Gabriel Tebaldi detonando o coitadismo. Ou: quando os "conscientes sociais" passarão a usar o senso e a lógica?

(Fonte da imagem: Murilo Cuzzuol/divulgação A Gazeta)
Boa noite pessoal. Durante esta semana, um dos temas mais recorrentes nas redes sociais e na mídia, aqui no Espírito Santo (pelo menos, já que um dos blogs hospedados na Carta Capital resolveu dar uma desnecessária espetacularização a nível nacional), foi a confusão ocorrida no Shopping Vitória, quando para fugir de uma abordagem policial, um grupo de pessoas que estavam em um baile funk que ocorria no píer atrás do estabelecimento, resolveu entrar para se abrigar neste, causando pânico (você pode conferir a matéria sobre o ocorrido aqui). A ação policial para contornar a situação virou alvo de polêmicas e duras críticas da turminha de sempre, que acha que tudo pode ser resolvido com uma boa conversa e que os abordados sofreram "humilhações" em tal situação. Eu mesmo fiz comentários sobre a situação em meu perfil pessoal no Facebook, bem como em grupos de discussão e fui criticado pela mesma turminha. Até tive planos para comentar sobre o assunto durante a semana neste blog, mas optei por aguardar os desdobramentos em relação a isso, sobretudo o protesto ocorrido hoje à tarde em frente ao shopping contra a "criminalização do funk" (?). Hoje, o colunista Gabriel Tebaldi, de A Gazeta, resolveu comentar sobre o assunto, e digo que vale a pena conferir. Vou compartilhar alguns trechos do mesmo por aqui, e comentá-los.

"No último sábado, o Shopping Vitória foi palco de cenas que espalharam o medo entre os clientes e atiçaram o faro ideológico dos que sequer passaram por lá. À frente do estabelecimento acontecia um baile funk, e quem lá estava relatou a circulação de drogas, de pessoas armadas e dezenas de menores de idade. Devido a brigas, a Polícia Militar foi chamada. Quando chegou, o “quem não deve, não teme” foi ignorado e cerca de 40 jovens correram para o shopping. As palavras são de um cliente: “Eles entraram correndo, gritando e empurrando quem estava pela frente. Alguns pareciam fugir. Outros aproveitaram para roubar os clientes”.

É fato que todo shopping é uma bomba relógio. A sensação de segurança é tão frágil quanto a impossibilidade de se chegar rapidamente a uma saída. Assim, a “ação e reação” é imediata: tumulto gera tumulto e correria, mais correria. Logo os lojistas fecharam as portas, e a PM entrou no local.

Os envolvidos foram detidos, postos em fila e sentados no chão. Recuperaram-se pertences, os clientes aplaudiram e vídeos foram para a internet. Pronto: era a isca para os ideólogos lançarem suas análises."

Bem, não posso afirmar se houve ou não houve arrastão ou roubo no shopping, até porque o shopping negou de pé junto tal situação. Mas quer saber a diferença que faria isso na necessidade ou não da ação policial? Nenhuma. Como dito na coluna e como qualquer pessoa com o mínimo de senso e de lógica concluiria, uma entrada repentina e desordenada de um grupo de pessoas em um local fechado pode gerar tumulto, pânico, correria, situações que podem muito bem levar a uma tragédia, com pessoas morrendo pisoteadas ou atropeladas. Ou seja, estamos diante de uma situação de emergência, com necessidade de ação imediata para conter a situação.

É claro que muitos vão insistir na tese de "preconceito" como crítica a abordagem policial, mas vamos mais uma vez a um exercício de lógica elementar: se pessoas pertencentes a um grupo A originaram uma dada situação, por que cargas d'água a polícia buscaria interceptar pessoas pertencentes a um grupo B, C,...,Z? Mais uma vez, crítica sem fundamento: a policia buscou agir contendo as pessoas do grupo (ou semelhantes) que provocou o tumulto.

"O colunista Douglas Belchior, da Carta Capital, soltou a pérola: “Corpos negros no lugar errado”. Seu texto chega a ser engraçado. Observe: “O que se viu foram cenas clássicas de racismo. Nada além de corpo negro, em quantidade e forma inaceitável para aquele lugar, território de gente branca, de fala contida, de roupa adequada”.

Os ativistas do Movimento Negro falaram do caso com propriedade, mesmo não tendo presenciado a cena do shopping. Chamaram a polícia de “capitão-do-mato” e alegaram que os jovens só foram detidos porque eram negros, funkeiros e, em tese, malvestidos.

Contudo, a teoria racista (que mais parece complexo de inferioridade) deixa alguns questionamentos. O primeiro é lógico: se a polícia foi racista, todos os negros do shopping foram presos, certo? Um depoimento responde: “Sou negra, meu noivo é negro e vimos dezenas de jovens ameaçando os clientes. Acompanhamos tudo e não fomos abordados por sermos negros”."

Bem, vamos a foto que abre esta postagem, a mesma usada pelo Belchior em sua coluna da Carta Capital. Quantos negros estão sentados por conta da abordagem policial? Três. A maioria são brancos ou pardos. A propósito, quem estava em pé assistindo à situação? Brancos, pardos e...Alguns negros também. Só aí a tese de racismo cairia por terra. Mas vamos nos dar ao benefício da dúvida de que os policiais agiram por "preconceito". Segue a lógica de ação explicada no meu comentário anterior, que não tem nada a ver com preconceito.

