casas, matando adultos e crianças. Daleste morreu assassinado em julho com um tiro no peito durante um show em Campinas – e assassinato é a primeira causa de morte dos jovens negros e pobres no Brasil, como os que ocuparam o Shopping Internacional de Guarulhos.

A polícia reprimiu, os lojistas fecharam as lojas, a clientela correu. Uma das frequentadores do shopping disse a frase-símbolo à repórter Laura Capriglione, na Folha de S. Paulo: “Tem de proibir este tipo de maloqueiro de entrar num lugar como este”. Nos dias que se seguiram, em diferentes sites de imprensa, leitores assim definiram os “rolezeiros” (veja entrevista abaixo): “maloqueiros”, “bandidos”, “prostitutas” e “negros”. Negros emerge aqui como palavra de ofensa."

Não muito a ver com o assunto, mas vamos analisar o trecho da música do MC Daleste que foi citado no texto. Primeiro que diferente do Uruguai, em que o Pepe Mujica resolveu estatizar a cadeia produtiva da maconha (legalizando-a por tabela), a droga ainda é ilícita no Brasil. E tirando aqueles que plantam a droga em casa para poder consumir, apologia ao consumo de drogas poderia ser muito bem entendida como...Vejamos? Apologia ao tráfico de drogas. E que eu saiba isso, assim como o racismo alegado pela Sra. Brum, é crime. Bem, já deu para perceber que o "rolezinho", além do tumulto (portanto, perturbação da ordem pública que deve ser inibida pela ação policial), faz apologia a um crime que, consequentemente é um crime. Alguém ainda tem alguma coragem em ver inocência em um "rolezinho"? Não nasci ontem, e creio que muitos dos leitores do El País bem como do meu blog não nasceram ontem também...Ah sim, sobre o MC Daleste, tem outras músicas de autoria dele que tem letras como esta obra-prima:

"Matar os polícia é a nossa meta
Fala pra nóis quem é o poder
Mente criminosa, coração bandido
Sou fruto de guerras e rebeliões
Comecei menor já no 157
Hoje meu vício é roubar, profissão perigo
Especialista, formado na faculdade criminosa
Armamento pesado, ataque soviético
É que esse é o bonde do mk porque
Quem manda aqui
É o 1 p e 2 c, fala pra nóis quem é o poder
Fala pra nóis quem é o poder"

Bem, alguém com o mínimo de senso e lógica teria coragem em tratá-lo como uma simples vítima, como a Sra. Brum tratou em sua coluna? Ou até continuaria tratando-o como vítima, mas como alguém que em suas músicas fazia apologia ao uso de drogas (como descrito na coluna), roubos e assassinatos, ou seja, promovia a violência? Enfim, a defesa não só de Daleste como a dos "rolezeiros" beira a vergonha alheia...

Sobre os comentários dos frequentadores do shopping, bem como dos leitores dos sites de notícias em geral, agora que consigo chegar a um ponto de concordância parcial com a colunista. Digo parcial porque salvo o uso da palavra "negros" como ofensa (que poderia ser enquadrado como racismo), os demais adjetivos podem, no máximo, serem considerados como preconceituosos e/ou discriminatórios, o que não deixa de ser repugnante. Mas tentar associar isso a racismo, como comentado no terceiro trecho do texto, me parece mais uma tentativa de obter comoção em torno de algo que não necessariamente existiu.

"O funk da ostentação, surgido na Baixada Santista e Região Metropolitana de São Paulo nos últimos anos, evoca o consumo, o luxo, o dinheiro e o prazer que tudo isso dá. Em seus clipes, os MCs aparecem com correntes e anéis de ouro, vestidos com roupas de grife, em carros caros, cercado por mulheres com muita bunda e pouca roupa. [...] . Diferentemente do núcleo duro do hip hop paulista dos ano 80 e 90, que negava o sistema, e também do movimento de literatura periférica e marginal que, no início dos anos 2000, defendia que, se é para consumir, que se compre as marcas produzidas pela periferia, para a periferia, o funk da ostentação coloca os jovens, ainda que para a maioria só pelo imaginário, em cenários até então reservados para a juventude branca das classes média e alta. Esta, talvez, seja a sua transgressão. Em seus clipes, os MCs têm vida de rico, com todos os signos dos ricos. Graças ao sucesso de seu funk nas comunidades, muitos MCs enriqueceram de fato e tiveram acesso ao mundo que celebravam."

