Marina Silva, a faca e o queijo na mão

(Fonte da imagem: BBC Brasil)
Boa noite pessoal. Depois de alguns dias sem atualizar este blog, retomarei à programação normal para falar da morte trágica do presidenciável e ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, em um acidente de avião em Santos, litoral de São Paulo. Mais precisamente, dos impactos políticos que essa tragédia, até agora sem explicações convincentes e com circunstâncias um tanto estranhas, como o fato de a aeronave já estar em chamas quando caiu (o que faz a hipótese de mau tempo não ser a principal causa do acidente) e o fato de a caixa preta não ter gravado diálogos do voo de Campos. Enfim, não pretendo falar de possíveis "teorias conspiratórias", muito embora os fatos dos links deste parágrafo deem a estas certo grau de verossimilhança. De qualquer forma, é a maior reviravolta no cenário político brasileiro desde a morte de Tancredo Neves, em 1985.

A escolha de Marina Silva, praticamente confirmada (só resta mesmo o anúncio oficial), já era de se esperar. Apesar de que ela só tenha entrado no PSB pelo fato de não ter obtido o registro do Rede Sustentabilidade, seria um tanto temerário o partido se arriscar a jogar fora milhões de votos em uma eleição. Vale lembrar que em 2010, com uma campanha eleitoral bem menos pomposa em relação aos players principais (na época, Dilma Rousseff e José Serra), ela obteve mais de 19 milhões de votos, o equivalente a 19% dos votos válidos. E caso ela entre de fato na disputa, terá os votos já direcionados a ela, tem o potencial para "herdar" os votos direcionados a Campos e pode "roubar" votos do eleitorado evangélico, até então direcionados ao Pr. Everaldo Pereira. Em uma continha de padaria, arrisco a dizer que ela tem capacidade para conseguir, sem grandes esforços, 25% dos votos. Ou seja, se antes o presidenciável tucano Aécio Neves poderia sonhar com um segundo turno e talvez até com uma apertada vitória sobre a candidata petista, agora a briga será para chegar ao segundo turno. Até porque com a presença de Marina, tal cenário é quase certo.

E se para mim e demais colegas direitistas a escolha pelo Aécio Neves já não seria fácil, uma vez que é, na melhor das hipóteses, um centrista ao estilo Tony Blair e Bill Clinton (não gente, PSDB não é direita em nenhum lugar do mundo, só mesmo aqui no Brasil um partido social-democrata ser considerado de direita, viu), um segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva poderá ser um tanto trágico (e sim, é muito provável que isso aconteça). Até porque boa parte das posições políticas de Marina são bastante semelhantes às de Dilma (sem contar o adicional de ecochatice). Que dureza. Mas como não bebo, não irei tomar um Dreher...

Espero estar errado quanto ao cenário, e até mesmo sonhar com um segundo turno entre Aécio e Marina, tal como Rodrigo Constantino fez. Mas por enquanto, resta aguardar o fim do pesadelo.

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