"Para desmistificar a tese racista, basta observar que, no dia 15 de novembro, o funkeiro paulista Mc Lon visitou o mesmo shopping, atraindo centenas de fãs. Eram pelos menos 5 vezes mais que no último dia 30 e nem por isso a PM agiu ou alguém foi detido. O problema está nos “corpos negros” ou em como estes se comportam?

A terceira pergunta: os ativistas disseram que o centro comercial negou a existência de arrastão. Mas qual é o shopping que assumiria um arrastão às vésperas do Natal? A discriminação instiga: será que o racismo só existe de um lado? Muitos negros aplaudiram a ação policial. Disse isso, e ativistas disseram que esses eram “negros corrompidos pela mente branca”. Ainda me pergunto o que o Movimento diria se fosse criada a banda de pagode Raça Branca..."

Pois é. Isso não só quebra a tese de racismo como ainda torna raso o fundamento da "criminalização do movimento funk". A propósito, se o ritmo musical é visto tanto como algo "de segunda classe", por que a mídia (no caso, a TV) dá tanto espaço para funkeiros cantarem em suas programações? Por que a existência de um "Esquenta" na maior emissora de televisão do país? Por que matérias em programas jornalísticos falando sobre o "funk ostentação"? Há dez anos até entenderia esse argumento, uma vez que o que era mais falado eram as frequentes confusões que rolavam nesses bailes...Mas hoje?

Sobre a existência ou não do arrastão, reitero: isso é completamente irrelevante. Só o tumulto provocado pela entrada do grupo que fugia da abordagem policial era suficiente para provocar uma situação tal que levasse a uma tragédia, como dito no meu primeiro comentário. A ação policial posterior foi necessária e dentro do que qualquer pessoa que faz o mínimo de uso da lógica faria: conter e verificar quem provocou a situação.

"Partindo da noção de Belchior, chegamos a algumas conclusões sobre o Shopping Vitória: o local é inacessível à classe baixa; não se chega de ônibus lá; paga-se caro para entrar; lojas como Sipolatti, C&A, Riachuello e Ricardo Eletro atendem a elite capixaba; nada se parcela em 10 vezes; e, como expôs um leitor, os jovens foram detidos pelo fato de serem “negros e funkeiros”, assim como “outro dia um rapaz foi autuado no Transcol por porte ilegal de funk”.

O caso revela o oportunismo que interpreta o mundo seguindo a eterna vitimização. Ora, o que anseia o tal discurso racista? Exaltar uma cultura ou opor grupos sociais?"

Mais uma vez o texto foi preciso. Para começar, como alguém que já foi ao Shopping Vitória várias vezes, posso dizer que o local nunca foi em nenhum momento "antro de riquinho", como cheguei a ler no meu poço de besteiras feed de notícias do Facebook. Sempre foi um lugar destinado a atender praticamente toda a "distribuição normal" da sociedade: desde o "pobre de marré de si" que toma casquinha e compra calçado ou roupa a dez prestações até um "coxinha" que compra seus mimos na loja da Apple ou da Samsung. A propósito, só para abrir um parêntese, sou pobre (já fui mais ainda há tempos) e já fiz muito da primeira situação. Com a vida e a necessidade de um melhor planejamento financeiro depois da morte de meu pai, eu e minha família optamos por economizar para comprar coisas melhores à vista ou pagando menos prestações, e recomendo a todos que sigam esse caminho. Fim do parêntese.

Voltando ao assunto, fica evidente que o discurso coitadista tão defendido por alguns tem pouco ou nenhum fundamento e apenas reforça o discurso de "nós contra eles" tão alimentado nos últimos anos. Como disse no parágrafo anterior, sou pobre, tenho amigos(as) (bem) mais ricos que eu e me relaciono muito bem com eles. E tenho amigos(as) (bem) mais pobres que eu e me relaciono igualmente bem. Afinal, o meu foco é o indivíduo, não a "casta" que ele pertence. E creio muito bem que se as pessoas pensassem nas outras apenas como indivíduos, teríamos uma convivência muito melhor.

Comentários

  1. A noção de raça é uma ação política que visa o poder Que visa a desigualdade e não a igualdade entre os seres humanos. Usando essa noção de raça, os pretensos líderes do movimento querem criar guetos no corpo social, conseguirem poder, verbas e privilégios que serão usados por eles.

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    1. Concordo 100% meu amigo; quem abordar os problemas sociais se valendo diferença de raças está alimentando um sentimento que não condiz com a realidade atual, mas a um passado infeliz que não nos diz respeito. Creio que só a ideia de valorizar, ou de incentivar a criação de grupos diferenciados num país como o nosso, deveria se passível de processo por incentivo a diferenças de raças, ou racismo!

      Somo um país feito da miscigenação globalizada, pois temos povos de todas as nações e aos que se acham puros; são pura merda! Creio que deveriam cair fora daqui para não nos contaminarem!

      Roberto Maracajá Junior
      Charneira de ENKI
      30-01-14 2:19

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