Estranho um texto que critique tanto a exclusão social promovida pelos shoppings e que, ao mesmo tempo, defenda a lógica do "funk ostentação". Explico. Como dito no trecho acima, essa vertente do "pancadão" coloca os jovens, ainda que muitos só na imaginação, em cenários até então reservados para as "elites". Onde está a inclusão social? Pelo menos eu não me sentiria incluído se eu ganhasse apenas uma miniatura de Audi A4 para colocar numa estante ao invés de ganhar o carro de fato. E como também mostrado na coluna, apenas os MCs se beneficiaram, ficando ricos de fato e finalmente podem ostentar o que tem. E os demais, vão continuar só imaginando? Pensando na lógica esquerdista tão largamente ensinada em nossas escolas, eu diria que não existe nada mais "porco capitalista" que o...Funk ostentação. E pensando bem, nem mesmo Beethoven ou Vivaldi são tão "elitizados" assim.

"A resposta violenta da administração dos shoppings, das autoridades públicas, da clientela e de parte da mídia demonstra que esses atores decodificaram a entrada da juventude das periferias nos shoppings como uma violência. Mas a violência era justamente o fato de não estarem lá para roubar, o único lugar em que se acostumaram a enxergar jovens negros e pobres. Então, como encaixá-los, em que lugar colocá-los? Preferiram concluir que havia a intenção de furtar e destruir, o que era mais fácil de aceitar do que admitir que apenas queriam se divertir nos mesmos lugares da classe média, desejando os mesmos objetos de consumo que ela. Levaram uma parte dos rolezeiros para a delegacia. Ainda que tivessem de soltá-los logo depois, porque nada de fato havia para mantê-los ali, o ato já estigmatizou-os e assinalará suas vidas, como historicamente se fez com os negros e pobres no Brasil."

Bem, até onde sei, tentar restaurar a ordem em um local de acesso público, dentro dos limites previstos em lei, não é resposta violenta, e sim uso legítimo da força, pelos motivos explicados em comentários anteriores nesta postagem bem como no comentário que fiz à coluna de Gabriel Tebaldi na edição do dia 07/12 de A Gazeta. E mais uma vez, os "rolezinhos" pelos mesmos motivos que apresentei nesta postagem, podem ser diversão para quem os pratica, não para quem quer o mínimo de conforto e segurança ao ponto de optar um shopping em detrimento do comércio de rua. E como disse, desejo ter um notebook top de linha, um carro importado, um terno de marca que daria para comprar 10 ternos em qualquer loja de rua. Nem por isso junto uma turba aos berros de "eita porra, que cheiro de maconha" para entrar em um shopping. E se eles simplesmente não provocassem o tumulto não seriam estigmatizados. Ponto.

"Jefferson Luís, 20 anos, organizador do rolezinho do Shopping Internacional de Guarulhos, foi detido, é alvo de inquérito policial, sua mãe chorou e ele acabou cancelando outro rolezinho já marcado por medo de ser ainda mais massacrado. Ajudante geral de uma empresa, economizou um mês de salário para comprar a corrente dourada que ostenta no pescoço. Jefferson disse ao jornal O Globo: “Não seria um protesto, seria uma resposta à opressão. Não dá para ficar em casa trancado”.

