Rotinas da Copa: #1 - Sobre torcer para a Seleção e vaiar a Dilma

Olha a animação de Dilma ao estar no estádio...#sóquenão (Fonte da imagem: G1)
Bom dia pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para estrear uma série de postagens em clima de Copa do Mundo. Mais precisamente, será sobre comentar certas "rotinas" que algumas pessoas colocam a respeito do que acontece durante o evento, dentro e fora dos estádios. A primeira delas, que vi circulando em um grupo de discussões no Facebook, era que os torcedores que hostilizaram a Dilma no jogo de abertura ocorrido ontem estavam sendo incoerentes ou hipócritas pelo fato de simplesmente terem pago o ingresso para assistir à partida, e que o melhor a se fazer seria simplesmente boicotar o jogo.

Pois bem, vamos ao primeiro motivo de discordância em relação à primeira "rotina" da Copa (e o mais simples e óbvio): quem foi ao estádio para assistir ao jogo não foi ver a Dilma, e sim a Seleção. Parece até idiotice falar isso tamanha a obviedade, mas infelizmente muitos em nosso país, inclusive os "recém-politizados" que querem mais Estado para resolver problemas de incompetência do Estado, acham que "todo político é ladrão" e ainda acreditam que votar nulo vai adiantar alguma coisa, não conseguem distinguir três coisas elementares: apoiar a Seleção, apoiar o país e apoiar o governo. E sim, os três itens são completamente diferentes.

Podemos enxergar essa distinção em outros países: nos EUA, por exemplo, o Independence Day (4 de julho) é comemorado com entusiasmo pelos norte-americanos e mesmo assim muitos não morrem de amores pelo Barack Obama. Da mesma forma que os franceses torcem apaixonadamente pela sua Seleção, possuem um senso de amor à pátria bastante exacerbado (tanto em relação aos norte-americanos como aos demais europeus), mas torcem o nariz para François Hollande. O mesmo vale para outros países, e só para constar, essa ausência de distinção é uma das condições ideais para que governos autoritários prosperem (é só pensarmos na Rússia de Putin, na Venezuela de Maduro ou mesmo historicamente, em relação ao regime militar).

O segundo motivo, é que apesar dos desmandos que aconteceram em torno da organização do Mundial (e que não foram poucos, como relatado em uma postagem do dia 13/05), é tarde demais para ficarmos reclamando e saindo para as ruas gritar "Não Vai Ter Copa" (que, ainda mais nesta altura do campeonato, é uma babaquice). Se o problema era trazer o Mundial para cá, éramos para ter reclamado em 2007 quando Lula "comprou" a ideia, ou em 2010 (quando Dilma era candidata a presidente), para que pelo menos a construção dos futuros elefantes brancos de Manaus, Natal, Cuiabá e Brasília fosse evitada. Como isso não aconteceu e as seleções de certa forma não têm nada a ver com a zorra que foi feita em nosso país, resta a nós torcer pela seleção e para que o evento, dentro de suas limitações, dê certo. E que fique bem claro: se a Copa der certo por aqui, não será por causa da organização que os governos federal, estaduais e municipais fizeram, mas sim apesar dela.

Por fim, o terceiro motivo é que Dilma não foi hostilizada por causa da Copa, ou apenas dela. O Mundial não é o único problema em nosso país (e, honestamente, arrisco a dizer que não é o maior). Foi o "conjunto da obra" que determinou o resultado visto ontem: seja pela condução um tanto "capenga" da economia, seja pela baixa qualidade dos serviços públicos (bancados com cinco meses a cada ano de impostos), seja pela inabilidade política. Motivos para questionar o governo não faltam (e falei exaustivamente disso neste blog). E quanto a aqueles que querem desqualificar a manifestação de desaprovação em relação a nossa presidente, alegando que foi uma "manifestação da elite" ou uma "revolta dos coxinhas" (o mais engraçado é que são os mesmos que pregam tolerância e rejeitam o "preconceito de classe"), cabe dizer que não é culpa de quem foi ao estádio se os responsáveis diretos e indiretos da organização do Mundial não pensaram em transformar o evento em algo mais "povão" (a propósito, Copa do Mundo sempre foi um evento voltado para as "elites", pelo menos no que se refere aos estádios). Também não é culpa de quem esteve lá se o "conjunto da obra" não está como deveria estar. E a mais elementar: não é culpa de quem foi ao estádio se estamos em um país (ainda) democrático e se podemos manifestar claramente nossa desaprovação ao governo. Achar que somos obrigados a aplaudir e dizer "Dilma, eu te amo!" me parece algo um tanto ditatorial.

Enfim, mais do que consciência política ou social, é necessário que as pessoas aprendam conceitos básicos de ambos os aspectos. Nesse quesito somos bebês que mal tomamos leite e ainda achamos que temos a capacidade de chupar cana e assobiar ao mesmo tempo.

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