A inflação ao final do ano pode estourar o teto da meta?

(Fonte da imagem: Blog do Onyx)
As expectativas do mercado para a inflação deste e do próximo ano se deterioraram mais uma vez, de acordo com o boletim semanal Focus, do Banco Central, que colhe estimativas entre cerca de cem instituições do mercado financeiro.

A mediana das estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2014 subiu pela sexta semana consecutiva, de 6,35% para 6,47%, um nível bem próximo ao teto do intervalo para a meta de inflação a ser perseguida pelo Banco Central, de 6,50%.

Para 2015, a mediana avançou de 5,84% para 6%. Na leitura do IPCA em 12 meses, as expectativas saíram de 6,07% para 6,12%. A projeção para a inflação em abril subiu de 0,61% para 0,69%.

As revisões ocorrem após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar um IPCA maior que o esperado em março, 0,92%, puxado pela alta dos alimentos, que subiram por causa da seca, e também por outros fatores. A inflação de serviços voltou a ganhar força e agora está acima de 9% em 12 meses.

Além do choque do preço dos alimentos, ainda existe a expectativa do impacto da conta da energia elétrica, que pode ocorrer ainda em 2014, a despeito dos esforços do governo para amenizar esse efeito. De acordo com analistas, os primeiros reajustes autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na semana passada sinalizam um IPCA mais alto. No Focus, a expectativa para o aumento dos preços administrados neste ano, que inclui energia elétrica, subiu de 4,45% para 4,60%. Para 2015, a estimativa avançou de 5,50% para 5,90%.

Apesar de uma expectativa de inflação deteriorada, o mercado manteve inalterada a aposta para a taxa Selic ao fim deste e do próximo ano. Para 2014, a taxa básica de juros é estimada em 11,25%, ante atuais 11%, e para 2015, em 12% ao ano.

Os analistas Top 5 – os que mais acertam as previsões – reduziram sua expectativa para o IPCA neste ano, maselevaram-na para 2015. Eles não alteraram suas projeções para a Selic. A mediana de médio prazo para o IPCA em 2014 saiu de 6,57% para 6,49%, e para 2015, de 6% para 6,27%.

A projeção para a Selic seguiu em 11,88% em 2014 e em 13% em 2015.


NOTA: Considerando que estamos ainda no segundo trimestre deste ano e as possibilidades de variação do índice, as perspectivas para a inflação são, para dizer o mínimo, sombrias (lembrando que os preços direta ou indiretamente administrados pelo governo, como o da energia elétrica, estão "represados"). Cabe lembrar que a política de aperto monetário implementada desde o ano passado pelo Banco Central é ainda tímida se levarmos em conta a proporção do quadro de inflação e não é "casada" com uma boa política fiscal, e, ao que tudo indica, qualquer ajuste mais agressivo só será adotado após as eleições. Resta, obviamente, torcer para que o caldo não entorne antes delas.

Em outra matéria do mesmo jornal, o presidente do BC, Alexandre Tombini, falou em um retorno a uma abordagem mais "tradicional" da política monetária. Seria algum sinal de (uma necessária) mudança de rumos? Confira aqui.

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