Quando os tucanos precisam entender que o "fenômeno" Marina Silva não é passageiro? Ontem

(Fonte da imagem: Zero Hora)
Caso queira delongar um pouco no assunto você pode conferir as postagens deste mês a respeito: AQUI e AQUI.

Boa noite pessoal. Vocês já ouviram ou leram algo com a expressão as soon as possible (ou apenas sua sigla, ASAP)? Para quem não ouviu, a explicação é relativamente simples: tal expressão, comum no ambiente de negócios, traduzida livremente do inglês, significa "quanto antes for possível". Ou seja, de forma a cumprir prazos sem perder a qualidade, produtividade e claro, dinheiro, atividades são feitas e entregues o mais rápido possível, seja para um cliente, seja para um fornecedor, seja apenas para você mesmo. É uma forma, digamos, bem polida de se dizer que uma tarefa é "para ontem".

Nas postagens que falei sobre a ascensão de Marina Silva (links no primeiro parágrafo), alguns me disseram que eu estava superestimando a força da nova presidenciável e não enxergaram as ameaças que o novo cenário representava às chances de Aécio Neves buscar a vitória sobre Dilma Rousseff no segundo turno. Os tucanos, "principalmente", viam tal fenômeno como um "fato passageiro", resultante de uma mera comoção pela morte do então presidenciável Eduardo Campos, isso mesmo com o fato de que nas pesquisas feitas antes do horário eleitoral ela tinha uma performance superior a de Campos e até mesmo do presidenciável tucano. A questão é que as duas últimas pesquisas eleitorais, a do Ibope (aqui) e do Datafolha (aqui), dão a entender que só isso - como se fosse pouco - não explica a disparada da candidata socialista em relação à queda da candidata petista e à queda livre do candidato tucano.

Bem, antes que me perguntem sobre quais seriam as explicações para esse novo cenário da corrida, não pretendo entrar no mérito disso agora, muito embora vejo tal situação como a combinação de duas situações: além de, obviamente, a comoção por conta da morte de Campos, um motivo ainda maior para a ascensão de Marina é o desejo da mudança em relação a "tudo isso que está aí" expressado nos protestos do ano passado e, complementar a isso, a fadiga em relação à polarização entre PT e PSDB. Enfim, Marina Silva resolveu ocupar um vácuo político que cresceu nos últimos anos, inclusive trazendo para si propostas normalmente colocadas pelos outros dois candidatos (no aspecto econômico, Marina consegue se aproximar de Aécio e no social, de Dilma).

Quanto à reação dos tucanos - ou pior, a falta dela - duas palavras resumem muito bem a situação: lamentável e previsível. Lamentável porque isso pode acabar sendo um castigo pela falta de postura que o PSDB apresentou como oposição nos últimos doze anos. Como disse em um post no dia 26/02, quando comentei a entrevista do ex-presidente FHC (confira aqui), os tucanos preferiram fazer um cosplay do discurso petista ao invés de fazer um discurso oposicionista de fato, o que ficou evidente nas campanhas de Geraldo Alckmin em 2006 e José Serra em 2010, por medo de críticas. O resultado agora pode ser ainda mais sombrio: o PSDB caminha para o seu pior resultado em duas décadas, não conseguindo sequer chegar ao segundo turno (isso se tiver).

Enfim, se os tucanos querem pelo menos considerar a hipótese de "cair, mas cair atirando" no segundo turno, precisam fazer uma campanha digna de um partido de oposição. As soon as possible.

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