(Duro) choque de realidade 4: the day after World Cup

(Fonte da imagem: Terra)

Confira as três postagens anteriores: AQUI, AQUI e AQUI.


Boa noite pessoal. Conforme prometido na página oficial, hoje utilizarei o Minuto Produtivo para fazer o último post da série iniciada no dia 08 deste mês, quando a Alemanha impôs uma achapante derrota para o Brasil em Belo Horizonte (o "Mineirazo"), estraçalhando o sonho do hexa da Seleção. Ontem, a "magia" da Copa chegou ao seu final com um grande jogo entre Alemanha e Argentina. Diga-se de passagem, um jogo equilibrado, com chances de gol para ambos os lados, embora no início os contra-ataques argentinos davam a entender de que o tabu de seleções europeias não ganharem no continente americano. Mas felizmente as chances de gol foram desperdiçadas. E fazendo valer a máxima "quem não faz, leva", Mario Götze, que estava no banco de reservas até ao final do segundo tempo, teve o papel de castigar o desperdício argentino fazendo o gol que deu o tetracampeonato à trupe de Joachim Löw. A propósito, um título merecido, que premiou uma década de planejamento e um futebol bem jogado. Por que não considerar o futebol alemão de hoje como o "futebol-arte"? Além disso, um eventual título argentino só ajudaria a ganhar força a ideia da intervenção estatal no esporte bretão proposta pelo Ministro do Esporte Aldo Rebelo. Diga-se de passagem, as transmissões dos jogos da primeira divisão do campeonato argentino são feitas por uma emissora estatal. E lembrando que o futebol argentino, apesar de bem raçudo (para variar), é bastante limitado.

Mas como disse no parágrafo anterior (bem como na primeira postagem da série), o conto de fadas que durou um mês chegou ao seu final. E como muito bem relatado na coluna de Mario Vargas Llosa no El País (confira aqui), voltamos ao Brasil real, com todos os problemas que nós conhecemos (hospitais superlotados, escolas sucateadas tanto nos recursos físicos como nos humanos, uma segurança pública - o que inclui a justiça - em estado quase falimentar, infraestrutura ainda capenga, entre outros). E não, a Copa não ajudou a resolver ou, com muita generosidade deste que vos escreve, apenas "guaribou" esses defeitos. E nunca é demais relembrar: se nosso Mundial entrou para os melhores da história, foi apesar do governo e não por causa dele. Afinal, partidas emocionantes, boa média de gols e uma boa hospitalidade e capacidade de improvisação são coisas que estão acima de qualquer governo ou ideologia. Simples assim, óbvio assim.

Além disso, a economia, apesar do retorno anunciado de R$ 30 bilhões gerados pela Copa (o valor foi aproximadamente R$ 5 bilhões acima do previsto pela Moody's, mas ainda assim não empolga), continua dando sinais de preocupação tanto para o governo como para o mercado. Apesar da empolgação ainda não diluída por conta do Mundial, a inflação prevista para este ano se aproxima cada vez mais dos 6,5%, teto da meta. E a previsão para o crescimento do PIB já se aproxima de 1%, apenas 0,1 p.p. do pífio desempenho de 2012. Lembrando que tal inflação, próxima do teto da meta, ocorre com diversos preços controlados pelo governo. E quanto à projeção de crescimento, estamos ainda em julho. Em agosto de 2012, por exemplo, se previa um crescimento de 1,5%.

No Brasil e nos contos de Grimm, as histórias mágicas sempre acabam. A desvantagem nossa, porém, é que não podemos viver felizes para sempre. Até porque não temos motivos para isso.

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