O emprego e as importações

(Fonte da imagem: Instituto Von Mises Brasil)
Muito se escuta dizer que um país deve exportar mais do que importar, pois sempre se preocupam com um efeito negativo advindo das importações afetando o nível de emprego na indústria nacional. Essa velha história resulta no interminável temor da desindustrialização.

Como o professor Sennholz escreveu, "[...]se o comércio exterior fosse responsável por demissões, o fenomenal aumento das importações observado nas últimas décadas deveria não só ter desempregado todos os brasileiros que trabalham na indústria, como também deveria ter aniquilado a própria indústria nacional. De acordo com dados do Banco Central, as importações brasileiras na década de 1950 totalizaram US$ 12,8 bilhões. Na década de 1960, aumentaram US$ 13,8 bilhões. Na década de 1970, aumentaram em sete vezes, para US$ 97,2 bilhões. Na década de 1980, com a política da substituição de importações, o ritmo do crescimento reduziu bastante, aumentando em um fator de apenas 1,7, indo para US$ 168,9 bilhões. Na década de 1990, o aumento foi de 2,3 vezes, chegando a US$ 390,6 bilhões. E, finamente, de 2000 a 2010, as importações já passaram de US$ 1,04 trilhão. Se as importações destroem empregos, então esse aumento de 8.025% desde a década de 1950 deveria ter aniquilado com todos os empregos da indústria nacional.”

Se os produtos chineses, por exemplo, estão dominando a indústria nacional, é porque os consumidores estão voluntariamente preferindo esses produtos, e isso analistas econômicos, políticos e alguns empresários se negam em aceitar, então por meio de decretos eles acabam interferindo no poder de escolha dos brasileiros com medidas protecionistas, alegando a velha desculpa de que estão protegendo a indústria nacional e por consequência o nível de emprego, ao passo que historicamente os dados desmentem qualquer argumento desse aspecto.

O professor Sennholz também foi brilhante ao relatar sobre como funciona a demanda por emprego, que segue: "Os empreendedores de sucesso estão continuamente se ajustando às alterações na demanda, na oferta, na tecnologia, nos custos de transporte, nos custos da mão-de-obra e do capital, nas regulamentações e nos obstáculos governamentais, nos impostos, na burocracia, na concorrência doméstica e internacional. Cada indivíduo inserido na ordem de mercado está sob pressão para se ajustar a essas mudanças e, com isso, se manter produtivo. É claro que ele também é livre para ignorar as pressões; a datilógrafa pode perfeitamente continuar querendo apenas teclar sua máquina de escrever. O que ela não pode é insistir que ela seja subsidiada por outros trabalhadores e empregadores. O mesmo é válido para um engenheiro aeronáutico graduado com honras no ITA e que sabe construir grandes aviões militares. Em épocas de guerra e de preparações para a guerra, seus serviços estarão sob forte demanda. Em épocas de paz, ele terá de aprender atividades mais pacíficas. Ele não possui o direito natural de viver à custa do trabalho alheio." 

A concorrência internacional é tão benéfica quanto à concorrência doméstica. De um lado, ela obriga os vendedores a superarem seus concorrentes, forçando-os a oferecerem bens e serviços melhores e mais baratos; de outro, ela obriga os consumidores a também superarem seus concorrentes (os outros consumidores), forçando-os a terem a disponibilidade de pagar preços maiores.

Podemos concluir que medidas protecionistas prejudicam aqueles que são eficientes ao passo que protegem aqueles que são ineficientes, não conseguiram atender uma demanda específica e contam com o governo para protegê-los. Quem verdadeiramente é prejudicado com toda essa história é a população mais pobre, que perde o poder de optar por um produto mais barato e muitas vezes melhor e tem que arcar com produtos de baixa qualidade produzidos nacionalmente. Em nenhum país uma medida protecionista irá controlar o nível de empregos e beneficiar a população, sendo esse país rico ou pobre. A única medida que estimula a produtividade e a inventividade se chama concorrência.

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