Mesmo com janeiro melhor, setor varejista continua estagnado

(Fonte da imagem: EBC)
O comportamento do varejo melhorou do fim do ano passado para o primeiro mês de 2014, mas isso ainda é pouco para tirar o setor da estagnação vista desde o fechamento de 2013. A avaliação é de Aleciana Gusmão, técnica da coordenação de serviços e comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

De dezembro de 2013 para janeiro de 2014, as vendas no varejo saíram de queda de 0,2% para elevação de 0,4%, na série livre de influências sazonais. Nos 12 meses até janeiro, o setor cresceu 4,3%, a mesma taxa observada no acumulado em 12 meses encerrados em dezembro passado. Há meses, a taxa vem em trajetória de desaceleração. Em janeiro de 2013, por exemplo, no acumulado em 12 meses, o comércio crescia a 8,3%. 

Já o comércio varejista ampliado, que inclui as vendas de veículos e motos, partes e peças, e material de construção, cresceu 3,3% nos 12 meses encerrados em janeiro. De acordo com o IBGE, no acumulado em 12 meses até janeiro de 2013, o setor subiu 7,9%.

“O ritmo de crescimento do comércio diminuiu, principalmente, em razão da desaceleração nas vendas de bens duráveis, como veículos. As condições de crédito não são tão mais favoráveis ao setor de bens duráveis, os juros subiram”, afirmou Aleciana.

Ela acrescenta que bens duráveis, como geladeira e automóveis, que elevaram as vendas do comércio, demoram a ser repostos pelo consumidor. Nos últimos anos, o governo incentivou o consumo desses bens, por meio de desonerações fiscais.  

“O efeito da desoneração fiscal ocorre com mais intensidade no início e depois perde força ao longo do tempo. Mas, além disso, o que fez o comércio desacelerar também foi o ritmo menor de crescimento da renda e o aumento da inflação”, disse Aleciana. 

As vendas de veículos e motos, partes e peças subiram 1,9% em janeiro de 2014, depois de caírem 3,2% em dezembro passado, na série que desconta os efeitos sazonais. A partir de janeiro, a alíquota do IPI iniciou ciclo de alta, que dura rá até junho, quando o imposto voltará ao patamar habitual.    

“Os veículos que chegam às concessionárias, agora, estão com IPI mais alto. Mas o resultado das vendas do setor, entre dezembro e janeiro, pode ser justificado pela venda dos estoques antigos, que tinham IPI menor”, disse Aleciana. 

Na comparação com janeiro de 2013, as vendas de veículos e motos, partes e peças caíram 1,8%. 

“Esse resultado pode ser atribuído às condições de crédito, que, em janeiro deste ano, não estavam tão favoráveis como em janeiro de 2013. Há um arrefecimento do crédito, ele está mais restritivo”, afirmou a especialista do IBGE.  [...]

Fonte: Valor Econômico

NOTA: Mais uma vez é impossível não comentar essa notícia sem se lembrar de Luíza Trajano, a "otimista" que os governistas praticamente babaram por baixo pela suposta "surra" no jornalista Diogo Mainardi. E tal "otimismo" fica cada vez mais incoerente em relação aos fatos, conforme mostra os resultados deste levantamento do IBGE. Outra constatação é que diferente de alguns anos, setores que eram até então blindados pelo governo (pelos incentivos fiscais e creditícios) como o varejo e o automobilístico começam a sentir de forma mais intensa os impactos do fraco desempenho da economia brasileira nos últimos anos. Caso isso se torne tendência temos mais um sinal da tempestade que se aproxima nos próximos meses.

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