Por esta subversão, ele não será perdoado. Os jovens negros e pobres das periferias de São Paulo, em vez de se contentarem em trabalhar na construção civil e em serviços subalternos das empresas de segunda a sexta, e ficar trancados em casas sem saneamento no fim de semana, querem também se divertir. Zoar, como dizem. A classe média até aceita que queiram pão, que queiram geladeira, sente-se mais incomodada quando lotam os aeroportos, mas se divertir – e nos shoppings? Mais uma frase de Jefferson Luiz: “Se eu tivesse um quarto só pra mim hoje já seria uma ostentação”. Ele divide um cômodo na periferia de Guarulhos com oito pessoas.

Neste Natal, os funkeiros da ostentação parecem ter virado os novos “vândalos”, como são chamados todos os manifestantes que, nos protestos, não se comportam dentro da etiqueta estabelecida pelas autoridades instituídas e por parte da mídia. Nas primeiras notícias da imprensa, o rolezinho do Shopping Internacional de Guarulhos foi tachado de “arrastão”. Mas não havia arrastão nenhum. O antropólogo Alexandre Barbosa Pereira faz uma provocação precisa: “Se fosse um grupo numeroso de jovens brancos de classe média, como aconteceu várias vezes, seria interpretado como um flash mob?”[...]."

Bem, não vou questionar a escolha do Jefferson por economizar um mês de salário para comprar uma corrente dourada que ostenta no pescoço, afinal o dinheiro é dele e ele faz o que bem entender, mas assim como em minha crítica ao "rei do camarote", não deveria ser prioritário economizar a grana para poder "ostentar" um quarto privativo em vez de um cômodo compartilhado com oito pessoas.

Sobre o final da coluna da Sra. Brum, bem o comentário do antropólogo Alexandre Pereira (que é praticamente uma introdução à uma entrevista, que não será transcrita nesta postagem), vamos por partes: em relação à comparação (esdrúxula, como boa parte do que foi dito no jornal espanhol) com os "manifestantes" nos protestos iniciados em junho, não queimar ônibus, tacar pedra em policiais, depredar patrimônio público e privado virou apenas "regra de etiqueta", tal como não comer de boca aberta ou usar o garfo em uma mão e a faca em outra? Me desculpe, mas não sei se acharia muito bom ver gente comendo com as mãos como acontece em algumas tribos indígenas no Amazonas, ou ainda achar que alguns povos podem se alimentar numa boa de outras pessoas, afinal, é apenas uma "regra de etiqueta"...Vou mais além: que tal visitar a Somália, um país que até pouco tempo não tinha "regras de etiqueta" (e pelo menos em seu mar territorial não tem, afinal os piratas mandam e desmandam por lá). Um país maravilhoso para aqueles que não gostam de "etiqueta" só que não.

E sobre a possibilidade levantada pelo Sr. Pereira, bem, se os jovens brancos de classe média promovessem tumulto, eu defenderia uma ação policial tal como foi feita para conter os "rolezinhos". E sinceramente? Em boa parte das situações os SE's não contam, e sim os FATOS. E o FATO é que houve tumulto provocado pelos "rolezinhos". O FATO é que os seguranças do shopping, dentro dos limites previstos em lei, devem agir para preservar a ordem no local, e se isto não for possível, chamar a polícia para que esta cumpra esse objetivo, que é previsto na lei máxima de nosso país. E o FATO é que tumultos possuem consequências imprevisíveis, às vezes com consequências fatais.

Encerrando

É lamentável que algúem use um espaço em um jornal conceituado como o El País para defender teses que vão contra qualquer noção de senso e de lógica. E o pior é que como o texto é como música para os mais progressistas, que vão ardosamente usar o fato de que isso não foi publicado em um "blog sujo" e sim em um site da edição brasileira de um dos maiores jornais da Europa. Quando as publicações não são tão favoráveis (como já vi em relação à crítica da mídia inglesa ao mau desempenho da economia nacional), normalmente dizem que são matérias da mídia de países falidos. Haja lógica seletiva.

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