Espionagem: todo mundo faz...E não é exclusividade dos governos

(Fonte da imagem: The Wall Street Journal)
Boa tarde pessoal. Como todos nós sabemos, 2013 ficou marcado pelas assombrosas descobertas em relação à espionagem praticada pela Agência Nacional de Segurança (NSA, em inglês) dos EUA, bem como sua ampliação no governo de Barack Obama. Neste meio-tempo, também houve descobertas quanto a práticas de espionagem da Rússia, França, e por que não, o Brasil. Enfim, o que eu digo sobre o assunto é o que está no título: todos espionam, em maior ou menor grau, de forma sofisticada ou mesmo rudimentar. E não é só os governos que fazem isso, como mostra esta notícia do Wall Street Journal. Segue abaixo. Volto para comentar.

"Um helicóptero decolou recentemente de um aeroporto nesta pequena cidade produtora de petróleo, sobrevoou instalações industriais e direcionou uma câmera de infravermelho para enormes tanques no solo.

Sua missão: coletar informações para Wall Street.

As imagens revelaram quanto petróleo havia em cada tanque e permitiram à Genscape Inc., a empresa que realiza os voos, prever com notável precisão o que seria publicado num relatório do governo americano sobre estoques de petróleo, capaz de movimentar os mercados. Operadores de mercado, ávidos por ter acesso de antemão a dados oficiais, estão dispostos a pagar um alto preço pela informação.

A Genscape é uma das pioneiras de um grupo cada vez maior de firmas usando sofisticadas tecnologias de espionagem e processamento de dados para fornecer a operadores informações não públicas sobre tópicos como estoques de petróleo, produção de eletricidade, atividade no varejo e volumes das safras.

As técnicas, que são perfeitamente legais, representam o avanço mais recente de uma prática antiga de Wall Street de adquirir qualquer ferramenta que possa lhe dar vantagem em negociações. Mas o alto custo de grande parte dessas informações — os relatórios da Gencape sobre estoques de petróleo, por exemplo, custam US$ 90.000 por ano — significa que algumas formas de negociação são dominadas apenas por empresas com recursos substanciais.

O diretor-presidente da Genscape, Matthew Burkley, diz que esse tipo de monitoramento traz transparência a mercados há muitos liderados pelas grandes petrolíferas. Embora algumas empresas de petróleo não estejam gostando da coleta de informações, diz, "ninguém pode nos impedir" de fazê-la.

Outras empresas também estão no setor. A Remote Sensing Metrics LLC, de Nova York, firmou parcerias com empresas de satélite, como a DigitalGlobe, do Colorado, para analisar as vendas de grandes redes de varejo, como a Lowe's e a Target, contando o número de carros em seus estacionamentos. A DigitalGlobe também usa satélites para avaliar lavouras e danos causados por desastres naturais. As imagens em infravermelho de fazendas em São Paulo, por exemplo, podem indicar quando o solo foi irrigado o que, geralmente, reflete a saúde da plantação.

Andrew Lo, professor de finanças do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, diz que os avanços da tecnologia podem tornar os mercados mais eficientes, mas também colocar em dúvida se eles são justos. "Isso pode tirar investidores menos informados do mercado", diz. [...]"

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É óbvio que é completamente fora de cogitação comparar as espionagens praticadas pelos governos e pelas empresas, uma vez que os objetivos são diferentes (apesar de a busca por vantagens competitivas é um destes que é comum a ambos) e que como demonstrado na reportagem, as práticas das empresas que fazem este monitoramento são legais, o que difere do que é praticado pelos governos que atuam à margem (quando não fora) da lei nesse sentido. Mas a reportagem evidencia uma ponderação feita no início desta postagem: todos, sempre que possível, buscam algum meio de obter informações de forma que possam se posicionar a frente de seus concorrentes. E como todos nós sabemos, informação possui um grande valor.

Não pretendo neste momento entrar no questionamento levantado pelo Sr. Lo sobre a ética e a justiça de tais práticas (apesar de que este é pertinente, uma vez que investidores menores, por exemplo, estariam em desvantagem no sentido de obter informações que os favoreçam, por não terem recursos que os permitam obter informações privilegiadas). Também não pretendo entrar no mérito de discutir sobre a prática da espionagem em si, mas na minha humilde opinião vejo qualquer tentativa de regular internacionalmente tal prática como inútil, uma vez que no cerne desta prática está atuar em torno (quando não fora) dos limites de qualquer regulação. Mas enfim, aprofundar nisso seria tema para várias outras postagens, que pretendo deixá-las para o ano que vem.

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