A teoria dos jogos e o voto útil

(Fonte da imagem: Folha Vitória)

Há um famigerado sentimento de desinteresse no tocante às eleições, ocasionado por diversos fatores.

O voto é uma tomada de decisão, mesmo que no sistema eleitoral brasileiro este seja compulsório, posição que discordo veementemente: a ideia de uma democracia obrigar a votar é um contrassenso. Seria útil, inclusive, que os candidatos tivessem de convencer o eleitorado que “vale a pena” exercer um direito para votar nele.

Outro desestimulante fator é a repetição: quando estamos doentes e ao tomamos um remédio a dor não passa, significa que o diagnóstico está errado. Logo, buscamos outro remédio. No Brasil a lógica se inverte: mesmo havendo reiterados erros, os candidatos insistem no mesmo diagnóstico, talvez por conveniência deles e inércia do eleitorado, prometendo somente aumentar a dose do remédio, o que obviamente não resolverá o problema.

Ademais, há como panorama uma maioria de candidatos que prometem coisas pelas quais não tem competência legal para fazer, mesmo se eleitos. Em contrapartida, parcela considerável de eleitores sequer sabem a função de cada cargo pelo qual ajudarão a escolher quem ocupará.

Casos assim, bem como disputas de candidaturas pelo poder e não debates ideológicos, aliados a recorrentes escândalos de corrupção, levam a descrença e o sentimento de que “político é tudo igual”, promovendo o mencionado desinteresse. É perceptível a necessidade de uma mudança cultural, mas o que fazer enquanto isso não ocorre?

No que se refere à Teoria da Tomada de Decisão, o matemático americano John von Neumann formulou a “regra minimax”, segundo a qual em qualquer situação a melhor estratégia é minimizar a perda máxima.

Na prática, eleição é votar no menos pior, não existe um messiânico salvador da pátria. Mormente no Brasil, em que estadistas são escassos, preteridos por uma classe política com viés populista, que compromete o futuro das próximas gerações pensando unicamente em sua manutenção no poder, confrontante aos ensinamentos de James Freeman Clarke.

Logo, não há fórmula mágica: é escolher entre o péssimo e o ruim. É inglório, todavia, abster-se do debate não será melhor.

Vejamos: você está machucado, andando com dificuldades. Não há como alternativa a cirurgia, que resolveria o problema na perna. Como soluções propostas há tão somente duas alternativas: um tiro no pé ou um tiro no estômago. Qual você escolheria?

Percebam que ambas as escolhas são ruins. Você já está com dificuldades de locomoção e um tiro no pé fará ter mais dificuldades, entretanto, a segunda alternativa, um tiro no estômago, apresenta-se bem pior, haja vista que impedirá até mesmo andar.

Entrementes, não escolher uma deles gerará uma terceira consequência: levar um tiro às cegas. Fechar os olhos ao deparar-se entre o candidato ruim e o péssimo, provavelmente significará a vitória do péssimo. Por conseguinte, configurado esse panorama, participar das eleições votando estrategicamente para minimizar a perda máxima (a eleição do péssimo) não é condenável: é questão de sobrevivência.

Por Luan Sperandio

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