Suárez: o coitadismo chega ao esporte

(Fonte da imagem: Público)
Boa noite pessoal. Hoje utilizarei o Minuto Produtivo para falar um pouco de futebol e, para variar, de Copa do Mundo. Mais precisamente sobre o caso Luis Suárez, atacante da seleção do Uruguai, eliminada ontem pela Colômbia nas oitavas de final da competição. De forma resumida, o ocorrido foi da seguinte forma: na partida de vida ou morte pela fase de grupos com a Itália, o atacante acabou mordendo o zagueiro Chiellini, da seleção adversária. Apesar do árbitro não ter visto o lance, a FIFA abriu uma investigação contra Suárez e o puniu com um gancho de nove partidas, suspensão por quatro meses por qualquer atividade ligada ao futebol e uma multa de 100 mil euros. 

Antes mesmo da punição - a mais severa da história das Copas - ser confirmada (e depois dela), alguns resolveram sair em defesa do zumbi. Uma das defesas dizia que o comportamento recorrentemente agressivo do jogador (não, não foi a primeira vez que Suárez mordeu, ok?) poderia ser explicado pela infância difícil que ele teve. José Mujica, presidente do Uruguai (e novo ídolo dos progressistas) afirmou que a penalidade foi um "ataque monstruoso" e "uma eterna vergonha na história dos Mundiais". Maradona, ex-camisa 10 da seleção argentina e com uma moral ilibada ao ponto de decidir um jogo de Copa do Mundo com um gol de mão, foi outro a criticar a FIFA. Nicolas Maduro, presidente venezuelano, disse que o atacante foi punido pelo fato de "um filho do povo" ter eliminado "duas grandes potências do futebol". Claro, o técnico uruguaio Óscar Tabarez também criticou a medida.

De fato, algumas colocações feitas pelos que se opuseram à punição do jogador uruguaio beiram ou mesmo ultrapassam os limites do ridículo, mas...A propósito, vocês, leitores deste blog, nunca viram afirmações desse tipo antes? Mesmo? Tem certeza?

Pois eu já li, vi e ouvi afirmações muito parecidas em situações (inclusive) bem piores que essa no dia-a-dia, seja nas redes sociais, seja na imprensa ou em outro meio. Em uma sociedade onde tenta-se impor a visão do bandido como "vítima do sistema", "vítima da sociedade", "vítima da falta de oportunidades" (afinal, a maioria que passou por situações tão difíceis na vida quanto o bandido não tem mérito nenhum em viver uma vida honesta, não é?), os rolezinhos acabaram sendo vistos como a ocupação de pobres (e negros, como alguns colunistas como Eliane Brum gostam de ressaltar) em shoppings ocupados pela classe média (sim, a classe média que pelos critérios do governo ganha, por cabeça, um salário mínimo, pasmem) e black blocs são visto como os "guerreiros do povo" contra a "truculência policial" e a "exploração das grandes corporações" (mesmo quando esses que querem brincar de revolução não tem a menor ideia de truculência nem de exploração), seria muita inocência acreditar que toda essa baboseira travestida de "consciência social" não chegaria também ao mundo do esporte, um ambiente competitivo par excellence e um dos primeiros a ensinar o respeito às regras acima de tudo.


Antes de dar sequência ao meu raciocínio, minha opinião sobre o caso Suárez é bem simples e categórica: ele agrediu um jogador de uma equipe adversária, com um meio que não é utilizado em nenhum esporte (nem mesmo em lutas, e temos o Holyfield que não nos deixa mentir), e tal agressão não foi a primeira do jogador uruguaio. Portanto, não era necessária apenas uma punição, mas também era necessária uma punição severa e exemplar, de forma a entender que tal comportamento não seria tolerado no futebol.

É claro, que neste momento alguém pode ter puxado a matéria do José Antônio Lima no blog Esporte Fino da Carta Capital (bem como outras) para alegar que a FIFA não tem moral para julgar a situação porque foi omissa em outros incidentes ou porque a entidade é corrupta (tudo bem, a profundidade moral da entidade máxima do futebol é grande como a de um pires). Mas isso muda o fato de que a atitude do atacante uruguaio é errada (e mais ainda, pelo fato de ter sido reincidente)? É evidente que não. E retomando a questão dos coitadismos, alguma semelhança desse argumento em defesa à não punição de Suárez com o argumento de que o quebra-quebra em protestos é justificável porque os políticos "vandalizam" os cofres públicos? Sim, a lógica, mais uma vez, é parecida. E incrivelmente parva, uma vez que o dinheiro que poderia muito bem ser gasto naquilo que eles dizem lutar terá que ser utilizado para reconstrução de patrimônio (e sim, ele pode ser igualmente desviado pela corrupção que os manifestantes tanto lutam). E sem falar que se ficarmos pensando que pelo fato de um não ter sido punido os demais também não devem, por que dizer que aquilo que não deveria ter sido feito está errado, não é? E assim teremos o caos...

E antes de encerrar a postagem (que daria muito pano para manga, por sinal), cabe dizer que, assim como Suárez, muitos jogadores passaram por uma infância tão (ou até mais) difícil que a dele e nem por isso cagam e andam nas regras do esporte. Da mesma forma que muitas pessoas passam por bocados tão ruins (ou piores) que muitos criminosos e nem por isso saem por aí roubando e matando, antes levam uma vida normal e honesta. Portanto, a "infância difícil" de Suárez não justifica o seu momento The Walking Dead.

Enfim, o coitadismo e a ausência do senso de responsabilidade individual está fazendo o mundo um lugar cada vez mais chato de viver e conviver. Sei que isso é difícil, mas peço encarecidamente aos amantes não só do futebol como também de outros esportes que não deixem que isso não estrague uma das poucas áreas da humanidade que ensinam lições importantes como a competição e o respeito às regras, valores que deveriam ser cultivados por todos, acima de qualquer ideologia.

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