Qualquer ajuste só virá após as eleições

(Fonte da imagem: Veja)
Bom dia pessoal. Hoje o jornal Folha de S. Paulo postou um editorial falando sobre os efeitos que a inflação poderá trazer à nossa economia nos próximos meses. E o tomate, grande "vilão" da inflação no ano passado, poderá voltar a ser o destaque. Segue abaixo a opinião do jornal. Volto para comentar.

"A julgar pelo que diziam as autoridades do governo Dilma Rousseff (PT), a inflação terminaria 2014 num patamar inferior aos 5,91% registrados no ano passado. A despeito dos esforços empreendidos pelo Banco Central desde abril de 2013, parece improvável que tal resultado venha a ser atingido.

Verdade que, se considerados os 12 meses encerrados em fevereiro, o ritmo da alta dos preços desacelerou em relação ao pico de junho. Tal fato em tese auspicioso foi destacado pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, durante pronunciamento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

A trajetória da inflação, porém, mudará em breve. Vem dos alimentos a principal pressão do momento. A seca do primeiro bimestre do ano comprometeu a safra agrícola, e os impactos começam a chegar à mesa do consumidor. Com aumento próximo a 50% nas últimas semanas, o tomate, por exemplo, voltou a figurar entre os vilões.

Fora a novidade do choque nos alimentos, os demais fatores são bem conhecidos. Indicadores que excluem itens voláteis –e por isso captam melhor a tendência de médio prazo– continuam subindo acima de 6% ao ano. Os preços dos serviços, por sua vez, ainda crescem mais de 8%. Há, além disso, a desvalorização cambial, que encarece produtos importados. Como decorrência, a taxa acumulada em 12 meses logo superará 6% –e permanecerá nesse nível até o final do ano, segundo projeções do setor privado.

Como disse o presidente do BC, a política monetária demora a afetar a economia. Surpreende, ainda assim, que, mesmo depois de uma alta (até aqui) de 3,5 pontos percentuais na taxa Selic, mantenham-se elevadas as expectativas a respeito da inflação.

Tal descrença, algo atípico na história recente do regime de metas, está relacionada à leniência do BC e do governo nos últimos anos.

O represamento de preços importantes, como energia e combustíveis, também contribui para minar a credibilidade da política econômica. A gestão perdulária do Orçamento tampouco ajuda. Enquanto o BC sobe o custo do dinheiro a fim de refrear a demanda interna, a Fazenda opera no sentido oposto, gastando cada vez mais.

À luz desses fatos, seria de esperar que, ao visitar o Senado, o presidente do BC explicasse como pretende cumprir sua missão primária, que é controlar a inflação e fazê-la voltar à meta de 4,5%.

Alexandre Tombini, entretanto, foi genérico em relação a esse ponto. Em contrapartida, entrou em detalhes ao comentar programas do governo para acelerar o crescimento e melhorar a produtividade. Um discurso mais político do que técnico –e lá se vão quatro anos de maus resultados."

Comentários

Por mais que seja frustrante o discurso quase que tangencial de Tombini a respeito da meta de inflação, não é algo espantoso. Ninguém deve esperar uma tática mais agressiva para combater a inflação nos próximos meses, pelo menos não antes das eleições. Até porque qualquer ajuste mais severo necessitará de medidas um tanto impopulares, como cortes em investimentos ou enxugamento do crédito (só como exemplos).

Só fiquei com uma pulga atrás da orelha com o "espanto" que a Folha teve ao dizer que as expectativas em relação à inflação são elevadas apesar do aumento da Selic e alguns parágrafos depois relatar as conduções divergentes do BC e da Fazenda (o que de fato ocorre). Não deveria haver espanto nenhum. Para uma política econômica funcionar da melhor forma, os rumos das políticas fiscal e monetária devem ter o mínimo de coesão. Mas o que se viu até agora foi o Tombini conduzir o aperto monetário a passos de cágado enquanto a trupe de Mantega ainda tenta apagar os "incêndios" da economia jogando mais e mais dinheiro.

Para a inflação voltar à meta de 4,5% - do qual nos distanciamos desde o último ano de governo Lula - o conjunto de medidas para solucionar o problema é um tanto visível: aperto monetário maior (por meio de uma escalada mais forte da Selic), redução de gastos públicos (ou em seu ritmo), maior participação da iniciativa privada nos investimentos (por meio das concessões), entre outros. Mas como disse antes, os leitores não devem esperar nenhuma manobra nesse sentido antes de outubro. Independente de quem ganhe.

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