A "Copa das Copas" não gerará o "Retorno dos Retornos". É isso?

(Fonte da imagem: Brasil Post)
A possibilidade da economia brasileira – que não vai bem das pernas, diga-se – ganhar uma grande injeção de ânimo (e dinheiro) a médio e longo prazo com a Copa do Mundo, que começa em duas semanas no País, parece cada vez mais irreal. É o que apontam dois estudos de instituições da área financeira do exterior, ambos direcionando suas análises para o governo federal brasileiro.

Se em 2010 um estudo encomendado pelo Ministério do Esporte e realizado pelo Consórcio Copa 2014 apontava para ganhos de R$ 183,2 bilhões por um prazo de cinco anos, dos quais R$ 47,5 bilhões seriam diretos, e outros R$ 135,7 bilhões indiretos, o quadro atual parece bem menos promissor. Até mesmo de outro levantamento, divulgado com alegria pela União em 2012, que apontava para um saldo positivo de R$ 142 bilhões.

De acordo com o relatório divulgado há duas semanas pelo banco alemão Berenberg e pelo Instituto de Economia Mundial (HWWI), de Hamburgo, os efeitos práticos e consistentes na economia brasileira no que diz respeito a ganhos sequer devem ser considerados. O documento aponta a Fifa como única beneficiária substancial da Copa, mas não estima os montantes exatos que o País e a entidade máxima do futebol podem esperar.

“Os efeitos econômicos positivos da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos são para os países-sede, na maioria das vezes, insignificantes. Mas, tais megaeventos podem servir de impulso para a modernização dos países”, disse o economista do Banco Berenberg, Jörn Quitzau. O economista Henning Vopel, do HWWI, completa. “As análises de custo-benefício realizadas antes de um evento como esse geralmente exageram quanto aos efeitos positivos”.

As instituições alemãs acreditam que o Brasil ainda falhou em atender aos seus próprios problemas, notadamente os de infraestrutura, perdendo a oportunidade de deixar um legado consistente para a população. Além de ganhos meramente secundários, o Brasil ainda poderia ter direcionado os cerca de R$ 30 bilhões investidos até aqui no Mundial para áreas como saúde e educação, conclui o estudo. Ainda assim, a Copa das Confederações representou um impacto econômico de R$ 20,7 bilhões, há um ano.

Para a Copa, a estimativa exagerada do governo federal já havia sido detectada no fim de março pela agência de classificação de risco Moody’s. Segundo ela, os elementos positivos da vinda de mais de 3,6 milhões de turistas para o Mundial poderiam sofrer um revés diante do número de dias trabalhados na indústria e no varejo do País, anulando assim o reflexo otimista na economia nacional. Ainda de acordo com a agência, o Brasil deve obter um crescimento de meros 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), por um prazo de dez anos, contados de 2010 a 2019. [...]

Fonte: Brasil Post

NOTA: Em minha última postagem do mês de março (confira aqui) já havia citado e comentado o fato de que o retorno que a Copa do Mundo geraria em termos econômicos seria irrisório e em diversos textos postados neste blog (ver a tag Copa do Mundo) havia comentado sobre o risco do legado no aspecto da infraestrutura - um dos grandes aspectos a serem melhorados - ser muito inferior ao esperado (e desejado). E fica cada vez mais evidente que só haverão três beneficiados nessa história toda: o governo, a FIFA (que ganhou quase um status de Estado paralelo por aqui) e as empresas que orbitam em torno deste sistema. Quanto ao resto...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Não, Juan Arias. Dilma não se transformou

Dando-se tempo ao tempo: cadê as vantagens do porto de Mariel?

O perigo do Brasil se tornar cada vez mais o paraíso de George Soros