A correria para a "Copa das Copas": até agora, pouco mais da metade do valor previsto foi gasto

Arena Corinthians, estádio de abertura da Copa, que será entregue apenas no dia 15 de maio (Fonte da imagem: Valor Econômico)
Mais de meia década, ou cerca de um mandato e meio de um presidente da República. E, no entanto, o Brasil, dono da sétima maior economia do mundo por Produto Interno Bruto (PIB), corre para entregar estádios, aeroportos e obras de mobilidade urbana no prazo para receber um evento esportivo definido há seis anos e cinco meses.

Em outubro de 2007, o Brasil ganhou o direito de organizar sua segunda Copa do Mundo. De acordo com dados do Portal da Transparência da Controladoria Geral da União, do investimento total previsto, de R$ 25,6 bilhões, R$ 23,3 bilhões foram contratados até agora, e apenas R$ 13,4 bilhões já foram desembolsados (52% do total).

Do montante projetado, 55% cabem à esfera federal, por meio de aportes diretos ou financiamentos. Os governos locais ficaram responsáveis pelo repasse de R$ 7,8 bilhões. E a iniciativa privada assumiu R$ 3,8 bilhões da conta.

Mas os bilhões de reais não foram suficientes para evitar que três estádios ainda não estejam prontos, incluindo o da abertura, em São Paulo, no dia 12 de junho. A Arena Corinthians, na zona leste da capital paulista, só será entregue em 15 de maio, a menos de um mês do jogo entre Brasil e Croácia. Outros ainda não concluídos são os de Porto Alegre e Curitiba.

O aeroporto que será a principal porta de entrada de estrangeiros no país e principal ponto de conexão (hub), o terminal de Guarulhos, também ainda não está pronto para iniciar testes. E a três meses do mundial, quase metade dos aeroportos das cidades-sede ainda não completou nem a metade das obras previstas.

Segundo levantamento do Portal 2014, organizado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaerco) - que representa cerca de 23 mil empresas de prestação de serviços de planejamento, gerenciamento, supervisão e fiscalização de empreendimentos - entre as dezenas de obras de mobilidade urbana em várias capitais, 25 correm risco de não ser entregues a tempo do evento. E uma dúzia já foi inclusive retirada da Matriz de Responsabilidades - documento que apresenta os valores a serem investidos na Copa do Mundo de 2014 e quem vai bancá-los - porque o tempo restante é inferior ao cronograma necessário para a engenharia. [...]

Do lado do setor público, o governo estabeleceu um roteiro de investimentos dividido em sete setores para transformar o crescimento potencial em realidade - mobilidade urbana, estádios, portos, aeroportos, segurança, telecomunicações e turismo. Mas apesar de amparados em um orçamento que privilegiava a agenda ligada à Copa, atrasos e reajustes de preços mexeram com os orçamentos. Começando pelo palco principal do torneio, os estádios.

Desde janeiro de 2010, data do primeiro orçamento compilado pelo governo e agentes ligados ao torneio, as arenas apresentaram o maior aumento de custo, passando de R$ 5,7 bilhões para R$ 8 bilhões. Os reajustes de orçamento atingiram parte das 109 obras que compõem a Matriz de Responsabilidades ligada à Copa, ocorrendo também nas obras de mobilidade urbana, projetos de modernização de portos e aeroportos.


NOTA: O Mundial se aproxima e cada vez há menos motivos para acreditar que o balanço do evento será positivo para o Brasil. E não há desculpas para chegarmos a esse ponto, uma vez que tivemos uma janela de tempo bem ampla e não faltou recursos para a organização do evento, que, conforme a notícia deixa bem claro, são em maioria recursos públicos. E se o legado do evento para a economia será pífio (conforme o último post neste blog do mês passado), também é aquém do desejado esse para a infraestrutura. Fica evidente o fato de que o nosso país perdeu a chance de mudar sua trajetória por meio da Copa.

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