Apesar dos pesares, já temos Copa

Playback ao vivo de "We Are One", um dos momentos mais constrangedores da cerimônia de abertura da Copa 2014. (Fonte da imagem: Brasil Post)
Boa noite pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para comentar sobre o primeiro dia da Copa do Mundo, bastante movimentado não só na cidade da abertura (São Paulo e Impressorão Itaquerão Arena Corinthians, respectivamente) como em outras cidades que são sedes do evento, como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Fortaleza, que, assim como a capital paulista, tiveram aquele roteiro previsível: protestos contra os gastos no evento (too late, já ocorreram), confrontos com a PM, black blocs no meio quebrando tudo que encontram pela frente e no final os fardados é que pagam o pato, seja por conta de jornalistas que, eventualmente, são atingidos pelas bombas de gás ou de efeito moral (lamento informar, elas ainda não são teleguiadas), seja pelo "excesso de violência" contra manifestantes (que são pacíficos, só tacam pedras, coqueteis molotov, quebram patrimônio público e privado, mas isso é um mero detalhe, claro), tentando igualar moralmente os policiais aos black blocs, principalmente.

Falando do jogo de abertura em si, alguns pontos valem a pena ser destacados. No início do jogo, quando o estádio ainda não estava lotado, a impressão que se tinha que não só os vinte mil lugares, mas TODA a Arena Corinthians era uma estrutura provisória. Parecia algo do tipo "tá pronto, mas não repare as bagunças do canto". Passado isso, assisti à cerimônia de abertura, e, honestamente, foi bastante sem graça, em nada lembrando a ideia de "Copa das Copas". Parecia aquelas apresentações em que várias turmas de primário se reuniam para falar sobre o Brasil, cada uma representando um estado, apenas com um pouco de (d)efeitos especiais. O microshow com a música We Are One, de Pitbull, Jennifer Lopez e Cláudia Leitte ganhou um contorno um tanto constrangedor pelo aparente (e muito mal disfarçado) playback. O "conjunto da obra" deu a sensação de que tinha algo não terminado naquilo. Talvez se dessem mais tempo - e destaque - ao pontapé inicial da Copa, dado por um jovem paraplégico que participa do projeto Andar de Novo, liderado pelo cientista Nicolelis, teria sido bem melhor. A propósito, esse pontapé inicial a Globo mostrou apenas um VT.

Outro ponto importante do evento da abertura foi o fato de que a grande torcida para a Seleção antes e durante o jogo não significou alívio para a presidente Dilma Rousseff, que mesmo não fazendo o discurso de abertura do evento (algo inédito), não deixou de ser hostilizada e xingada no estádio. Um tanto melancólico para alguém que falava em uma "vitória sobre os pessmistas", não é? E antes que os governistas tentem arranjar desculpas como "ódio das elites", "revolta dos coxinhas" e similares, vale lembrar que quem comprou a ideia de trazer esse evento "elitista" para cá foi...Lula (com Dilma já como braço direito, na Casa Civil). Isso sem contar que ninguém é obrigado a fazer claque de graça para ninguém. O choro é livre e aguentem o tranco, se conseguirem.

Quanto à bola rolando, foi um jogo típico de abertura: de nível razoável, sem nada que tenha enchido os meus olhos. O resultado, 3 x 1 para o Brasil sobre a Croácia(dois gols de Neymar e um de Oscar), não refletiu o nível de futebol das duas seleções na partida, que foi um tanto parecido para os dois lados. Se o árbitro Yuichi Nishimura não tivesse marcado aquele pênalti sobre o Fred (que a meu ver foi sim pênalti, mas o Arnaldo não achou isso) era bem provável que o jogo terminasse em 2 x 1. Se o pênalti fosse marcado e a falta sobre o Julio Cesar no que seria o segundo gol croata não fosse marcada (e que na minha opinião foi lance normal), era para o jogo terminar em 2 x 2 ou 3 x 2. Seria um placar mais justo em relação ao desempenho de Brasil e Croácia. Mas, futebol e justiça nem sempre andam lado a lado. Na verdade, quase nunca.

Enfim, se usarmos a abertura como referência, podemos dizer que a Copa do Mundo não será necessariamente a Copa das Copas, mas ainda assim poderá dar algo certo. Não por causa dos preparativos e da organização, mas, principalmente, apesar dela.

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